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Thursday, 10 June 2010

VIGILANCIA PARA QUEM PRECISA!

SENADO FEDERAL

Secretaria-Geral da Mesa

Acompanhamento de Matérias


As seguintes matérias de seu interesse sofreram ações em: 07/06/2010


SF PLC 00119 2009


Ementa: Dispõe sobre a obrigatoriedade de instalação de câmeras de filmagem nos centros comerciais e similares....

07/06/2010 SSCLSF - SUBSEC. COORDENAÇÃO LEGISLATIVA DO SENADO

Encaminhado ao Plenário para comunicação do término de prazo para interposição de recurso.

07/06/2010 ATA-PLEN - SUBSECRETARIA DE ATA - PLENÁRIO

Situação: REJEITADA


A Presidência comunica ao Plenário que se esgotou na última sexta-feira o prazo previsto no art. 91, § 3º, do Regimento Interno, sem que tenha sido interposto recurso no sentido da apreciação da matéria pelo Plenário, que tendo sido rejeitada pela Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania, vai ao Arquivo. À Sarq.

Wednesday, 14 April 2010

Um email aos professores do NAVE

Acabei de ler este texto da Dra. Paula Sibilia, Professora do Departamento de Estudos Culturais e Mídia da UFF, e gostaria de compartilhá-lo com vocês.
http://p.php.uol.com.br/tropico/html/textos/3176,1.shl
A Professora chama a atenção para a presença de câmeras de vigilância em escolas públicas e faz uma análise sombria do que chama de 'fracasso da instituição'.
Não sei se compreendi inteiramente todas as idéias propostas pela Profa, nem se concordo com tudo o que ela expõe ali, mas resolvi compartilhar este texto pois as questões da segurança, vigilância e 'policialização' das relações no ambiente escolar são complexas e precisam ser debatidas.
Saudações Cordiais,

Sunday, 21 March 2010

Políticas Repressivas

O artigo Os avanços, limites e perigos das UPPs, escrito pelo sociólogo Luiz Antonio Machado da Silva e publicado ontem no Caderno Prosa e Verso do Jornal Globo, propõe uma análise complexa da atuação da polícia no Rio. Merecia estar no primeiro caderno do jornal. Lamentável que tenha sido incluído na terceira página do suplemento literário, totalmente fora de contexto, e justo quando trata de um tema tão candente quanto as UPPs.
No primeiro caderno, na página 19, temos uma matéria assinada pela repórter Ana Cláudia Costa, outra por Elenice Bottari, além de um box de opinião do jornal, que reproduzem o discurso "eufórico da mídia" ao qual se refere o Dr. Machado da Silva no caderno Prosa e Verso.
A "criminalização da notícia" como definiu o Professor Nilo Batista em entrevista recente ao Professor Wood, demonstra que ali não interessa discutir política, mas se A ou B foi preso, se C ou D quebrou o vidro de um carro, se o PM era ou não irmão de um traficante. Valeria muito mais ter colocado as considerações do sociólogo lado a lado com os textos jornalístico e editorial; o jornal perdeu uma grande oportunidade.

Em seu texto o Professor Luiz Antonio chama a atenção para a importância de se fazer uma avaliação nuançada do projeto das UPPs, justamente para o aprimoramento do programa. O aplauso acrítico, no seu entender, apenas empobrece e não contribui para o aperfeiçoamento da iniciativa.
O Professor pondera ainda sobre o esvaziamento político das associações de moradores, e alerta também para o risco de as UPPs "policializarem a atividade político-administrativa nos territórios de pobreza".
Transcrevo aqui dois trechos que me tocaram mais profundamente. O artigo é brilhante e merece ser lido com atenção.
"A fraca capacidade reinvindicativa da população que mora nas áreas direta ou indiretamente afetadas pelas UPPs, resultante da convicção de que precisam ser pacificadas, impede sua aceitação plena como participantes legítimos das arenas públicas."

"Civilizar a polícia ou civilizar populações que devem ser "pacificadas"?

