1- The artvertiser – Realidade
Aumentada – contextualização crítica das propagandas em outdoor e fachadas –
quem tem direito a ocupação do espaço publico? Quais as práticas discursivas em
atuação?
2 – Surveillance Open Air Cinema – deslocamendo das
imagens de vigilancia da cabine do vigia para exibições na rua - discutir o
espaco urbano em termos de espaço herztiano - quem pode ocupar o espectro? que
ondas de imagens nos atravessam?
3 – Um jardim para Epicuro – a partir
da monitoração das condições de temperatura, humidade, variações
eletromagnéticas e outras atividades de um jardim, imagens são geradas por
sensores ligados a um programa. – Data Art – Muitos projetos semelhantes que
utlizam a coleta de dados para produzir imagens – arte generativa
7 – Photosynth – através de coleções
de fotos no Flickr gera modelos 3D de lugares fotografados por milhares de
pessoas. Exemplo: Cateral de Notre Dame
- Amazing
9 – Ressaca - Cinema de Banco de
Dados – Como no Jogo da Amarelinha de Cortazar – pensar a narrativa de forma
horizontal, planar, rizomática e não vertical, linear, arbórea;
10 – Super Night Shot - grupo de
atores que, uma hora antes do espetáculo, sai, cada um com uma camera, pelos
arredores do teatro, filmando cenas onde interagem nas ruas. O público assiste
na sequência a uma edição ao vivo, mesclando live cinema e teatro.
"Devido à sua localização distante, Inhotim necessariamente é um destino que exige do visitante um tempo de viagem considerável, uma jornada que se torna parte significativa de sua experiência. Essa característica estimula tanto o público quanto os artistas. Por este motivo, são muitos os temas recorrentes na coleção: paisagem, caminho, labirinto, ambiente, natureza, tempo e lugar."
Lindo o trabalho da Alessandra Bergamaschi que inspira nossa Gentil Correspondência. Como disse o Marcio Botner, a contaminação da arte se dá a partir da vizinhança!
Caros Vizinhos,
A Galeria A Gentil Carioca lá, em parceria com o Festival Internacional de Curtas Metragens do Rio de Janeiro, CurtaCinema, está promovendo a exposição Curta Gentil, composta por trabalhos de video arte de artistas contemporâneos.
Desde o dia 28 de outubro estamos projetando em grande formato no espaço externo da Galeria, ocupando a parede vizinha ao nosso prédio na Avenida Epitácio Pessoa com uma seleção de trabalhos que expressam a tênue fronteira entre o audiovisual e as artes plásticas.
Dia 06 de novembro, domingo próximo, é o último dia de nossa mostra, e gostaríamos de convidá-lospara a sessão de encerramento, seja em nosso terraço que fica acima do Bar Lagoa, ou mesmo da sacada de seus apartamentos, que como alguns já perceberam, possuem vista privilegiada para o paredão que está servindo como um cinema a céu aberto.
Pensando a arte como forma de expressão que não se restringe ao espaço institucional da galeria, mas que pode intervir da cidade, promovendo novos modos de habitar e desfrutar da paisagem, esperamos contar com a vossa gentil visitação.
Este ano o Festival de Curtas do Rio de Janeiro, Curta Cinema, em curadoria conjunta com a Galeria A Gentil Carioca, apresenta uma nova programação, que reúne obras que transitam entre o cinema e as artes visuais. A cada noite trabalhos diferentes serão projetados na empena cega do prédio vizinho à Galeria, e durante o período do Festival o interior da Gentil lá será ocupado por imagens distribuídas entre 06 monitores e uma projeção.
