Saturday, 21 November 2009

A partilha das imagens:

Arte, visualidade e filosofia com Marie-José Mondzain

A Universidade Federal do Rio de Janeiro convida para um encontro com a filósofa francesa e historiadora da arte Marie-José Mondzain, através de duas conferências que serão realizadas nos dias 24 e 25 de novembro, entre 19:00 e 22:00h, na Central de Produção Multimídia (CPM) do campus da Praia Vermelha.

Marie-José Mondzain é professora da École des Hautes Études em Sciences Sociales (EHESC), diretora de pesquisa do CNRS (espécie de CNPq da França), membro do Conselho Científico do Collège International de Philosophie e diretora do grupo de pesquisas “Observatório das Imagens Contemporâneas”, onde colabora regularmente com realizadores de cinema, vídeo, diretores de teatro, artistas de circo e do campo da fotografia. Considerada um dos nomes mais respeitados dos estudos sobre a visualidade, Mondzain possui uma obra refinada, baseada em uma filosofia das imagens, que tem sido cada vez mais explorada pelos campos da arte, da filosofia e dos estudos de mídia. Passando por discussões que vão desde a iconofilia e a iconoclastia no império bizantino, aos recentes tratamentos das imagens pela mídia, pelo cinema e pelas novas tecnologias, o instigante trabalho de Marie-José Mondzain propõe identificar efeitos de continuidade e ruptura na administração das visibilidades, examinando suas diversas etapas desde a antigüidade até a atualidade.

As reflexões de Marie-José Mondzain tornaram-se fundamentais para todos aqueles que se propõem a pensar e debater o estatuto político e filosófico da imagem, do espectador e do espetáculo no mundo contemporâneo. Na primeira conferência Mondzain fará uma síntese de seu trabalho, esclarecendo os elementos principais que atravessam sua filosofia das imagens. Na segunda conferência, a filósofa fará uma discussão sobre arte, imagem e poder a partir de uma análise do filme “Das Stahltier” (O Animal), dirigido em 1936 por Willy Zielke, um dos fotógrafos mais conhecidos do cinema do expressionismo alemão e assistente de câmera de Leni Riefenstahl. Este raro filme de 71 min, dotado de uma sofisticada linguagem vanguardista, produzido na Alemanha nazista e proibido por Joseph Goebbels, será exibido antes da conferência, às 18:00h.

Inscrições: artefissil@gmail.com
O encontro é gratuito e os certificados serão emitidos para aqueles que comparecem nas duas conferências.
Haverá tradução nas duas conferências
Endereço : Av. Pasteur, 250 - fundos - Praia Vermelha - Rio de Janeiro / RJ

Realização:
Escola de Belas Artes e Programa de Pós-Graduação em Artes Visuais (EBA/UFRJ)
Escola de Comunicação e Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Cultura (ECO/UFRJ)
Instituto de Filosofia e Ciências Sociais e Programa de Pós-Graduação em Filosofia (IFCS/UFRJ)

Organização

Fernanda Bruno (ECO)

Tadeu Capistrano (EBA)
Frederico Carvalho (EBA)
Fernando Santoro (IFCS)

Tuesday, 17 November 2009

Experiências Teatrais e Espaços Televisionados

Inicio minha apresentação no ABCiber mostrando algumas imagens de trabalhos de live cinema que realizei, nos quais técnicas de improvisação de teatro e dança nortearam as criações com circuitos de vídeo em espaços públicos.

Em seguida apresento algumas imagens do trabalho que estou desenvolvendo atualmente, no qual, inversamente, é a cena de teatro que está sendo contaminada pela presença do circuito de vídeo, incorporado ao palco.

