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Sunday, 3 April 2011

Pacman

enquanto não finalizamos o nosso, mais uma versão :

Tuesday, 28 September 2010

No TEMPO FESTIVAL



1) Em "Coreografia para prédios, pedestres e pombos" vocês propõem um formato singular e híbrido, que mescla as linguagens da dança e do "cinema ao vivo"(este último muito pautado pelas novas tecnologias). Quais são as possíveis relações entre dança e cinema ao vivo, como vocês as investigam? Quais são os desafios em apostar em uma linguagem híbrida?

Comecei a trabalhar com cinema ao vivo em 2008. Já fiz documentários e curtas, mas nunca tinha experimentado o formato ao vivo além das transmissões comerciais de televisão. Minha aproximação com os circuitos de vídeo veio por uma inquietação com a presença silenciosa e avassaladora das câmeras de vigilância, uma espreita constante a qual estamos submetidos cada vez mais nos espaços pelos quais circulamos nas cidades. De que forma poderiamos aproveitar esta ideia disseminada do panoptico para criar videos, não com o objetivo de "vigiar e punir", mas produzindo uma especie de pan cinema permanente, para parafrasear o titulo do filme do Carlos Nader?
Descobri que existem muitos artistas, sobretudo na Inglaterra, trabalhando com imagens de vigilância e CFTVs, que captam, ininterruptamente, ao vivo, todos os dias, os fluxos nas cidades. E comecei a fazer as "Composições para circuito de video-vigilância", que além de pesquisa artística resultou em pesquisa acadêmica, com minha tese de Mestrado defendida na ECO/UFRJ em 2009.
Realizei com o músico David Cole algumas performances utilizando CFTVs na Caixa Cultural, no Glaucio Gil, no Circo Voador, no Oi Futuro. Contudo estava claro que não tínhamos tido tempo para desenvolver uma dramaturgia, um trabalho de corpo, de ator. Acabava que a montagem das câmeras e da mesa de mixagem consumia todo o trabalho.
Re encontrei a Dani Lima em processos de trabalho de outros colegas e nos aproximamos, com o interesse comum de despertar o olhar para uma poética do cotidiano, de percepção das potências estéticas do dia-a-dia, de entendimento do ordinário como matéria do trabalho. O primeiro fruto do nosso encontro foi seu espetáculo "Pequeno Inventário de Lugares Comuns". Tempo e movimento são elementos chave para o cinema e para a dança. É interessante quando experimentamos juntas nestes campos, cada uma com as ferramentas de que dispõe - na dança o corpo, no cinema a montagem - para produzir estranhamentos, deslocamentos e revelações sobre o tempo e o movimento cotidianos.
Ali começamos a gestar a "Coreografia". Neste projeto estamos tendo a oportunidade de sistematizar o trabalho: mapeamos, revisamos, observamos, produzimos. O olhar de cima, ponto de vista privilegiado - olho de deus, olho que tudo vê - nos ajuda a visualizar os padrões de chão, a topografia, nos leva para outro lugar que nos permite ver de fora, aquilo que de dentro nem enxergamos mais. O paisagismo do Largo é Burle Marx, ninguém se lembra disso! Com a estratégia do circuito de video acessamos o espaço publico, estamos dentro do cotidiano, enfim, as coisas parecem se encaixar.

2) O processo deste novo trabalho parece reavaliar a questão do público: a intervenção urbana que faz com que performers e platéia estejam misturados. Os performers, por sua vez, executam ações a partir de uma observação prévia dos pedestres (a partir do mapeamento do Largo). Vocês poderiam falar um pouco mais sobre essa relação entre espaço fechado (teatro) - espaço público?

