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Thursday, 26 May 2011

Encontro #2

O encontro de ontem foi bem bacana, intenso, cheio de ideias. Até amanhã posto aqui as notas. Semana que vem já começamos a experimentar.
Luang mostrou para a turma algumas de suas inspiradas criações, e uma delas me lembrou deste lindo clipe de Lettuce.

Monday, 30 November 2009

refletindo sobre corte-seco II

Aviso aos navegantes do Corte Seco:
As imagens exibidas nas telas em cena não são pré-gravadas.
Elas estão sendo captadas, ao vivo, durante o espetáculo.
A bem da verdade imagens estão sendo captadas o tempo todo, em nossos elevadores, estacionamentos, espaços públicos e privados. As pessoas vivem sob a mira de cameras 24h/dia, mas estão completamente esquecidas disto. Meu trabalho com imagens desta natureza tem consistido precisamente em apontar para esta presença ostensiva, e propor uma apropriação artística destes dispositivos.
Para o espetáculo de Chris Jatahy, desenvolvi um circuito fechado de vídeo, que foi instalado no Espaço Sergio Porto, sob a minha coordenação. Até o final de dezembro eu mesma estarei operando este circuito em cena.
A despeito de todas as evidências, me disseram que os espectadores da peça de teatro resistem a crer que as imagens sejam produzidas em tempo real. Achei este dado interessante, e a meu ver totalmente pertinente dentro da proposta do espetáculo, que pretende borrar fronteiras entre realidade e ficção. Mas me pergunto: a que se poderia atribuir esta descrença? Será que para estes espectadores, educados audiovisualmente pelo cinema, a imagem seria tomada como um artefato produzido para um efeito ficcional, necessariamente em um momento anterior aquele em que a assistimos? Seria por isto talvez que o público resistiria a tomá-la em sua imediatez automática? Mas e a televisão? Já não teria modificado, com suas entradas ao vivo, esta relação de tempo com a imagem?
Conclusão possível: o público acredita naquilo que quer. Não se pode forçá-lo a crer que sim, as imagens estão sendo geradas naquele preciso momento. Eu particularmente incluiria sim momentos pré-gravados, a fim de tornar as zonas de indiscernibilidade ainda mais complexas, mas Christianne prefere tomar a direção oposta. Para isto penso que podemos trabalhar mais no sentido de expandir as encenações para os espaços televisionados, colocando-os em maior diálogo e maior tensão com o que acontece em cena. Investir na contiguidade entre o espaço do palco e os anexos videovigiados - venho apontando para esta necessidade há algum tempo. Jogar mais com os monitores em cena - atribuir-lhes os verbos das cadeiras, por exemplo. Mas sei que são muitos detalhes a serem ajustados, e espero que nesta próxima etapa, agora que já estreamos, a presença do vídeo em cena possa ser afinada, aprimorada e melhor aproveitada.

Sunday, 29 November 2009

A Criação de um Espetáculo - Processo Criativo e Colaborativo

Dani Fortes enviou imagens do trabalho de Sara Ramo, que lembra e muito os entrelaçados do Corte-Seco.
As referências, influências, citações e parentescos entre obras anteriores e o espetáculo que se está a desenvolver é um dos temas do curso que Dani Lima e eu vamos ofecerer no Laboratório do Estação em Fevereiro de 2010 .


A Criação de um Espetáculo - Processo Criativo e Colaborativo

Com Dani Lima e Paola Barreto

Resumo do Curso:

Como transformar inspirações, referências e conceitos em cenas? Quais as vantagens e desvantagens do processo colaborativo? Em 4 encontros serão apresentados os desafios e os processos de decisão envolvidos na criação de um espetáculo cênico, tendo como referência o projeto “Pequeno inventário de lugares-comuns”, realizado por Dani Lima e artistas convidados em 2009.

Carga Horária: 4 aulas de 3hrs.

As aulas serão expositivas e contarão com a exibição comentada de textos e imagens produzidos e consultados nos 4 meses de desenvolvimento do espetáculo







Tuesday, 6 October 2009

next stop

Evento promovido pelo Atelier da Imagem este mês ocupa o Cine Glória por 04 dias. Participo de um debate coordenado pelo Cezar no dia 28, às 19h, cf. programação abaixo. Vou aproveitar para testar algumas das idéias desenvolvidas para o projeto de doutorado.