As composições para circuito de vídeo-vigilância consistiram em uma série de performances de cinema ao vivo que apresentei no Rio em 2008, em 4 ocasiões distintas. Embora fossem realizadas em locais diferentes, todas partiam de um mapeamento físico do espaço, integrando a geometria e a geografia deste espaço à proposta. As imagens captadas pelas câmeras eram ligadas a uma mesa de corte instalada na sala de projeção, e ao espectador cabia decidir se as assistiria por meio da edição efetuada ao vivo pelo operador/vigia (em cena abaixo da tela de cinema) ou se adentraria o circuito de imagens percorrendo o espaço vigiado.
Este estudo de formas de ocupação cênica das zonas vídeo-vigiadas foi empreendido por um coletivo de colaboradores, entre alunos, técnicos e atores, e se pautou pelo levantamento dos fluxos de movimento, dos comportamentos habituais, e das práticas cotidianas observadas nos locais sob vigilância. As relações espaciais dos corpos com este espaço e a possibilidade da criação de micro narrativas convivendo nos ambientes vigiados – trabalhamos com no mínimo 4 câmeras distribuídas no entorno da sala de projeção – orientaram os trabalhos.

Estas formas de ocupação do espaço foram construídas a partir de técnicas de improvisação teatral e de dança, onde buscamos produzir acordos coletivos em consonância com o que acontece no ambiente aonde a performance se dá – não circunscrito a um palco ou espaço de espetáculo, mas acontecendo em espaços públicos e de circulação.

Como resultado foram desenvolvidos, junto ao grupo de performers, repertórios de ações, produzindo relações de espelhamento, perturbação, repetição, fantasia, banalidade, risco, riso, entre tantas outras possibilidades, ampliando a percepção da imagem de vigilância para além das esferas policiais, do marketing e do reality show.

Embora a intenção inicial do trabalho fosse trabalhar uma estética de vigilância, com seus tempos mortos em diálogo com o conceito de imagem-tempo de Deleuze, em diversos momentos prevaleceu uma lógica espetacular na produção de movimentos e sentidos, e a busca por uma poética do cotidiano se fragilizou.

A pesquisa desdobrou-se então por outros caminhos, não mais necessariamente com imagens sendo geradas ao vivo.

Jogo dos 7 erros, trabalho desenvolvido a partir de uma oficina do Dança em Foco, é o primeiro trabalho produzido nesta virada.

Pane na temporalidade da imagem: ela é sempre agora-e-antes: ao vivo impossível! pista para trabalhar c/ hierarquias temporais alteradas.

A questão fundamental é que a imagem, seja na tela ou no monitor, é um lugar irremediável de ficção > sobretudo quando se quer “ao vivo”

O lugar da imagem: é não-aqui, mesmo sendo aqui. Quando se enquadra o espaço, a imagem surge como um outro, como estranha.

a realidade ganha um status de estranheza pela imagem > mise-en-scène como mise-en-doute #Comolli

Estas questões me levam hoje a investir mais em técnicas cênicas do que cinematográficas e aí a situação se inverte: a cena não está dentro do monitor, é o monitor que está dentro da cena. Mas a cena está dentro do monitor também, então a pesquisa entra em espiral.

Corte-Seco

A imagem não como espaço da encenação; a imagem no centro da encenação. Jogo entre o proscênio e o que está fora da cena > ob-sceno.

A presença do monitor/ tela em cena : o que ativa? Aonde está o foco da atenção? Para onde olhar? Qual a necessidade da imagem? Saturação?

Thursday, 12 November 2009

ABCiber

Terça feira dia 17/11 participo de mesa coordenada pela Professora Fernanda Bruno em São Paulo, em companhia do curador independente Gabriel Menotti. Conheci o trabalho de Gabriel através da rede, e após perceber vários pontos em comum entre sua pesquisa e a minha, me anima a perspectiva do debate sobre vigilância, encenação, found-footage e cctv sniffin no contexto do ABCiber.
A participação do Gabriel se dará via skype, uma vez que ele estará em Berlin, em outro evento acadêmico.
Eu e Fernanda estaremos de corpo presente na ESPM.

Wednesday, 11 November 2009

arte.mov

Amanhã embarco para o Festival arte.mov, em BH, onde está em competição o curta-metragem Jogo dos 7 erros, realizado na oficina que ministrei no Festival Dança em Foco em julho. Sinto-me feliz que este curta feito com o material do CFTV do SESC Copacabana esteja encontrando seu lugar no mundo. Aproveito a oportunidade para visitar os queridos Bruno e Cinthia, envolvidos em um admirável projeto novo.