Friday, 19 March 2010

artistas do vídeo, uni-vos!

Lamentável a pobreza do texto inicial do PROJETO DE LEI DA CÂMARA, Nº 119 de 2009, do Deputado Pompeo de Mattos, que dispõe sobre a obrigatoriedade de instalação de câmeras de filmagem nos centros comerciais e similares. Segue o texto incicial que estava para ser votado anteontem, dia 17/10/2010.

Nenhuma linha sobre os direitos individuais assegurados pela Constituição; nenhuma menção à preservação da privacidade e aos direitos de imagem e anonimato.
Nada sobre a regulamentação da prática: quanto tempo as imagens podem ser armazenadas, quem pode ter acesso a este banco de imagens, em que circunstâncias pode ser acessado, quais os limites e deveres que a obrigatoriedade de registro traz consigo.
Nem mesmo a exigência básica de que os consumidores sejam notificados da presença das câmeras consta no texto publicado no site do Senado Federal.
A matéria versa apenas sobre a multa a qual os estabelecimentos estão sujeitos no caso do descumprimento da norma. O Senador Romeu Tuma pede que a lei seja votada sem alterações , pois a segurança é responsabilidade de todos.
Mais uma vez o discurso do medo prevalece sobre a discussão social e política.

Saturday, 6 March 2010

duas notas sobre o globo de hoje 2

Christ-Cam
Deu também no Globo de hoje: o monumento ao Cristo no Rio de Janeiro ganhará câmeras para transmissões de eventos on-line. O Redentor, braços abertos sobre a Guanabara, terá também olhos abertos sobre a cidade. As imagens serão disponibilizadas no site da Arquidiocese, mostrando, ao vivo, “tudo o que acontece no Cristo”, nas palavras do representante da Cúria Metropolitana. Quem souber dos prazos da licitação para contratação da empresa que será responsável pela realização deste serviço me avisa!

Saturday, 6 February 2010

no reverse angle


mudei o eixo de uma das câmeras do corredor. ambas ficaram do mesmo lado, no reverse angle.
o personagem sai de uma câmera e entra em cena em outra > próxima.

o ponto cego foi eliminado pela perspectiva > bom.

Tuesday, 2 February 2010

hausaufagabe

Vigilância e Acesso: Um estudo comparativo da utilização de circuitos de vídeo por diferentes grupos no Rio de Janeiro

A crescente utilização de câmeras por sistemas de vigilância tem sido largamente observada nos âmbitos públicos, semi-públicos e privados no Brasil, como pudemos constatar no Simpósio Vigilância, Segurança e Controle Social, realizado em Curitiba.

É notório que em países como a Grã-Bretanha, os EUA, ou a França, o investimento em circuitos de vídeo se dá sobretudo como uma política governamental de segurança e controle social, amparada por marcos regulatórios que possibilitam a organização de grupos ativistas em torno de um discurso contra os significados simbólicos e efetivos da presença destes dispositivos. No Brasil, no entanto, a combinação entre a ausência de uma legislação específica e a ineficiência do poder executivo contribui para deformações diversas, sendo praticamente impossível compreender e responder ao fenômeno de maneira unificada.

No Rio de Janeiro, especificamente, este panorama mostra-se extremamente complexo, uma vez que o alarmante quadro de desigualdade social permite que os circuitos de vídeo sirvam a interesses de grupos variados, com objetivos claramente distintos, que vão de práticas criminosas à formação de condomínios ilegais, passando pelo policiamento preventivo de favelas e a exploração sensacionalista da mídia. Desta forma torna-se necessário analisar detidamente as particularidades das diferentes manifestações dos circuitos de vídeo, suas implicações e efeitos.

Neste artigo propomos a abordagem do fenômeno das câmeras de vigilância na cidade do Rio de Janeiro em 4 diferentes esferas, comparando suas semelhanças e diferenças. Como metodologia adotamos a pesquisa de campo com entrevistas e a consulta a artigos publicados em periódicos e revistas, mantendo uma perspectiva crítica atenta às liberdades civis.

