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Thursday, 9 February 2012

hipóteses brainstorm

se os textos que não são ditos pelos atores, mas lidos pelos espectadores, fossem sendo escritos a medida em que vão sendo lidos? máquina de escrever, manuscrito, quadro negro?

o jogo com o quadro negro em cena - me agrada - ver video marila dardot :
http://www.mariladardot.com/site/?p=21&lang=pt - mão escreve na lousa e apaga
se a palavra baderna aparecesse escrita como se fosse na cidade? em um container?
ou em uma placa? se houvesse uma palavra, um texto, frase, onomatopeia sobre a fita K7? (a fita k7 num mesmo tratamento do container; coleção, acúmulo)

ou então mui simplesmente a letra branca sobre o fundo negro e uma tipografia fuerte, composition - quem faz as artes gráficas?

ou uma palavra projetada na ruas?
e se projetassemos a lojinha coreana quando eles chegam na janela?








Saturday, 3 December 2011

Desconferência Cultura Digital

Sou Professora de Audiovisual, dou aula para alunos da Rede Pública em uma escola especial que é o NAVE, mas também dou cursos livres como o de Narrativas Digitais que estamos concluindo na Biblioteca Parque de Manguinhos, ou o Curso “Outros Cinemas” que ofereci na Escola de Cinema Darcy Ribeiro, entre outros.

Algo que percebo muito claramente é que, diferente do mundo em que eu comecei a estudar cinema, há 25 anos, as novas gerações tem uma familiaridade muito naturalizada com os meios audiovisuais, não apenas como espectadores, mas de alguma forma como operadores. Já se tornou lugar comum falar de como o acesso a informação e as ferramentas de produção e edição de imagens está revolucionando a forma como assistimos e realizamos filmes. Quase todo mundo tem um celular que capta imagens, bem ou mal todos estão habituados com a navegação na web, para ter um canal no youtube basta ter uma conta de e-mail... de alguma forma o compartilhamento desta rede de significados se dá em diversas esferas.

O desafio de se colocar como Professor neste cenário é gigantesco. Comecei uma vez uma aula falando sobre câmera subjetiva e os alunos não estavam entendendo, depois de um tempo um deles me disse, ah, isso ?!! É como jogar em primeira pessoa no vídeo game! Pois é como não pensei nisso antes.

A cultura dos games, super presente no cotidiano da garotada, incita a uma experiência de hiper visualidade, onde podemos girar voltar congelar avançar retroceder, enfim, um modo de navegação da imagem que serve para ilustração de qualquer posição de câmera de uma decupagem!

Vejo meu filho de 9 anos que navega com desenvoltura pelas ruas mapeadas pelo Google Street View realizando travellings e panorâmicas incríveis. Neste cenário, dar “aula” de cinema é um desafio.

Fundamental incorporar estas novas ferramentas ao aprendizado. Com os alunos vamos aprendendo juntos, acho muito sutil e sensível que em francês o verbo aprender, apprendre, possa ser utilizado tanto no sentido de aprender: j’apprends como no sentido de ensinar je t’apprends quelque chose. Eu aprendo, eu te aprendo, eu aprendo com você, você aprende comigo, eu te ensino, você me ensina a ensinar, eu te ensino a aprender...

Pensando desta forma e neste contexto contemporâneo, as vezes e difícil lidar com as estruturas da instituição escolar, as avaliações bimestrais, as provas e todo o aparato da escola. A escola está em crise não nos cansamos de repetir. O formato da sala de aula, o professor na frente, o quadro... Difícil. Professor como pólo irradiador do conhecimento? Tenho 30 alunos em sala, um deles me pede uma informação sobre um software que eu desconheço, estamos no laboratório, ele caça um tutorial na web e em 10 minutos ele está explicando para a turma e estamos todos juntos aprendendo. Para alguns este momento de transição é uma momento de pânico e perda de “autoridade” - pois o que irá nos diferenciar, professores e alunos? Lembro aqui do mestre ignorante:

No método emancipador pode-se ensinar qualquer coisa, mesmo sendo ignorante no assunto. Mas, para isso, é necessário emancipar o aluno, ou seja, fazer com que o aluno aprenda sozinho, usando apenas sua própria inteligência. E este seria o Ensino Universal. Conseqüentemente, pode-se também aprender qualquer coisa. Já no método embrutecedor, o da explicação, o mestre mantém-se distante do aprendiz, pois transmite um conhecimento em partes e o aluno terá de esperar para aprender mais no ano seguinte, deixando o professor num grau sempre superior ao do aluno.