Programação
Exibição interna
Todos os dias, das 14h às 22h
Andrei Müller, Zarthus - TV 42” Gabi Gusmão, Actinote Surima - TV 42” Pontogor, Massacre 106 - TV 42” José Bento, Mona – DVD portátil (banheiro) Evandro Machado, Desmaterial - TV 42” Botner & Pedro (com desenhos de Laura Lima), Mel - TV 42” Elisa Pessoa, Morto Vivo e Sótão - Projeção
Exibição externa
Todos os dias, segundo a programação abaixo, a partir das 20h30min
28/10 Cópia / Colares, Marcos Chaves 29/10 Sessão Experimenta 1 – Curta-Gentil 30/10 Derrube e Movimentos Detenidos, Celina Portella 31/10 O Deus no Arroz Doce, Enrique Diaz 01/11 Provisional Heritage, Matheus Rocha Pitta 02/11 Ah Se Tudo Fosse Sempre Assim e Sertão de Acrílico Azul Piscina, Marcelo Gomes e Karim Aïnouz 03/11 Mais Dois, Kátia Maciel e André Parente 04/11 Ali É Um Lugar que Não Conheço; Aqui de Novo; e Desvios Derivas Contornos, Lucas Bambozzi 05/11 CZI (Corpo Zona de Intervenção), Bruno Vianna e Cinthia Mendonça 06/11 Da Janela do Meu Quarto, Cao Guimarães 06/11 0667, Marcellvs L.
Palestras Em dois dias da mostra, a partir das 19h
02/11 – Cezar Migliorin 03/11 – Kátia Máciel e André Parente
Oficina começou aqui na Darcy com um grupo muito interessante e bem heterogêneo. Vamos trabalhar nos primeiros encontros pra criar um vocabulário comum, desenvolvendo um repertório de referências e interesses que atravessem todos.
Não queria abrir os trabalhos falando de vigilância, mas como não poderia deixar de ser neste encontro de introdução da proposta acabei falando do trabalho de Dan Graham, mas não me lembrei de jeito nenhum de seu nome na hora!
Translumbrantes tecidos caimentos nos corpos membros voando prolongando-se na escuridão do cenário, cauda de baleia fundo de um oceano primitivo de amor e sentimento superfície do mar de neve e sonho.
A procura de artistas latino americanos que problematizem a vídeo-vigilância em suas obras. Sugestões são bem vindas. O Alberto, do Oi Futuro, me indicou o trabalho "Livearth" de Tina Velho. O trabalho dos mineiros Renata e Wellington eu conheci ano passado em Curitiba.
"I think voyeurism is a good space to drop into from time to time. Only I haven't done much lately because it takes tremendous devotion and patience. But like a ready-made one works to fill in the blanks, the uncompleted silent actions framed in windows. It needs constant attention, like an illicit form of meditation. Good eyesight. Keen sense of change... Well, you know, you have to choose the right place at the right time or it's all over." Gordon Matta-Clark, Interview 1974
Thank you vey much for the messages. This discussion is very important. I had a similar one with Manu Luksh about my art work, which uses cctv images to create live cinema spectacles. Brazilian coreographer Dani Lima, a friend of mine, is also having the same discussion with Leipziger Kamera group, once she is about to do a dance performance using cctvs in Leipzig in June. As filmmakers, our struggle is not only against surveillance, but also for freedom in audiovisual language, and this is not a "smaller" fight. Classic Narrative Codes are also a control tool, as we all know. What is interesting, is that to "read" CCTV images, monitors are based on this codes - continuity, contiguity, linearity, realism (effect de réel). For me, surveilance images ara a very intersting field to make experiments on this audiovisual codes - usually taken for granted - and break them, installing ambiguity inside an image always expected to be "real" - the surveillance image. This doesn't mean that I am not against surveillance, but that I use surveillance as a platform to discuss filmmaking, cognition and perception. I would like to publish this discussion in my blog, if you don't mind.
Hope to year from you soon, Best Paola
2010/4/12 Bill NOT BORED!
> Did I clarify your doubt? So, we are in favor of "democratized" media, but > we can't be naif on its complex structure and process...
yes, thank you Milena.
2010/4/8 milena sz. - Ocultar texto das mensagens anteriores -
Hi Bill,
when we talk about it during lectures and/or workshops, we use to tell about brazillian (sao paulo) streets and specific audience situations (and its feedback), i.e. a path about these last 7 years of this artwork.
During "Surveillance Wireless Vj'ing Performance" we tried to insert a discussion inside our community and society: The Panopticon Manifesto (printed one as audiovisual ones) used to talk about surveillance(control)+spectacle(media)=consumption(system). We used to dialogue with different audiences about surveillance, spectacle, new media and art-activism detournement issues on our everydayness (streets and festivals).