DIA 28 – RUMOS DE LINGUAGENS E INTERAÇÃO DE SUPORTES

Quando a convergência e a interação de linguagens e suportes apresentam-se como um fenômeno praticamente inevitável, diferenças entre questões de ordem semântica e técnica tornam-se cada vez mais tênues. O advento da tecnologia digital possibilitou o rompimento de limites de linguagem antes impostos pelo mundo ótico, alforriando a criatividade do realizador e transformando o processo de realização técnica em um evento de importância semântica - ou seja, o que se quer dizer está cada vez mais condicionado a um processo de escolha de como dizer. Além da interação cinema, vídeo, fotografia, música e artes plásticas, recentemente vemos as artes cênicas incorporando dispositivos imagéticos e tecnológicos na concepção cenográfica dos espetáculos. Pensar em arte, hoje, significa passear livremente por um terreno híbrido de possibilidades, criar novas e bem-sucedidas parcerias e extrapolar os limites até então estabelecidos na arte moderna.

TARDE (16H)

MOSTRA AUDIOVISUAL: FILMES DISPOSITIVOS
Curadoria e apresentação: Cezar Migliorin

O dispositivo é a introdução de linhas ativadoras em um universo escolhido. O dispositivo pressupõe duas linhas complementares: uma de extremo controle, regras, limites, recortes e outra de absoluta abertura, dependente da ação dos atores e de suas interconexões. Como inventar regras e situações para que o inesperado apareça? Como lidar com as forças do acaso? Apresentaremos obras fundadoras da experiência com a estrutura da forma, como Serene Velocity (1970), de Ernie Gehr e Walking in a Exaggerated Manner (1967-68), de Bruce Nauman, a despretensão e a "disciplina da cachaça" do vídeo de Geraldo Anhaia Mello, A Situação (1978), até o contemporâneo Rua de Mão Dupla, de Cao Guimarães.

NOITE (19H)
DEBATE RUMOS DE LINGUAGENS E INTERAÇÃO DE SUPORTES com Muti Randolph, Cao Guimarães e Paola Barreto

Mediação: Cezar Migliorin

CAO GUIMARÃES
Premiado cineasta e conceituado artista plástico, desde o fim dos anos 80 exibe seus trabalhos em diferentes museus e galerias nacionais e internacionais. Participou de bienais em SP e no México, tem obras adquiridas por importantes coleções como Tate Modern, Guggenheim Museum, MoMa-NY, entre outros.

CEZAR MIGLIORIN
Pesquisador e ensaísta. Professor adjunto do Departamento de Cinema e Vídeo da UFF. Membro do Programa de Pós-graduação em Comunicação da UFF. Doutor pela ECO-UFRJ / Sorbonne Nouvelle, Paris III.

MUTI RANDOLPH
Pioneiro no Brasil na utilização de computadores como ferramenta (e suporte) para artes visuais, trabalha desde 1989 com produção de imagens para publicidade, projetos comerciais de design, ilustração, cenografia e mais recentemente arquitetura de ambientes e design 3D. Tem grande interesse em musica e tecnologia e explora em seus trabalhos a relação entre música, luz e espaço. (www.muti.cx)

PAOLA BARRETO
Cineasta, pesquisadora e professora. Premiada no Brasil, Alemanha e Argentina, exibiu seus filmes no ICA de Londres, na Cinemateca alemã de Berlim, e em Festivais no Japão, Canadá e Cuba. Mestre em Comunicação pela UFRJ, vive e trabalha no Rio de Janeiro.

Thursday, 1 October 2009

verdades óticas



achei isso

que me lembrou disso

sim, vamos em frente!

Sunday, 27 September 2009

viajo porque preciso

o discurso científico do geólogo josé renato, com seus termos técnicos, costurado por seus pensasentimentos tão íntimos, me lembrou a máquina de abraçar, peça de teatro que também mistura um registro supostamente 'objetivo', do dominio da ciência, com uma fala em primeira pessoa. e isso é tão bom! o marcelo gomes me contou o quanto teve que estudar pra escrever aquele OFF, e como ficou preocupado com o que o público iria sentir ao ser confrontado com este tipo de texto. a forma como ele apresentou o filme, afirmando que descobriu que não sabe fazer cinema, foi tocante. eu também não sei, e este filme me deu vontade de cinema.