Wednesday, 4 November 2009

portabilidade na curta cinema

Outras Telas – O Curta para Além do Cinema
04/11 - 17hs - Caixa Cultural


As telas já não são mais privilégio da sala de cinema ou da sala de TV há bastante tempo.

Companheiras cada vez mais habituais das viagens de elevador, metrô ou avião, as telas multiplicam-se não só pelas redes de transporte, mas também na arquitetura dos espaços comerciais e das redes de serviços, para não citar os circuitos fechados e de vídeo-vigilância.

Hoje vemos crescer, somadas a estas, o numero de telas de MP4s, Laptops e celulares.
A imagem cabe no bolso, e pode ser carregada por um toque dos dedos.
A convergência de mídias digitais produz aparelhos híbridos que além de efetuar ligações, navegam pela internet, baixam, gravam e reproduzem filmes.

Este caráter de portabilidade da imagem, e sua inscrição em uma rede de informações e funções, certamente altera a forma como os conteúdos são percebidos e produzidos.
As pessoas estão em busca de mobilidade e velocidade. O que dá uma qualidade de efemeridade ao que é produzido.
Como poderíamos definir novos parâmetros para a produção audiovisual neste quadro?
Há espaço para as obras primas neste ambiente?
Esta abundância de imagens pode resultar em uma saturação?
Corremos o risco de um niilismo das imagens?

O longa-metragem Cafuné foi lançado na rede e nas salas de cinema ao mesmo tempo, oferecendo ao ciber-espectador a possibilidade de montar, ele mesmo, a sua própria versão da história. Novas experiências como a do filme-jogo a gruta também apontam para este caminho de interação autor-obra-espectador.

A cultura colaborativa e as ferramentas da chamada web 2.0 estão contribuindo para a modificação na noção de autoria.
Como a SAV vê questões do direito autoral?
Uma nova regulamentação específica está sendo pensada?

A portabilidade das telas é um dos lados de uma moeda.
No outro estão a portabilidade das câmeras. Todo e qualquer um hoje é um potencial cineasta. Falando do projeto curta na escola: Há algum tipo de investimento no ensino de cinema nas escolas ou o projeto restringe-se a exibição de filmes? A SAV tem algum programa de apoio ao ensino de audiovisual nas escolas, agora que as câmeras e telas estão ao alcance de todos?

A Secretaria do Audiovisual é um órgão fundamentalmente pautado por um modelo de produção de cinema e televisão bastante ligado aos grandes suportes e estruturas de produção. Qual a importância de se defender a produção de filmes com cópias em 35mm?

Com a presença dos seguintes debatedores:

Silvio Da-Rin – Secretário do Audiovisual – Minc/SAV
Secretario do Audiovisual, Técnico de Som direto e Mestre em Comunicação pela ECO

Julio Worcman - Porta Curtas Petrobras / Curta Na Escola
O Projeto Porta Curtas é pioneiro em disponibilizar curtas metragens brasileiros na rede, contando hoje com o maior banco de dados deste formato da internet, com presença ativa e premiações em festivais e mostras.

Alberto Magno – M1ND - Alberto Magno é matemático e físico. Dono da M1nd Corp (www.m1nd.com) e fundador da AS TV (www.astv.com.br), que oferece infra-estrutura para sites e transmissão de imagens e dados, além de criar soluções para o mercado de internet.

Denis Acatauassú Paes Barreto - Gerente de Inovação e Service Creation de VAS – Tim Brasil

Fernando Salis – ECO/UFRJ – Desenvolve um trabalho de pesquisa e prática com performances e cinema ao vivo.

Tuesday, 27 October 2009

Atelier da Imagem no Cine Gloria

Máquinas de Luz. 1º. Forum da Imagem Técnica.
Debate paoleb + Cezar Migliorin, Muti Randolph e Cao Guimarães - quarta feira dia 28 às 19h no Cine Glória.