At that time we wrote also a linear text about it. I'll put an excerpt here: (if you'd like I can send to you the whole text, but my english is not pretty well)
"Everywhere you walk there’s something spying you: since a surveillance public camera to your tracked-cellphone by a global position system or just by your mobile telecommunication service... An electronic and digital data machine eye and all we have to do is smile: “Smile, you are being taped”. Bentham — the panopticon inventor — presented his system based in control principles and productivity of a capitalist society. Foucault came after talking beyond population and security, but also circulation. Where you look and are looked, being tracked all time in. Who’s spy on whom? Who’s chasing who? The panopticon efficacy is realized when everybody participates of this in some way. That's the mechanism of this power.
...
In our online networked life, everything can appeared like a transparence, a kind of digital democracy in a naif perspective: it makes to believe that you're 'free' to manifest yourself to the world, on live. But these digital systems are tracking us not just at virtual but also at physical space...
..."
Did I clarify your doubt? So, we are in favor of "democratized" media, but we can't be naif on its complex structure and process... (...) please, take a look at http://blog.manifesto21.com.br/2008/09/25/panoptico/
On Wed, Apr 7, 2010 at 12:38 PM, Bill NOT BORED! wrote:
It isn't clear to me if these performances are arguing against surveillance or in favor of "democratized" media.
clarification please?
thank you
On Tue, Apr 6, 2010 at 4:45 PM, milena sz. wrote: > Hi art-surveillance/sousveillance friends! > > At least, we uploaded a short documentation about our 'old' surveillance > performance: > http://blog.manifesto21.com.br/2010/04/06/panopticon-performance-way/ > > Cheers! > Milena > :) > > -- > MANIFESTO21.TV: THE AUDIOVISUAL RHETORIC SITUATIONS > [ spectacle+surveillance=consumption >> http://manifesto21.com.br/ ] >
O anódino, o insignificante e o comportamento da autista Íris me trouxeram de volta a alguns pensamentos despertados pelas imagens estáticas, desinteressantes e monótonas dos CFTVs, como tantos observam. Depois comento mais. A escrita regular neste espaço não tem sido possível nas últimas semanas, de intenso trabalho. Curso, livro, filme, peça, estudo... Projeto de retomar em breve alguma regularidade aqui, compartihando um pouco de tudo isso. Transcrevo abaixo trecho do texto teatral escrito por José Sanchis Sinisterra.
IRIS – Essa paciência dos vegetais... (Pausa) Eles escolheram, sim, ter essa paciência. E a quietude. Há milhões de anos. Tanto sol, tanta luz, não é mesmo? E a terra ali, que sustentava. Que dava sustento. Para que mais? (Pausa) Os outros, por sua vez: mover-se, buscar, perseguir, atacar, devorar... Caçadores e presas. Dia e noite. Durante milhões de anos. Os outros. Nós. Caçadores e presas. (Pausa) Escolhemos a ansiedade. Eu estava lá, eu sei. Atocaiada. Entre as bocarras, entre as garras. Imóvel. (Vira-se para olhar para MIRIAM, que olha preocupada a sala. Continua falando ao público, mas agora com a fluidez e o “estilo” de MIRIAM). A imobilidade não aparece entre os sintomas que caracterizam a conduta da criança autista, e que a doutora Uta Fritz enumerou em seu livro “Autism. Explaining the Enigma”, de 1989. A saber: forma estranha de andar, escasso controle da voz, rosto aparentemente inexpressivo, movimentos de abano com a mão, ações repetitivas, falta de espontaneidade, perseverança temática e deficiência social, entre outros... (Pausa). É possível que a pequena Iris da Silva mostrasse alguns desses traços típicos. Ou talvez todos. Mas pode-se afirmar, sem a menor dúvida, que a imobilidade era o mais evidente... e o mais persistente. Permanecia horas e horas quase que sem se mover, debaixo do olhar angustiado da mãe, que se esforçava em vão para resgatar a atenção da menina, seqüestrada sabe-se lá em que gruta inaccessível. (Olha sorridente para MIRIAM, que a observa assombrada. Torna a falar para o público) Nem ela, nem ninguém poderia suspeitar que a