Thursday, 2 July 2009

work in progress

composition for cctv during dance on focus festival - rio de janeiro 2009
workshop by paola barreto

the workshop will take place on the second weekend of july

first i will present a selection of different works on video, performance, film, theater and dance that explores surveillance images through different art dispositifs (luksch, teran, viola, nauman, calle, graham, paik, etc.) the idea is to place my proposal in a context of contemporary art and academic discussion.

on the second half, we will organize the ideas and concepts raised during the analisys of the works presented: insecurity, fear, terrosism, melancholia, voyeurism, attention, suspicion, stereotypes, curiosity, doubt, fact&fiction and others (i need some time to organize it better, hope i'll get it in paraty!)

on the second day of the workshop we we will develop a partiture and a grammar of moves, actions and behaviors over wich we could develop a choreography for spaces under surveillance.

horizon is more clear. (i hope)

Saturday, 7 February 2009

outro


dani
lima enviou link do trabalho de stanza
mais um dentre os tantos artistas trabalhando com cctv
well...
o que pode se destaca nesta seara de artworks???

fiquei pensando até que ponto as composições para circuito de vigilância são interessantes, estimulantes, marcam uma diferença. porque não é só about voyeurism, mas também sobre construção de sentido a partir de imagens, sobre valor de real na imagem, und so weiter und sofort. aguardando para saber a opinião do é tudo verdade.

Thursday, 30 October 2008

valendo nota

composição para circuito de vigilância # 3

é cinema ao vivo?
é video-instalação?
é vídeo-arte?

Performance na CPM da ECO dia 05 de novembro, quarta feira, às 19hs.

Apresentação dos alunos das disciplinas de direção de atuação, estética da vigilância e edição de áudio e vídeo.
Coordenação: Profa. Paola Barreto Leblanc

19:30h Debate com a Diretora da ECO, Profa. Dra. Ivana Bentes e a Coordenadora do IDEA, Profa. Dra. Fernanda Bruno
. o discurso midiático da vídeo-vigilância - sobre as bases de uma cultura do medo e da paranóia
. a presença cada vez mais naturalizada destes dispositivos, especificamente nas escolas - o caso da CPM
. possibilidades estéticas e políticas na lida com imagens de vigilância - a desconstrução do discurso da suspeita e a construção de novos imaginários sociais

Monday, 27 October 2008

play it again sam

ensaio com lana pendurada na conspiracao filmes
dia 18/10 as 20:23:12



Cris Larin incorpora a Marlene Dietrich momentos antes do show.

Saturday, 13 September 2008

Central de câmaras de vigilância é descoberto em Parada de Lucas


A polícia descobriu um sistema com câmeras de vigilância montado por traficantes na Favela de Parada de Lucas, no subúrbio do Rio.


Tuesday, 9 September 2008

google alert 2 e otras cositas más

A Axis, empresa que desenvolve tecnologia de ponta em visão computacional, lança no mercado um modelo de IP câmera que acrescenta uma nova funcionalidade aos sistemas lançados até então:
o novo modelo 233D é capaz de seguir um objeto ou uma pessoa que adentrem o campo de monitoração ao seu alcance.

isto me lembra o belo trabalho de marie sester, em exposição permanente no Zenter für Kunst und Media in Karlshue, Deutschland.

nesta instalação, o visitante que entra na 'tracking zone' do trabalho é seguido por um holofote acompanhado de palavras de ordem, de incentivo, de provocação. o visitante escolhe se quer fugir dos holofotes ou se tornar o centro das atenções.


as pessoas literalmente have fun com esta obra.

abaixo reproduzo na íntegra a notinha que o google alert videosorveglianza mandou pra mim hoje. auf italienisch. mas dá pra entender.

Axis presenta sistema di videosorveglianza a rilevazione (deve ter a ver com relevância) automatica di oggetti e persone in movimento.

Questa funzione permette alla telecamera di rilevare (relevar, dar relevo, relevância) automaticamente una persona o un oggetto in movimento e di seguirli fino al limite di copertura. La funzione è pensata soprattutto per i sistemi di videosorveglianza automatizzati che devono rilevare l'eventuale presenza occasionale di persone o veicoli.

La videosorveglianza viene spesso effettuate a ore o in luoghi in cui il numero di attività da controllare è scarso o addirittura nullo, come accade, ad esempio, con i sistemi usati per sorvegliare le scuole dopo le ore di lezione, i punti vendita, i corridoi di hotel e i parcheggi durante le ore notturne. In questo caso si utilizza di solito un sistema di videosorveglianza configurato per effettuare automaticamente le registrazioni.

La nuova funzione di rilevamento automatica, integrata di serie nel modello AXIS 233D, garantisce un livello di scalabilità e flessibilità difficilmente ottenibile con la tecnologia analogica. L'aggiunta di questa nuova funzione riflette in pieno l'impegno di Axis nel continuare ad accrescere il valore dei propri prodotti con tecnologia video di rete mediante l'introduzione di nuove funzionalità.