Recebi com alegria o convite para participar do debate sobre a interação entre suportes e linguagens no evento Máquinas de Luz. Dizia assim:
“Além da interação cinema, vídeo, fotografia, música e artes plásticas, recentemente vemos as artes cênicas incorporando dispositivos imagéticos e tecnológicos na concepção cenográfica dos espetáculos.”

Mais oportuno impossível: meus trabalhos cada vez mais caminham na direção da contaminação da cena de teatro/dança/performance por práticas audiovisuais. Minhas questões: como a presença da projeção, ou do monitor, se relaciona com o espetáculo cênico, como pode potencializar, dialogar, pôr em dúvida ou reforçar uma cena que acontece ao vivo – lembrando que a própria imagem projetada ou transmitida na TV pode também ela estar sendo gerada ao vivo. Então é justamente esta possibilidade da imagem – virtualidade – de adicionar camadas à realidade da cena que anda me interessando na minha pesquisa hoje.

Quando recebi a mensagem do Cezar, sugerindo que o foco do debate recaísse sobre o papel que o acaso desempenha no meu processo de criação, a coisa ficou mais afinada ainda.

NORTE
“Qual o papel do que não se domina?
As idéias vêm acompanhadas desse imponderável?
Ainda, há uma escolha de suporte diferenciada por conta da forma como vocês (no caso eu e Cao Guimarães) imaginam a presença do acaso?”

Decidi iniciar a minha fala pela projeção do curtinha Jogo dos 7 Erros.

Este trabalho foi realizado em um Mini Curso que ofereci no Festival Dança em Foco, em torno de uma poética do movimento em espaços vigiados. Pesquisei, junto aos participantes, tipos de movimentos desenvolvidos que poderiam ser considerados suspeitos, relevantes, interessantes, padrão. Foi a primeira vez que produzi um vídeo, finalizado, com imagens de vigilância, e estou feliz de nosso trabalho ter sido selecionado para a mostra competitiva Arte.mov em BH. Nós atuamos diante das câmeras do SESC Copacabana, recuperamos o material bruto e por meio de um efeito de edição criamos esse anel de tempo aonde a ação de uma tela invade a ação de outra, meio anel de Moebius, uma imagem começa aonde a outra termina, e isto causa um estranhamento meio Lynchiano, gostei. E foi algo que se deu como um feliz acaso, mas um acaso que foi possível graças ao trabalho ao qual nos propusemos. Quando entramos naquele corredor não estávamos com as ações cronometradas, e nem sabíamos que isto poderia ser editado assim, mas tínhamos em mente a tarefa de executar ações com padrões de repetição, reverso e duplicação, a partir de VPs. Viewpoints são uma poderosa técnica de improvisação que lida com o espaço, a arquitetura, a topografia, a forma, o tempo, a duração, a repetição, a resposta cinética e o movimento, subtraindo a psicologia da cena e lidando com a materialidade e a superfície dos corpos. É ótimo. Me faz pensar em Eisenstein, de uma certa forma é construtivista e tenho pensado meu trabalho como realizadora de filmes ultimamente nestes termos.

Já trabalhei com cronômetros, VPs e vídeo-vigilância também, com uma ação realizada na Caixa Cultural, no Festival de Live Cinema ano passado. Chamava-se Cabine de Pensamentos e reuniu 10 performers, 40 sons pré-gravados, 4 câmeras de vigilância, um microfone e uma mesa de corte conectada a um projetor de uma sala de cinema.

Quando eu desvio o sinal da cabine de vigilância para uma sala de projeção eu estou em busca do potencial cênico que toda imagem traz consigo, eu estou interessada em resistir ao dispositivo de controle, invasão, policiamento, e transformá-lo em uma ferramenta para fazer filmes, ao vivo. O risco de fazer as coisas ao vivo, de lidar com o acaso, o fortuito e o imponderável, recombinando minha atenção como editora aos fatos casuais também e não somente aos encadeamentos causais é para mim de extrema riqueza. As imagens de vídeo-vigilancia representam para mim um pan-cinema permanente, para parafrasear o filme do Nader sobre o Waly, ou um continuum do vídeo, para lembrar da expressão usada pelo Paul Virilio.