atenção de Iris se concentrava num suporte muito mais próximo e familiar: a begônia de flores rosadas que respirava, serena e quase feliz, ao lado da janela... (Pausa) É uma mostra de uma coisa que os especialistas observaram na criança autista... sem conseguir explicar. O doutor Kremer, por exemplo, em seu monumental estudo sobre os transtornos do desenvolvimento no autismo (Alarma de MIRIAM), se refere à grande capacidade de concentração que algumas crianças autistas manifestam diante de aspectos do seu entorno imediato... Mas se apressa em apontar que, enquanto para a maioria das pessoas normais a atenção se concentra em coisas chamativas, importantes, significativas,... “o autista” – faço uma citação textual – “é capaz de prolongar indefinidamente sua concentração em circunstâncias totalmente irrelevantes, anódinas, insignificantes, diante das quais qualquer um perderia imediatamente o interesse...” (Pausa)
(MIRIAM titubeia entre intervir ou não, olhando ora para a sala, ora para IRIS. Que continua, trocando novamente de “estilo”) Era isso, Iris? Você se deixava absorver pelo nada? Ficava presa no âmbar? Era isso? O menos do pouco do quase? Sabe o que significa “insignificante”, Iris? Sabe? Você sabia naquele tempo, atenta ao quase do pouco do menos? Era “insignificante” aquilo que você notava? Aquele leve e lento e ínfimo espasmo da begônia a cada três minutos e dezessete segundos? Aquilo? Aquele não latejar, não aroma, não brilho, não rumor... que a begônia emitia a cada três minutos e dezessete... (...) O resto, o que não está nas palavras... o que é que eu sei? Sebastián entendeu, percebeu que meus... que minhas figuras, que meus gestos são... (Faz o gesto da “garra” e, a continuação, uma sucessão de sutis figuras manuais e corporais) eram um... uma... linguagem?, não, uma... um mapa de meus outros... da minha outra paisagem, lá onde não chegam as... Onde todos nós estivemos, sim, vocês também, antes de ver e ouvir, extensão e silêncio, lembram?, quase antes de ser.
(…)
Ele costumava copiar os meus gestos, as minhas figuras... Ou inventava outras... parecidas. E entrava na minha paisagem. Lá, quietos os dois, nós dois, olhando um para o outro sem que nos víssemos, sem se ver, quase que sem respirar. E a paisagem crescia... Primeiro, era o mapa... Depois, o mapa virava paisagem... Lá dentro, a gente se olhando sem se ver... Extensão e silêncio...
Amanhã embarco para o Festival arte.mov, em BH, onde está em competição o curta-metragem Jogo dos 7 erros, realizado na oficina que ministrei no Festival Dança em Foco em julho. Sinto-me feliz que este curta feito com o material do CFTV do SESC Copacabana esteja encontrando seu lugar no mundo. Aproveito a oportunidade para visitar os queridos Bruno e Cinthia, envolvidos em um admirável projeto novo.
Recebi com alegria o convite para participar do debate sobre a interação entre suportes e linguagens no evento Máquinas de Luz. Dizia assim: “Além da interação cinema, vídeo, fotografia, música e artes plásticas, recentemente vemos as artes cênicas incorporando dispositivos imagéticos e tecnológicos na concepção cenográfica dos espetáculos.”
Mais oportuno impossível: meus trabalhos cada vez mais caminham na direção da contaminação da cena de teatro/dança/performance por práticas audiovisuais. Minhas questões: como a presença da projeção, ou do monitor, se relaciona com o espetáculo cênico, como pode potencializar, dialogar, pôr em dúvida ou reforçar uma cena que acontece ao vivo – lembrando que a própria imagem projetada ou transmitida na TV pode também ela estar sendo gerada ao vivo. Então é justamente esta possibilidade da imagem – virtualidade – de adicionar camadas à realidade da cena que anda me interessando na minha pesquisa hoje.
Quando recebi a mensagem do Cezar, sugerindo que o foco do debate recaísse sobre o papel que o acaso desempenha no meu processo de criação, a coisa ficou mais afinada ainda.
NORTE “Qual o papel do que não se domina? As idéias vêm acompanhadas desse imponderável? Ainda, há uma escolha de suporte diferenciada por conta da forma como vocês (no caso eu e Cao Guimarães) imaginam a presença do acaso?”