Em primeiro lugar analisamos o circuito fechado de vídeo como prática da Secretaria Estadual de Segurança Pública, e nos detemos no caso específico do sistema de monitoramento instalado pela Polícia Pacificadora que ocupa a comunidade Santa Marta.

Em segundo lugar analisamos dois casos de centrais de monitoramento clandestinas operadas por facções criminosas, descobertas nas comunidades de Parada de Lucas e do Morro dos Macacos.

Em terceiro lugar, analisamos o impacto do circuito de vídeo instalado pela Milícia que dominava a comunidade do Batan, também recentemente ocupada pela Polícia Pacificadora.

E em último lugar nos voltamos para os sistemas de vigilância instalados em condomínios das classes média e alta nos bairros da Zona Sul carioca, aonde os circuitos de vídeo apresentam-se não como instrumentos de segurança pública, mas de segurança privada.

Desta forma o artigo propõe uma reflexão sobre a vídeo-vigilância articulada a questões de ordem e conflito entre classes sociais.

Vigilância por quem e para quem?

Sunday, 10 January 2010

surveillance avec violence


estudo para um cftv em um cenário de cinema

Thursday, 17 December 2009

Bangu na era da tecnologia


Sabrina Netto

Paulo Nicolella

Rosinha Matheus e Anthony Garotinho testam o sistema de monitoramento por câmeras de Bangu 1: imagens serão gravadas em DVD

Quase dois anos depois de ser destruída por traficantes em uma rebelião no dia 11 de setembro de 2002, a penitenciária Laércio da Costa Pellegrino (Bangu 1) ganhou tecnologia igual à encontrada na famosa Penitenciária de Presidente Bernardes, em São Paulo, onde está preso o traficante Fernandinho Beira-Mar. A obra, de R$ 2,2 milhões, levou cerca de 4 meses para ser concluída. Agora, os 34 internos da penitenciária - com capacidade para 48 - não podem mais ter contato direto com advogados, agentes ou policiais militares, que ficarão separados por vidros à prova de balas. Foram instaladas 72 câmeras, capazes de aproximar 300 vezes uma imagem a 500 metros de distância.

Para o secretário estadual de Administração Penitenciária, Astério Pereira dos Santos, Bangu 1 é uma das mais seguras penitenciárias do país, superando Presidente Bernardes. Mesmo com toda a segurança, o traficante não é bem-vindo de volta ao Rio. A governadora repudia a idéia de ter Beira-Mar no Estado e Astério prefere sugerir possíveis trocas entre presos perigosos de outros estados.

- No enfrentamento do crime organizado, não se pode colocar um líder junto de seus principais associados. Isso gera o enfraquecimento da segurança. Mas o Rio tem condições de receber bandidos de alta periculosidade e está aberto a política de troca estabelecida pela Lei de Execução Penal - garantiu o secretário.

Segundo Astério, as imagens do presídio, exibidas em dois monitores e gravadas em DVD, poderão ser armazenadas por 30 dias. Os pacotes levados pelos visitantes deverão passar por aparelhos de raio X e detectores de metal.

O único contato físico dos presos será na visita familiar ou íntima, já que todas as 48 portas são automáticas e controladas por computador. De acordo com a secretaria, nem mesmo nas refeições ou na saída e entrada de presos nas celas - às 10h e às 17h - os agentes poderão ser vistos. Segundo Astério, um PM fica instalado em uma sala em cada uma das quatro galerias, onde há doze celas individuais.

De acordo com a governadora Rosinha Matheus, em dois meses, uma guarita e uma cerca dupla cortante deverão estar prontas, separando as 5 unidades do Complexo Penitenciário de Bangu dos demais presídios da área.

- Em Bangu 1 jamais acontecerá outro 11 de setembro. Mas não estamos livres disso em todas as 35 unidades. Para a substituição do Complexo da Frei Caneca já temos R$ 90 milhões liberados. Quanto ao Ary Franco, a arquitetura é desumana e o local inadequado. Mas para retirá-lo de lá, só com recursos do Governo Federal, que podem sair no ano que vem - disse Astério.