Alem da apresentação na Caixa Cultural fizemos outras no Circo Voador, no Teatro Gláucio Gil e na ECO/UFRJ, onde precisamente concluí meu Mestrado em Tecnologia e Estética.

Quando eu resolvi trabalhar artisticamente com as imagens produzidas por circuitos de vídeo-vigilância eu entrei num campo novo para mim, que é o campo do cinema ao vivo. Cinema ao vivo: o que é isso? A gente fala e as pessoas arregalam os olhos, porque de uma certa forma todo cinema é ao vivo, quer dizer: é um projetor que está banhando uma tela/ superfície naquela hora, a sessão tem uma duração, todo filme é um acontecimento temporal, performático, não é como um quadro, ou livro aonde o espaço/tempo que se estabelece entre o espectador e a obra não é determinado.

Mas o que a gente chama hoje de cinema ao vivo, Live Cinema, é um tipo de experiência aonde o filme ao qual vamos assistir não é um produto, já terminado, que vai ser simplesmente carregado em um projetor/ tela. O filme, na verdade, se constitui, se consolida, no momento da projeção, literalmente. O filme é o fruto do encontro com um lugar, uma platéia, um espaço e um tempo, e uma combinação entre sons e imagens, sincrônicos ou não.

Uma experiência radical de Cinema ao vivo na qual colaborei foi no roteiro do longa metragem - ou melhor, metragem indefinida! - Ressaca, o filme do Bruno Vianna que é editado ao vivo. Foi uma experiência doida, pois as questões com as quais normalmente nos confrontamos na escritura de um roteiro – que cena vem antes desta, qual é a curva do personagem, etc, enfim, questões narrativas, precisavam ser recolocadas em outros termos o tempo todo. Pois o filme não tem um roteiro pronto, ele tem varias saídas possíveis, então é um roteiro que é mais como um mapa, cheio de caminhos compossíveis, que a gente tinha que desenhar. Então na verdade a gente repertoriou cenas, formas destas cenas se (re)combinarem, caminhos a serem percorridos por estas cenas, quase um VP com o roteiro. E o Bruno, a cada vez que o filme é projetado, recombina estes elementos, às vezes de maneira mais feliz, outras menos, acaba sendo uma questão de treino também. Gosto de sentir o cinema próximo do teatro por esta via, e não pela via clássica.

Pensei agora que seria interessante realizar remixagens de filmes que, embora tenham uma metragem definida apresentam-se mais como mapas de historias do que narrativas clássicas – Ano Passado em Marienbad, para citar o óbvio, Mulholland Drive de David Lynch para ser mais atual.

O fato é que tenho me interessado cada vez menos pelas formas de cinema que se pautam pela execução de um roteiro simplesmente. Acho que há sempre este elemento do imponderável, e aqui a gente pode lembrar daquela afirmação de Godard de que todo o grande filme de ficção tende ao documentário, e vice versa. Se a gente não estiver aberto ao acaso, ao imponderável, em suma, à própria vida, não tem muito sentido fazer filme, é o que eu estou pensando hoje. Então parece que todas as coisas que eu faço acabam meio contaminadas por esta perspectiva e eu vou desenvolvendo um sentido de alerta, de prontidão, de resposta cinética, acho que esta é uma importante característica do meu trabalho hoje. Acho que a gente tem que ser meio camaleão, porque as vezes a coisa não é exatamente aquilo que a gente esta pensando e não dá pra ficar engessado no projeto... O Hitchcock falava que sonhava com uma máquina capaz de reproduzir o filme exatamente como estava na cabeça do diretor, mas eu acredito que o grande barato está no embate entre a idéia que se tem e o acontecimento que é realizá-la... outro dia eu postei no twitter esta frase, que eu tinha ouvido no ensaio da Chris Jatahy, de que temos que ter sempre em mente a complexidade do que estamos fazendo, pra não fazer só uma cena. E o que isto quer dizer? Quer dizer que quando estamos encenando, estamos pondo em crise, estamos pondo em dúvida, somos nós mesmos e somos personagens, somos roteiro e somos vida, é tudo de carne osso e de faz-de-conta misturado com aqui e agora. É tudo acontecimento. Isto é uma característica superbrechtiana que cada vez mais eu entendo ser importante pro meu trabalho e para as colaborações que tenho feito com outros artistas.