Saturday, 2 August 2008

viewpointão

it is significant that the french word for re-hearsal is 'répétition'. certainly it can be argued that the art of theatre is the art of repetition. (the english word 'rehearsal' proposes to re-hear. the german 'probe', suggests an investigation. in japanese, 'keiko' translates to practice. and so on.)
anne bogart a director prepares pg 45

Friday, 11 July 2008

Dziga Vertov


“Eu sou um cine-olho. Eu sou um construtor.
Eu te coloquei num espaço extraordinário
que não existia até este momento.
Nesse espaço tem doze paredes
que eu registrei em diversas partes do mundo.
Justapondo a visão dessas paredes e alguns detalhes
consegui dispô-las numa ordem que te agrada e edifiquei,
da forma adequada, sobre os intervalos,
uma cine-frase que é, justamente, esse espaço.

Eu, cine-olho, crio um homem muito mais perfeito
que aquele que criou Adão, crio milhares de homens
diferentes segundo desenhos distintos
e esquemas pré-estabelecidos.

Eu sou o cine-olho.

Tomo os braços de um, mais fortes e hábeis,
tomo as pernas de outro, melhor construídas e mais velozes,
a cabeça de um terceiro, mais bonita e expressiva e,
pela montagem, crio um homem novo, um homem perfeito.”


Thursday, 10 July 2008

Monday, 23 June 2008

fim de semestre

indiquei um texto para o orientando guilherme guerreiro
e ele me devolveu a leitura com um link para este video.
poderosa via de mão dupla que é ensinar/aprender.
veloz hélice giratória.


é na lida com meus alunos que me faço professora.
cada turma é uma;
cada aluno uma relação individual, intensa, de troca e aprendizado mútuo.

Tuesday, 13 May 2008

I am there

Lendo sobre o trabalho de Dan Graham no completíssimo catálogo que Andre Parente mui gentilmente me emprestou, deparei-me com uma performance que de alguma forma se assemelha a um exercício que propus à turma de direção de atuação há um mês.
O exercício, de imaginação e observação, consiste em criar uma biografia inventada para um colega. Este colega deve então ir para a frente da turma, e a biografia, que ele desconhece, é lida em voz alta para todos. A turma deve então observar cada gesto que o biografado esboça ao ouvir a narrativa e todos devem anotar este repertório de gestos. Em um segundo momento este repertório de gestos é lido, e mais uma vez observa-se as reações do biografado ao ouvir as reações que teve ao ouvir a biografia. O jogo pode continuar ad infinitum.
Este exercício foi muito revelador sobre significados e mistérios de microgestos e reações, espontâneas ou caricaturais, programadas ou inevitáveis e saímos todos bastante mexidos da aula naquela terça-feira. Agradeço a atriz Mariana Lima, quem me passou este exercício.

Na performance Performer / Audience Sequence, Dan Graham, de pé, diante de uma platéia sentada diante de um espelho, descreve por 8 minutos seus próprios gestos, para nos próximos 8 minutos descrever os movimentos da platéia que o ouve, para voltar para si nos 8 minutos seguintes, e assim sucessivamente, num jogo de espelhos que não tem final pré-determinado.
Nas palavras do artista:"When I am looking at the audience and describing myself, I am looking at them to help me see myself as I might be reflected in their responses (...) by the second stage of my self-description I (my idea or projection of "myself") am becoming more influenced or 'contamined' by my impressions of the reactions of the audience".
Há ainda uma observação interessante a fazer sobre a percepção do tempo neste trabalho. Uma vez que a descrição enunciada refere-se inevitavelmente a uma observação de um momento que já passou, o discurso está sempre em atraso em relação ao presente vivido na performance. No espelho reflete-se o tempo real, mas na fala que descreve a imagem que o espelho reflete há um delay incontornável. Nas palavras de Thierry de Duve, que assina o texto do catálogo:
"(...) the now in wich the performer describes the audience (or himself) cannot be the now in wich the audience receives its description. The audience is always too early relative to the self image that the performer reverberates back to it, and the performer is always too late relative to the image of the audience he is about to describe. The enunciation is performative, it creates the event of wich it seeks to give an account. But it does not give an account of the event it creates, or only belatedly, rushing afetr it in a circuit of retroaction that leaves no room for 'lived experience'.

Saturday, 26 April 2008

O cinema sob a ótica de Lacan

FÓRUM DO CAMPO LACANIANO DO RIO DE JANEIRO

ESCOLA DE PSICANÁLISE DOS FÓRUNS DO CAMPO LACANIANO BRASIL

26 de abril

Sábado, às 15h00


Debatedores:

Daniel S. Barros - Psicanalista e Mestre em Teoria Psicanalítica pela UFRJ; e
Paola Barreto Leblanc - Cineasta e Profa da Escola de Comunicação da UFRJ.