Para Paulo Ferreira, presidente do Sindicato dos Agentes Penitenciários, a modernização da unidade não passa de mera propaganda.

- Por que um presídio com capacidade para 48 presos tem tecnologia, 10 agentes e dois policiais militares, se outro ao lado abriga cerca de 1.400 internos monitorados por apenas 10 agentes ? - questiona Paulo, usando como exemplo o presídio Vicente Piragibe, uma área de 78 mil metros quadrados. Bangu 1 tem cerca de 4 mil metros quadrados.

Ontem, a secretaria de Controle e Gestão liberou R$ 14,9 milhões para a construção do Complexo Penitenciário de Japeri e do Presídio de Campos dos Goytacazes.

Saturday, 5 December 2009

as imagens não falam por si

Vieram a público esta semana imagens captadas por uma micro-câmera escondida em um gabinete em Brasilia. Nas imagens pode-se ver alguns homens - entre eles o Governador Arruda - em transações espúrias, envolvendo grandes somas de dinheiro escondidas sob as vestes. Indagado por jornalistas, o Presidente Lula declarou que "as imagens não falam por si", e vem sendo duramente criticado por esta afirmação.

Contudo, que uma imagem não fala por si, isto me parece claro.

Uma imagem precisa de um contexto e de um discurso. Uma imagem, por si só, não fala nada. Acreditar que as imagens falam por si, significa atribuir às imagens um valor fora da linguagem, da cultura e da humanidade, tarefa impossível.

Foi infeliz o momento desta certeira declaração presidencial, no calor da hora de denúncias tão graves. No entanto, a precisa afirmação do Presidente é da mesma natureza do pensamento desenvolvido por Marie-José Mondzain, há cerca de dez dias em sua conferência na UFRJ.
A filósofa francesa traçou uma genealogia do pensamento sobre a imagem, da Grécia a contemporaneidade, nos encaminhando por um raciocínio aonde a imagem só pode ser pensada como um objeto de crise; a imagem não é nem ser e nem realidade.

A afirmação do nosso Presidente me lembra o caso citado por Andréa França em minha defesa de Mestrado. Nos EUA, um estudante negro foi barbaramente espancado por um grupo de estudantes brancos, e o episódio foi registrado por uma câmera de circuito interno. O caso foi a julgamento, e surpreendentemente as imagens captadas por esta camera foram utilizadas pelos advogados de defesa dos rapazes brancos! Eles ampliaram os videogramas para mostrar que o rapaz negro, mesmo deitado, estaria chutando contra o grupo, e que eles estariam apenas se defendendo. As imagens se prestaram a uma reinvenção dos fatos!

Perfeitamente, as imagens não falam por si. Elas servem a interesses políticos, financeiros, estratégicos, artísticos. Elas falam quando articuladas em um discurso, que baliza o que há para ser visto ali. Postular que as imagens falam por si é de uma ingenuidade não mais possível nos dias de hoje.

nota de esclarecimento: Abomino as redes de corrupção e enriquecimento ilícito tão observadas nas administrações públicas de nosso país. Indignação e vergonha são apenas alguns dos sentimentos de revolta que posso enumerar diante das denúncias dos esquemas de propina que mais uma vez tomam conta do nosso noticiário.

Sunday, 27 September 2009

tecnology gives it tecnology takes it

RIP - manifesto remix
marcinha me levou pra assistir a este filme da mostra dox que trata com muita irreverência da questão do direito autoral na contemporaneidade. mostra de maneira simples como a noção de 'autor' é uma noção moderna, que no século XX serve para multiplicar lucros de grupos economicos, e que no seculo XXI passa por uma redefinição, diante da cultura da mixagem, do sampler, e da internet. o filme é ingênuo em dados momentos, achei que meu filho precisava ver, ele fica meio perdido diante dos ataques da indústria à pirataria.