Algumas imagens de mistura entre aqui/ agora e imagem – ao vivo ou não- de trabalhos recentes:

MULHER QUE MATOU OS PEIXES – OI FUTURO







O PEQUENO INVENTARIO DE LUGARES-COMUNS – SESC COPACABANA












ccvv #3 – CIRCO VOADOR


CORTE-SECO - SESC SAO JOAO DE MERITI


Saturday, 24 October 2009

reflexões corte-seco

Relações possíveis entre pessoas e imagens:
Em dados momentos do espetáculo esta relação é explícita e diretamente evocada pelo elenco:
Tereza/Leo/Paulo.
Tereza/Du/Dani .
Saídas, entradas e cenas extra/campo.
A imagem é apontada pelos personagens/atores, e literalmente descrita.
Como ultrapassar a descrição? Como mudar esta relação e adicionar um comentário, fissura, divergência? Como narrar/ interiorizar/ dialogar ...
Branca
Felipe
Felipe e Paulo
Tereza
Dani/Felipe
Du e Branca
Estelinha e Cris
A presença da imagem em cena: o viewpoint tem que chegar nas telas. Há um ruído quando o jogo se estabelece no palco, entre os atores e as cadeiras, mas os monitores permanecem ali, apenas como um papel de parede. Sofro.
Introduzir a tela fora do ar (a tela branca) a interrupção, a falha, a ausência, a negação.
As imagens são puro risco. Não temer o risco nas imagens. O que escapa nas imagens. As imagens como o que escapa e não como o que se apreende! (Renata tentando entrar, funcionários do teatro que vêm e vão, reações do público)
Excelente: quando se empurram os totens e as telas se reconfiguram no espaço, de lado, de costas, resistindo ao olhar, tratadas em sua materialiade e não somente em sua 'janela para outro espaço(tempo?)', elas tornam-se autônomas, ganham um valor em si, isto também é ótimo.
A imagem ob-scena (fora da cena) x a imagem no proscenio.
Grande qualidade do espetáculo: imprevisibilidade. uma dramaturgia onde podemos ir para qualquer direção a qualquer momento. O espectador é pego pelo que há de enigma, e não pelo que há de clareza. Bom isso. Códigos abertos. Desdobrados.
Para lembrar Debord: na sociedade do espetáculo as relações entre as pessoas são mediadas por imagens.

Thursday, 15 October 2009

12 de trabalhos de Hércules

Acasos e criações artísticas

Estéticas da Vigilância na Cibercultura

Vigilância na América Latina


Research Assistance

Petrobrás

Galpão Aplauso

Corte Seco

Live Cinema

Ponte Rio Niterói
paoleb+fernand@s (bruno, gomes, salis)

Teatro Municipal

À colecionadora


A Cena como dúvida

Wednesday, 14 October 2009

II Mostra Live Cinema

A Mostra Live Cinema publicou hoje a lista de 12 performances selecionadas para sua segunda edição, entre 80 inscritos, um recorde. O cineasta Beto Brant figura com uma versão de seu longa metragem “O amor segundo B. Schianberg” modo mixagem ao vivo, fiquei curiosa. Além dele Bruno Vianna apresenta nosso Ressaca e Alexandre Carvalho o projeto Fluidos.
Gostaria imensamente de acompanhar as sessões, Marcia e duVa são grandes promotores do cinema ao vivo por aqui e foi graças a pilha deles que me lancei neste universo.
Resolvi, aos 45 do segundo tempo enviar uma proposta, intitulada composição para cinema e serrote, que não foi escolhida, mas acabei de reler e acho-a bem simpática. Publico aqui, quem sabe não aparece alguém interessado em bancar uma apresentação off-mostra?