Compartilho aqui algumas notas que nortearam minha apresentação. Complementei ainda com algumas citações de Virilio, Lacan, Barthes e Deleuze, já mencionadas aqui neste blog, não vou me repetir.

O nervo do filme está exatamente na questão da atenção, mais do que na da imagem em si.

Ao gravar nada, ou seja, ao gerar esta expectattiva de algo pela insistência do quadro vazio, grávido de uma cena, que não se concretiza, não acontece, a imagem impele a revelar algo escondido, caché, que acontece em nós observadores.

Ao buscar algo na imagem, fazendo do olhar uma varredura, uma fenda, janela para uma revelacão, transformamos esta imagem em memória, e a expectativa gerada pela imagem funciona como um ativador de sentimentos como medo e culpa pelo ocultamento daquilo que exatamente está escondido (caché)

Ao direcionar nossa atenção na imagem, não sabemos extamente o quê estamos procurando, mas somos levados a crer que há algo para procurar. Seja pela construção narrativa do cinema, que desde os seus primórdios ocupou um papel de contador de histórias (e nas história há sempre um fim e um acontecimento), somos levados a buscar no filme, pelo simples fato de ser um filme, uma história.

E é neste imperativo da procura, da teleologia. que a atenção nos guia de volta a nós mesmo, num movimento circular, que é tão somente o de espelhamento.

Diante da imagem de si, vista desde fora, o observado se faz observador e passa a se auto-observar, confrontando-se com o seu passado, seu sonho, seu medo, sua hipocrisia, seu teatro.

O estado de vigilância é o que potencializa esta ameaça da revelação, a vigilância é que cria as condições para que algo se revele, e a exposicão/visibilidade/relevo que a vigilância oferece cria condicões para a revelação - antes de revelar algo diretamente, ao deixar o observador à flor da pele, o coloca em posição de revelar algo, o despe. Assim Georges fica nu diante da imagem.

Mas o filme ao memo tempo se abre completamente para outras possíveis leituras. Não há certeza, só dúvidas. Muitas já foram as análises sobre a indecidibilidade da imagem neste filme. Ao invés de funcionar como um índice de verdade, a imagem é um índice de dúvida. Se há o “isto foi” evocado por Roland Barthes, o valor da imagem como prova, esta imagem é um indice de incerteza para nós espectadores – o que vejo é o que está contecendo ? são as imagens vividas por Georges em tempo real ou são as imagens de si gravada que ele assiste? Mas e se a imagem é o próprio ponto de vista de George? Como quando ela vai à casa de Majid? E quando seu ponto-de-vista é identificado com o ponto de vista da camera? Ou quando a imagem é seu sonho, sua lembrança, seu delírio? E se esta imagem, que fomos levados a crer que vinha de fora, vier na verdade deste mesmo olho que assiste e gera? Se for Georges o produtor destas imagens?

Nós, como espectadores, estamos recebendo o filme sempre com uma distância necessária e instransponível, pois não estávamos contemporâneos ao momento da filmagem.

O personagem, no entanto, vive esta duplicidade de viver a cena e assistir à cena. Estar na cena se vendo em cena ou estar em cena sendo por nós visto são duas dimensões distintas de um espelhamento que pode ir ao infinito – eis a imagem cristal deleuziana, para além da imagem-movimento e da imagem-tempo. Imagem em complicacio. Dobrada sobre si. Prismando.
As fronteiras entre sonho, realidade, lembrança e videotape se tornam indiscerníveis. O "espaço cinematográfico”, o espaço da imagem, é entendido como espaço da memória.

Algo com o que joga muito a arte contenporânea, com a interação no sentido da imagem ao vivo, do tempo real, do espectador-ator da performance. Mas isto é outro ponto.

Quem está observando? Todos estão vendo e sendo vistos.
O filme coloca todos na condição de observadores e observados. Espectador, diretor, personagem.
Filme como espetaculo voyeristico como Janela indsicreta.

O filme começa e termina com um plano fixo, impessoal, um ponto de vista sem ponto de vista, supostamente o olhar vigilante e automático de uma camera de vigilância, mas porque está gravando? A pergunta maior, mais importante do que quem grava é : por que grava? Mais do que quem está olhando, é o que há para ser visto? O olhar assombra o visível.


Tuesday, 22 January 2008

arcaísmos

Pela poesia da máquina, iremos do cidadão lerdo ao homem elétrico perfeito.
(...)

O novo homem, libertado da canhestrice e da falta de jeito, dotado de movimentos precisos e suaves da máquina, será o tema nobre dos filmes.

Dziga Vertov, 1922, Revista Kinophot.