Monday, 27 July 2009

conversações

uma idéia a ser desenvolvida:
o contexto brasileiro e latinoamericano de controle e vigilância.

chaves:
as formas arcaicas de coronelismo.
a cultura escravocrata que governa em benefício próprio.
as diferenças de experiência de cidadania.
diferenças com relação a classe e ao status social.

Tuesday, 24 March 2009

marta peres manda notícias

o texto abaixo me foi enviado por email pela marta peres

'em tiroteio todo mundo é perdido que nem cego'

Queridos amigos
preciso contar para todo mundo o quanto estou feliz por
ESTAR VIVA!!!
Escrevo isso ao som de helicópteros sobrevoando a cidade bem perto daqui.
Ontem, por volta de 18:15h, desisti de esperar o Juca chegar da escola
para ir com ele dar um beijo na minha irmã que vai ganhar sua terceira
filha hoje e fui vê-la sozinha. Ele estava com muito dever pra hoje e
além disso poderia fazer bagunça quando ela tem que descansar.
Pensei, já que estou sem o Juca, vou de ônibus, prefiro andar de
ônibus que de carro, me sinto mais livre.
Poderia ter tomado o 464 na Barata Ribeiro que deixa na porta dela,
mas como dá muita volta, corri e alcancei um 415 parado num sinal na
Tonelero.
Sabia da guerra no Tabajaras, mas fui na fé, e fiquei feliz quando o
ônibus já havia ultrapassado tranquilamente as ruas Siqueira Campos e
Figueiredo de Magalhães, pensei, beleza, tudo já se acalmou.
Anotei 3 idéias e projetos na agenda, como sempre, e pensei, não vou
escrever poesia nem crônica, vou ficar observando a paisagem, e
experimentar não fazer nada.
Saí com 5 reais exatos para ir e voltar do Leblon de ônibus.
Depois da Santa Clara, à altura da Anita Garibaldi, começamos a ouvir tiros.
Os passageiros começaram a gritar 'é tiro, gente', 'motorista, dá ré',
'sai daqui', como se desse pra sair, eu gritei 'abaixa, gente!', nos
jogamos todos no chão.
Os tiros estavam passando muito perto, o camburão da polícia estava
emparelhado com o ônibus, e atirava numa van onde os traficantes
fugiam.
As pessoas gritavam pedindo para sair, para derrubarem a janela de
emergência, eu falava 'cuidado', na rua pode ser pior, e rezava
'ave-maria-cheia-de-graça', 'ave-maria-cheia-de-graça',
'ave-maria-cheia-de-graça', e só, não passava daí, me escondi debaixo
de um cara bem gordo e do banco do ônibus, cobrindo a calota craniana
com as mãos, como se adiantasse alguma coisa. de manhã estudei tanto
neurofisiologia pra dar aula, foi como se em décimos de segundo eu
sentisse na pele a fragilidade de todo este complexo sistema que me
faz sentir e me mover e que pode simplesmente parar de funcionar se
acontecer de estar passando na linha de tiro de uma guerra.
Falava 'vamo rezá galera' e para com isso, para, como se os tiros
fossem parar só porque estávamos ali no meio, só pensava 'minha
sobrinha vai nascer amanhã, não posso morrer agora, tenho que ver
minha sobrinha'. Tenho tanta coisa pra fazer... e todos os meus
projetos...? não posso morrer hoje!
Até que alguém conseguiu a porta e derrubar a janela, 'vamos sair
daqui de dentro', o ônibus estava encostado à beira da calçada em
frente a um boteco, descemos um por um e eu zuni para a cozinha no
fundo, junto com mais umas 5 pessoas, 3 mulheres e dois homens, me
joguei no chão cheirando a óleo, as mulheres gritavam e choravam
avisando pessoas pelo celular, os homens paralisados, fechamos só a
porta tipo saloon da cozinha, tinha outras pessoas na parte da frente
do boteco, todos pedindo pro cara de lá fechar a porta da rua e nada
dele fechar, ainda ouvimos a movimentação de um policial correndo e
atirando passando por aquele espaço estreito de calçada.
Alguém avisou 'tá passando na televisão', eu não tive coragem de
espiar pra fora da cozinha, fiquei lá quieta, falava, o pior já
passou, consegui ligar pro André filando o celular de uma das mulheres
e ele me disse que o Juca acabava de chegar, ufa, o Pedro eu sabia que
estava na escola de cinema, no centro, longe dali.
As pessoas contavam, 'tem 5 corpos caídos na rua', outras diziam que eram 7.
à medida que foi acalmando o som, as pessoas foram saindo, fui a
última a ir embora, pude ver um policial cumprimentando o outro
calmamente como se estivesse na cantina do cinema, uma sensação
estranhíssima, de estar muito muito viva, sobre as pernas, caminhando
pela Figueiredo em direção à praia, ainda senti medo quando passaram
mais camburões e carros da polícia com a sirene ligada e pedi para o
porteiro esperar passarem todos no hall de um edifício.
Perguntei para algumas pessoas se elas sabiam o que tinha acontecido,
umas sim, outras nem aí, um cara com duas moças, disse, triunfante,
com relação aos corpos caídos na rua, 'é bom, a polícia está fazendo
seu trabalho, está trabalhando bem', e eu perguntei, 'e a gente, que
está passando pelo caminho deles?' ele fez uma cara indiferente.
consegui tomar um táxi pra voltar pra casa.
senti vontade de mudar tudo, de ser diferente do que eu sou, de
começar outra vida.
não sei bem como nem por onde começar.
mas sobrevivi
estou muito feliz por isso