COMPOSICAO PARA CINEMA E SERROTE
Peça de Cinema ao vivo para três projetores DLP de 6.000 Ansi Lumens
18 minutos de duração

Sinopse
Durante a projeção de uma remixagem do clássico de Charlie Chaplin “Behind the Screen” (1916), Carlitos deixa o filme e invade a cena.
Roteiro
As telas são ordenadas em um painel tríptico, como em Napoleón de Abel Gance (1927), formando um panorama.
As imagens projetadas nas três telas compõe uma remixagem do filme “Behind the screen” de Charlie Chaplin, mas sem a preocupação de reconstituir o enredo do curta. Criando loops a partir de cenas pré-selecionadas esta mixagem vai trabalhar padrões de movimento, repetições, delays e outras experiências temporais, produzindo antes sensações do que encadeamento causal.
O som que acompanha esta projeção é composto por uma combinação de gravações de ruídos de trabalho com ferramentas manuais – serrotes, martelos, chaves de fenda – e operação de máquinas de manivela e corda, produzindo um tipo de música a partir de paisagem sonora semelhante a que Björk faz com a fábrica de Dançando no Escuro (2000).



Após 7 minutos de projeção, um ator, Fernando Alves Pinto, aparece por detrás de uma das telas, “deixando” o filme para estar ao vivo no palco. As imagens nas telas mudam uma a uma para imagens captadas ao vivo do ator no palco. A paisagem sonora vai aos poucos silenciando, dando lugar ao som direto da cena. Ele traz consigo um serrote e uma caixa de ferramentas. Ele abre a caixa de ferramentas e tira um microfone e um arco.
Inesperadamente ele faz do serrote um instrumento musical, tocando-o com arco de violino.
Três câmeras diferentes registram este momento e isto é projetado nos telões.
Ao final de 7 minutos de performance, ele volta pra dentro do filme, indo para trás de uma das telas.
Novamente o padrão de imagens da mixagem visual se altera, e a projeção remixa imagens da presença recente do ator no palco com imagens do filme de 1916. O som do serrote, ainda microfonado mas fora de cena, mescla-se aos sons de trabalho.

Resultados que espera-se obter com a obra proposta
Podemos estabelecer paralelos interessantes entre o “cinema dos primeiros tempos” e as mídias contemporâneas. Ambos situam-se em um terreno aonde a experiência do espectador é mais importante do que a organização em forma de narrativa, podendo ser definidos mais pelas sensações despertadas na platéia do que pela lógica narrativa clássica.
O chamado cinema dos primeiros tempos (1895-1908) era um cinema espetacular, um tipo de experiência visual oferecida em parques de diversões e feiras, com o intuito de maravilhar o espectador dos vaudevilles.
O filme realizado por Chaplin em 1916 encontra-se em um momento de passagem deste cinema de atrações para um cinema narrativo, que configurou-se como o padrão clássico dominante.
Ao nos apropriarmos de “Behind the Screen”, apresentando-o em uma configuração que privilegia o burlesco, o naïf, o fantástico e a trucagem, esperamos estabelecer um diálogo entre uma prática contemporânea de cinema ao vivo e a tradição de pioneiros como Georges Méliès.

Audio
Mesa de 16 canais
Microfone Shure SM 58
PA + 1 monitor de retorno
Laptop com arquivos sonoros variados – gravar martelo, prego, som de obra, som de construção.
Video
Tres projetores 6 mil Ansilumens
Tres telas dispostas uma ao lado da outra
Mixer de imagens 4 canais
3 cameras instaladas no palco
Laptop com loops de cenas do filme “Behind the Screen”

Obs
Precisaremos iluminar o ator no palco
Três projeções diferentes – delay? Três saídas independentes para cada uma.
O projeto é inédito