O público na verdade tem várias formas de assistir ao espetáculo: seja na praça ao nivel do chão em meio aos performers; seja no café do Oi Futuro, onde faremos uma mixagem ao vivo das imagens e sons; seja pelo streaming na internet. A discussão sobre a ocupação do espaço público é fundamental. Um espaço que é ocupado pela lógica do comércio - outdoors, banners etc - pela indústria da segurança - grades, câmeras de vigilância, alarmes - e onde as manifestações artísticas encontram cada vez mais restrições. Ocupar o Largo com a Coreografia é uma forma de afirmar a rua como espaço de experimentação, valorizando a experiência cotidiana e a construção do comum, da comunidade como potência.

3) O "cinema ao vivo" é uma linguagem que está em plena efervescência. Quais são os elos e diálogos entre este novo gênero e a forma cinema tradicional, a videoarte e o cinema experimental?

Nos primeiros anos do cinema, quando ainda não havia uma codificação estabelecida para a linguagem, as vanguardas russas já afirmavam a máxima : "cinema é montagem". Na explosão dos novos cinemas dos anos 60, JLG afirmava não se preocupar em filmar as coisas, mas o que está entre elas. Esta idéia de imagem-relação, de entendimento do cinema não como representação de algo dado, mas como rede de relacões entre imagens e sons que se recombinam e reconfiguram, enfim, uma idéia de processo para o cinema, o acompanha desde a sua origem. Já virou clichê dizer que o filme se faz no encontro com o público, e a videoarte explorou este lugar com obras inquietantes, aonde só há video se há espectador, ou é a própria atividade do espectador que produz imagem para ser vista (Dan Graham, Peter Campus, Bruce Nauman, entre outros) Esta idéia de imersão na obra, de relação do corpo e da presença do corpo com a imagem lançou mão muitas vezes de circuitos de video, espelhos, múltiplas projeções, parangolés. As experiências de Live Cinema hoje são, de certa forma, herdeiras destas correntes que sempre correram paralelas ao cinema "tradicional", clássico narrativo, pautado por lógicas de causalidade. A possibilidade de "navegação" pelas imagens, uma maneira muito contemporânea de acessar os conteúdos, vai sendo facilitada pelas novas tecnologias, sem dúvida, mas suas raízes estão bem antes, acredito que na gênese mesmo do cinema.


4) Como está sendo o processo de construção deste novo espetáculo? (especificamente em relação à dramaturgia)

Está sendo uma loucura! Obra aberta e em processo!

Saturday, 11 September 2010

coreografia para prédios pedestres e pombos

“Coreografia para prédios, pedestres e pombos” é uma colaboração entre a coreógrafa Dani Lima, a cineasta Paola Barreto e uma equipe de 20 artistas e técnicos.
O projeto é composto por uma série de “interações coreográficas camufladas” realizadas por 11 bailarinos/atores na praça do Largo do Machado, na entrada da Galeria Condor e na esquina da Rua 2 de Dezembro. Estas intervenções serão gravadas por webcams, e as imagens serão transmitidas em tempo real, via internet, para o oitavo andar do Instituto Oi Futuro, onde serão editadas e sonorizadas numa performance de “cinema ao vivo”.
Este projeto pretende revitalizar o espaço público do Largo do Machado, lançando um olhar poético sobre a arquitetura, os moradores, a história, o cotidiano e as memórias passadas e presentes do bairro. Da mesma forma pretende mobilizar os freqüentadores e moradores da praça a compartilharem suas experiências e seus registros visuais, compondo uma grande cartografia afetiva do bairro.

De 30 de Agosto a 20 de Outubro estaremos ensaiando todos os dias por estas imediações. De 21 de Outubro a 20 de Novembro apresentaremos a temporada oficial da performance. A entrada será gratuita e todos os moradores, simpatizantes e passantes do Largo do Machado são convidados a assistir, seja diretamente na praça, das janelas de seus apartamentos, pela internet, ou as instalações do Oi Futuro.