Thursday, 19 March 2009

assertando

fechado para balanço até 30/03

Sunday, 8 March 2009

police officer and filmmaker?

David Cole enviando mais uma vez links para matérias do Guardian sobre our surveillance society.

Esta agora é simplesmente delirante.
Nos brinda com um vídeo de alguns minutos do material gravado pelos próprios oficiais da policia inglesa encarregados de cruzar as imagens com os dados de ativistas e jornalistas presentes em uma manifestacão ambientalista.
As imagens do video são acompanhadas de comentários em off dos policiais, o que nos lembra Landscape Theory, sendo que no video dos policiais as imagens são sincrônicas ao som (a edição é do jornalista do guardian).
Na mesma medida nos lembra ainda as imagens de THX 1138, de George Lucas, quando dois operadores da prisão onde encontra-se o personagem de Robert Duvall discutem sobre como funciona o painel de controle, atuando diretamente sobre o corpo do detento, subjugado como uma marionete.


Em um momento os policiais e os cinegrafistas independentes cruzam o eixo de gravação, e neste momento não podemos deixar de pensar em Sophie Calle in Double Blind (No Sex Last Night).

Mais uma vez chamamos a atencão para as formas audiovisuais do cinema, do vídeo e da arte contemporânea, que nos oferecem um vocabulário e um exemplo de maneiras potentes de lidar com o fato político de portar uma câmera -
para além da transformação da imagem em (1) produto para consumo (midia) e (2) ferramenta de controle social (policia)
.


Friday, 20 February 2009

unfinished

A matéria global sobre a camera oculta no caixa eletrônico me lembra duas coisas.
De cara o trabalho da Sophie Calle, en finir. Ainda não entendi como é que o banco lhe ofertou para que fizesse um trabalho artístico, os videogramas de seus clientes efetuando operações financeiras. Sophie nunca se satisfez com as apropriações que fez das imagens, inevitavelmente contaminadas pelo dispositivo que está ali pelo dinheiro, não pelas pessoas, nas palavras da artista.
Em segundo lugar e mais prosaicamente, lembro-me da camera de vigilancia do posto Texaco da Rua das Laranjeiras, que está apontada para as máquinas onde os clientes digitam a senha de seus cartões. Quem for abastecer por lá, atenção.