Decidi iniciar a minha fala pela projeção do curtinha Jogo dos 7 Erros.
Este trabalho foi realizado em um Mini Curso que ofereci no Festival Dança em Foco, em torno de uma poética do movimento em espaços vigiados. Pesquisei, junto aos participantes, tipos de movimentos desenvolvidos que poderiam ser considerados suspeitos, relevantes, interessantes, padrão. Foi a primeira vez que produzi um vídeo, finalizado, com imagens de vigilância, e estou feliz de nosso trabalho ter sido selecionado para a mostra competitiva Arte.mov em BH. Nós atuamos diante das câmeras do SESC Copacabana, recuperamos o material bruto e por meio de um efeito de edição criamos esse anel de tempo aonde a ação de uma tela invade a ação de outra, meio anel de Moebius, uma imagem começa aonde a outra termina, e isto causa um estranhamento meio Lynchiano, gostei. E foi algo que se deu como um feliz acaso, mas um acaso que foi possível graças ao trabalho ao qual nos propusemos. Quando entramos naquele corredor não estávamos com as ações cronometradas, e nem sabíamos que isto poderia ser editado assim, mas tínhamos em mente a tarefa de executar ações com padrões de repetição, reverso e duplicação, a partir de VPs. Viewpoints são uma poderosa técnica de improvisação que lida com o espaço, a arquitetura, a topografia, a forma, o tempo, a duração, a repetição, a resposta cinética e o movimento, subtraindo a psicologia da cena e lidando com a materialidade e a superfície dos corpos. É ótimo. Me faz pensar em Eisenstein, de uma certa forma é construtivista e tenho pensado meu trabalho como realizadora de filmes ultimamente nestes termos.
Já trabalhei com cronômetros, VPs e vídeo-vigilância também, com uma ação realizada na Caixa Cultural, no Festival de Live Cinema ano passado. Chamava-se Cabine de Pensamentos e reuniu 10 performers, 40 sons pré-gravados, 4 câmeras de vigilância, um microfone e uma mesa de corte conectada a um projetor de uma sala de cinema.
Quando eu desvio o sinal da cabine de vigilância para uma sala de projeção eu estou em busca do potencial cênico que toda imagem traz consigo, eu estou interessada em resistir ao dispositivo de controle, invasão, policiamento, e transformá-lo em uma ferramenta para fazer filmes, ao vivo. O risco de fazer as coisas ao vivo, de lidar com o acaso, o fortuito e o imponderável, recombinando minha atenção como editora aos fatos casuais também e não somente aos encadeamentos causais é para mim de extrema riqueza. As imagens de vídeo-vigilancia representam para mim um pan-cinema permanente, para parafrasear o filme do Nader sobre o Waly, ou um continuum do vídeo, para lembrar da expressão usada pelo Paul Virilio.
Alem da apresentação na Caixa Cultural fizemos outras no Circo Voador, no Teatro Gláucio Gil e na ECO/UFRJ, onde precisamente concluí meu Mestrado em Tecnologia e Estética.
Quando eu resolvi trabalhar artisticamente com as imagens produzidas por circuitos de vídeo-vigilância eu entrei num campo novo para mim, que é o campo do cinema ao vivo. Cinema ao vivo: o que é isso? A gente fala e as pessoas arregalam os olhos, porque de uma certa forma todo cinema é ao vivo, quer dizer: é um projetor que está banhando uma tela/ superfície naquela hora, a sessão tem uma duração, todo filme é um acontecimento temporal, performático, não é como um quadro, ou livro aonde o espaço/tempo que se estabelece entre o espectador e a obra não é determinado.
Mas o que a gente chama hoje de cinema ao vivo, Live Cinema, é um tipo de experiência aonde o filme ao qual vamos assistir não é um produto, já terminado, que vai ser simplesmente carregado em um projetor/ tela. O filme, na verdade, se constitui, se consolida, no momento da projeção, literalmente. O filme é o fruto do encontro com um lugar, uma platéia, um espaço e um tempo, e uma combinação entre sons e imagens, sincrônicos ou não.