De 21 de outubro a 13 de novembro

Horários: quintas e sextas às 17h, sábados às 15h

Em cena: Alice Ripoll, Ana Pi, Átila Calache, Eleonore Agathe, Ginema de Mello, Ibon Salvador, Juliana Medella, Luar Maria Monteiro, Luciana Chieregati, Thiago Gomes e Tony Hewerton,

Ficha Técnica:

Concepção e direção Coreografia: Dani Lima
Concepção e direção Videoinstalação: Paola Barreto

Assistente de Coreografia: Laura Samy
Editor de Vídeo: Alexandre Antunes
Som: David Cole
Câmera: Thiago Britto e Guilherme Guerreiro
Pesquisadora: Poliana Paiva
Design Gráfico: Lola Vaz
Diretor Técnico: Carlos Alexandre Moraes
Rede de Vídeo: Facilink
Assessoria de Internet: Luciana Paiva
Direção de Produção: Verônica Prates
Produção Executiva: Isa Avellar

Monday, 30 August 2010

Cinema São Luiz

fotos do site kinoplex e posts do fotolog http://fotolog.terra.com.br/luizd:1924
O projeto deste cinema foi do arquiteto Jaime Fonseca Rodrigues e sua arquitetura interna foi inspirada no Radio City Music Hall, de Nova York.

Chegou a ter 2002 lugares em 1945, e foi demolido em 06/01/1980, quando foi desapropriado para a passagem do Metrô.

Esta última informação foi comentada, num dos "posts" anteriores por L. H. Neto da seguinte maneira:

"O cinema não foi demolido em 1980 para o Metrô. O que foi demolido foi o magnífico salão de entrada. A sala de exibição ficou incólume, assim como as escadas. Durante as obras do metrô a entrada pela rua do Catete foi fechada e se entrava pela "lateral" do "hall", pela rua Machado de Assis, por uma portinha discreta. Eu ia muito ao São Luiz por essa entrada na Machado de Assis, já que minha namorada da época morava nessa rua. Anos depois o cinema aí sim foi demolido para ser construído aquele shopping que está lá até hoje e em seu lugar os novos cinemas São Luiz que também estão lá até hoje".

Em 16/11/2009, às 12:31:23, Etiel | e-mail disse:

O São Luiz me faz recordar um Largo do Machado que conheci em tempos de adolescência e solteirice. O Lamas, com seu filé à francesa, as frutas na entrada e o salão de sinuca nos fundos.
Em 28/02/2008, às 11:35:32, lyscia disse:
Quando criança adorava esse cinema,sempre acompanhado de um saquinho de bala toffee.

Em 16/11/2009, às 07:14:24, Candeias disse:
O belo registro não dá idéía de com era grande o cinema. Se não me engano tinha três níveis para a platéia, com assentos confortáveis e ótimo som. O primeiro filme que vi ali foi Captain Horatio Hornblower (não me lembro do título traduzido), com Gregory Peck e Virginia Mayo.

Em 28/02/2008, às 01:21:21, Cristina disse:
Lembro muito bem da fachada, mas do hall, suntuoso como nas fotos, não tenho lembrança. Lembro, sim, de como era grandioso.
Á esquerda ficava o Lamas. Ótima pedida para a saída do cinema.
Curiosidade: o Lamas, também demolido para a passagem do metrô, criou um filé - "filé a metrô", um bife que é perfurado por um túnel de presunto.

Friday, 13 August 2010

campo de batalha

Hoje de manhã no Largo do Machado aconteceu uma disputa de território.

Os moradores de rua que ficam ali em frente a Igreja, debaixo das árvores, próximo à Gago Coutinho, partiram para cima dos performers, que estavam fazendo um jogo de cruzar o espaço em frente ao chafariz soltando bolsas no chão, um jogo que chegou a acontecer uma vez, mas que foi atravessado pela invasão dos mendigos, bêbados, revoltados, atacando, distribuindo tapas e xingamentos, tenso.

Estamos na rua, estamos à beira dos ataques, chama a policia, chamar a policia é pior, vem o mendigo articulado "quando a policia vem aqui dar porrada na gente vocês não vêm filmar".

Subimos para a galeria Condor, com licença, vocês tem autorização para estar aqui?

Saturday, 31 July 2010