Tuesday, 17 February 2009

vigiar e punir


I am an artist using Fotolog since very long time. I do not understand why my Fotolog has been deactivated, maybe because I posted a photo of a dancer, who's naked, but it is not offensive, it is a picture from a dance spectacle, nothing that a family could not look at, it is funny and poetic it is not porno. I had lots of important notes in my guestbook, you can check my photos and confirm what I am saying. Please answer me. You can extract the mentioned pic, but please give my fotolog back! Thank you

50/ 50
choreography and performance: Mette Ingvartsen
music: Deep Purple, Leoncavallo, Cornelius | sound design: Peter Lenaerts
50/50 works on extreme and spectacular expressions as a physical practice rather than through psychological motivations. Movements deriving from clearly coded situations, like a rock concert, an opera or a circus number are processed until the obtain a certain kind of deformed expressivity. It looks like affects rather than emotions, except no one knows what affects look like.

Thursday, 5 February 2009

esta é pra tocar no rádio

Hoje às 10:50 na rádio MEC participo ao vivo do programa Rádio Sociedade, falando sobre a produção de vídeos do BOPE.
Para quem ainda não sabe, o BOPE intensificou sua produção audiovisual após o sucesso do filme de José Padilha Tropa de Elite, e anunciou no final de janeiro que pretende disponibilizar estas imagens em seu site.
Diferente das câmeras instaladas no interior do caveirão, que como vemos no vídeo abaixo cumprem a função tática de reconhecimento e mapeamento de terreno, as imagens que o BOPE anuncia agora são oferecidas como a evidência da transparência que caracteriza a tropa de elite. As operações são registradas por membros da corporação, em uma intenção de produzir videogramas autênticos e construir uma imagem positiva para o batalhão. O que as duas câmeras têm em comum, seja o registro fixo e automatizado no interior do carro, seja a câmera na mão do soldado é a produção de um efeito de real que atende a uma audiência com sede de imagens da realidade. Contudo, o tratamento que as imagens recebem no site oficial do BOPE é típico da indústria do entretenimento, com uma música bem produzida embalando a interface que lembra e estética dos games e dos sites de filmes de ação.

Interessante notar que exércitos produzindo imagens tem sido uma constante desde a invenção do cinematógrafo e da propaganda. Recentemente na invasão da faixa de Gaza o Comando do Exército de Israel tentou restringir a veiculação de imagens às exclusivamente produzidas por suas tropas, o que, diante da multiplicidade de dispositivos filmantes disponíveis hoje em dia - celulares, cameras portáteis, laptops - tornou-se praticamente impossível. A guerra das imagens está em outro patamar.

Tuesday, 30 December 2008

Friday, 12 December 2008

soy loco por ti america

Foi estendido para o dia 16/12 o prazo para envio de resumos para o Simpósio "Vigilância, Segurança e Controle Social na América Latina".
Lendo o texto de apresentação do evento volto a alguns pensamentos provocados pelo filme mexicano La Zona.
Pensar as formas como a vigilância é exercida nas sociedades pós-coloniais, marcadas pela atuacão de uma elite que busca perpetuar-se no poder a todo e qualquer custo, é pensar como o próprio conceito de cidadania não é de fato uma conquista estendida a todos na região.
A vigilância é exercida por quem e para quem?
O fato de a vigilância ter-se desenvolvido franca e primeiramente na esfera privada, para apenas em um segundo momento tornar-se parte de política pública é também um dado flagrante destas relações.
Enfim, uma comparação que pode parecer superficial mas que para mim diz muito: os avisos de presença de circuito de vigilância brasileiros 'sorria, você está sendo filmado' fazem uma graça 'cordial', ao passo que os espanhóis 'zona video-vigiada. podes exercer seus direitos de acordo com a Lei tal, perante o órgão tal no endereço tal' chamam a atenção para aspectos do direito de todos.

Espero conseguir amadurecer os pensamentos a tempo de submetê-los ao crivo dos organizadores, dentre os quais a querida orientadora Fernanda Bruno.
Agora com o fim (snif, snif...) das atividades docentes na ECO, terei mais tempo.