Uma experiência radical de Cinema ao vivo na qual colaborei foi no roteiro do longa metragem - ou melhor, metragem indefinida! - Ressaca, o filme do Bruno Vianna que é editado ao vivo. Foi uma experiência doida, pois as questões com as quais normalmente nos confrontamos na escritura de um roteiro – que cena vem antes desta, qual é a curva do personagem, etc, enfim, questões narrativas, precisavam ser recolocadas em outros termos o tempo todo. Pois o filme não tem um roteiro pronto, ele tem varias saídas possíveis, então é um roteiro que é mais como um mapa, cheio de caminhos compossíveis, que a gente tinha que desenhar. Então na verdade a gente repertoriou cenas, formas destas cenas se (re)combinarem, caminhos a serem percorridos por estas cenas, quase um VP com o roteiro. E o Bruno, a cada vez que o filme é projetado, recombina estes elementos, às vezes de maneira mais feliz, outras menos, acaba sendo uma questão de treino também. Gosto de sentir o cinema próximo do teatro por esta via, e não pela via clássica.
Pensei agora que seria interessante realizar remixagens de filmes que, embora tenham uma metragem definida apresentam-se mais como mapas de historias do que narrativas clássicas – Ano Passado em Marienbad, para citar o óbvio, Mulholland Drive de David Lynch para ser mais atual.
O fato é que tenho me interessado cada vez menos pelas formas de cinema que se pautam pela execução de um roteiro simplesmente. Acho que há sempre este elemento do imponderável, e aqui a gente pode lembrar daquela afirmação de Godard de que todo o grande filme de ficção tende ao documentário, e vice versa. Se a gente não estiver aberto ao acaso, ao imponderável, em suma, à própria vida, não tem muito sentido fazer filme, é o que eu estou pensando hoje. Então parece que todas as coisas que eu faço acabam meio contaminadas por esta perspectiva e eu vou desenvolvendo um sentido de alerta, de prontidão, de resposta cinética, acho que esta é uma importante característica do meu trabalho hoje. Acho que a gente tem que ser meio camaleão, porque as vezes a coisa não é exatamente aquilo que a gente esta pensando e não dá pra ficar engessado no projeto... O Hitchcock falava que sonhava com uma máquina capaz de reproduzir o filme exatamente como estava na cabeça do diretor, mas eu acredito que o grande barato está no embate entre a idéia que se tem e o acontecimento que é realizá-la... outro dia eu postei no twitter esta frase, que eu tinha ouvido no ensaio da Chris Jatahy, de que temos que ter sempre em mente a complexidade do que estamos fazendo, pra não fazer só uma cena. E o que isto quer dizer? Quer dizer que quando estamos encenando, estamos pondo em crise, estamos pondo em dúvida, somos nós mesmos e somos personagens, somos roteiro e somos vida, é tudo de carne osso e de faz-de-conta misturado com aqui e agora. É tudo acontecimento. Isto é uma característica superbrechtiana que cada vez mais eu entendo ser importante pro meu trabalho e para as colaborações que tenho feito com outros artistas.
Algumas imagens de mistura entre aqui/ agora e imagem – ao vivo ou não- de trabalhos recentes:
MULHER QUE MATOU OS PEIXES – OI FUTURO
O PEQUENO INVENTARIO DE LUGARES-COMUNS – SESC COPACABANA
Este blog começou como um caderno de notas da Dissertação de Mestrado "Composição para Circuito de Vídeo-Vigilância" (2007-2009) e continuou como um espaço onde publiquei referências, links e notas para os trabalhos em andamento até 2015.
Paola Barreto é realizadora, pesquisadora e professora, formada em Cinema pela UFF e Mestre em Tecnologia e Estéticas pela ECO/UFRJ. Cineasta premiada no Brasil, Alemanha e Argentina, exibiu seus curtas em festivais e mostras em diversos países, como Japão, Espanha, Canadá e Holanda. Nos últimos anos tem concentrado sua atuação na criação de projeções e vídeos que investem na relação entre corpo, espaço e imagem. Atualmente é Doutoranda em Artes Visuais na EBA/UFRJ e como bolsista do programa de Doutorado Sanduíche no Exterior da CAPES passou um ano na Universidade de Arte de Berlin na Alemanha.