Wednesday, 18 May 2011

ENCONTRO 1


Oficina começou aqui na Darcy com um grupo muito interessante e bem heterogêneo. Vamos trabalhar nos primeiros encontros pra criar um vocabulário comum, desenvolvendo um repertório de referências e interesses que atravessem todos.
Não queria abrir os trabalhos falando de vigilância, mas como não poderia deixar de ser neste encontro de introdução da proposta acabei falando do trabalho de Dan Graham, mas não me lembrei de jeito nenhum de seu nome na hora!
Amanhã à noite posto a aula de hoje revisada.

Sunday, 21 March 2010

Políticas Repressivas

O artigo Os avanços, limites e perigos das UPPs, escrito pelo sociólogo Luiz Antonio Machado da Silva e publicado ontem no Caderno Prosa e Verso do Jornal Globo, propõe uma análise complexa da atuação da polícia no Rio. Merecia estar no primeiro caderno do jornal. Lamentável que tenha sido incluído na terceira página do suplemento literário, totalmente fora de contexto, e justo quando trata de um tema tão candente quanto as UPPs.
No primeiro caderno, na página 19, temos uma matéria assinada pela repórter Ana Cláudia Costa, outra por Elenice Bottari, além de um box de opinião do jornal, que reproduzem o discurso "eufórico da mídia" ao qual se refere o Dr. Machado da Silva no caderno Prosa e Verso.
A "criminalização da notícia" como definiu o Professor Nilo Batista em entrevista recente ao Professor Wood, demonstra que ali não interessa discutir política, mas se A ou B foi preso, se C ou D quebrou o vidro de um carro, se o PM era ou não irmão de um traficante. Valeria muito mais ter colocado as considerações do sociólogo lado a lado com os textos jornalístico e editorial; o jornal perdeu uma grande oportunidade.

Em seu texto o Professor Luiz Antonio chama a atenção para a importância de se fazer uma avaliação nuançada do projeto das UPPs, justamente para o aprimoramento do programa. O aplauso acrítico, no seu entender, apenas empobrece e não contribui para o aperfeiçoamento da iniciativa.
O Professor pondera ainda sobre o esvaziamento político das associações de moradores, e alerta também para o risco de as UPPs "policializarem a atividade político-administrativa nos territórios de pobreza".
Transcrevo aqui dois trechos que me tocaram mais profundamente. O artigo é brilhante e merece ser lido com atenção.
"A fraca capacidade reinvindicativa da população que mora nas áreas direta ou indiretamente afetadas pelas UPPs, resultante da convicção de que precisam ser pacificadas, impede sua aceitação plena como participantes legítimos das arenas públicas."

"Civilizar a polícia ou civilizar populações que devem ser "pacificadas"?

Saturday, 20 March 2010

Crítica Construtiva

Me soou muito agressivo o tom da crítica de Filipe Furtado na revista eletrônica Cinética sobre o filme "O segredo dos seus olhos", de José Campanella .
A forma como o texto termina me deixou com uma amarga sensação…
"Enquanto se afunda mais na sua pseudo-elegância grosseira, O Segredo dos Seus Olhos confirma que o charme de O Filho da Noiva foi acidental e que o de mais relevante Juan José Campanella filmou são seus três episódios de House mesmo."

Apesar de oferecer boas chaves para análise do filme, o texto se empenha tanto em desqualificar o realizador, que me lembrou o estilo da Veja, com o perdão da comparação...
Fui assistir ao filme incensada pelo celebrizado plano-sequência pirotécnico já dissecado no youtube, pelo Oscar de filme estrangeiro e por todo o hype que se criou em torno do longa-metragem.

Com diálogos inteligentes e cheios de humor, um elenco com ótimo timing e uma produção impecável, dá pra entender porque o filme de Campanella levou 2 milhões de argentinos aos cinemas, o que não é pouca coisa, se pensarmos o cinema como um fenômeno de massas e o estado de coisas do mercado latino-americano. O filme tem muitos pontos fortes, emociona, toca, enleva.
Contudo, me parece que como pensamento de cinema, ainda faltam ali alguns lances importantes. O filme se apóia demais em formatos de gênero e certo uso da música como pontuação, o que cria zonas de previsibilidade e me leva para fora. Os códigos clássicos são mais usados à risca do que como paródia, há uma série de mecanismos e ferramentas audiovisuais facilmente identificáveis, e este reconhecimento me interessa menos do que abordagens mais intrigantes, surpreendentes e de difícil decodificação, como é o caso da Fita Branca, por exemplo.
Mas daí a acabar com a raça do diretor vai uma grande distância.
Hay que endurecer pero sin perder la ternura jamás!

Saturday, 6 March 2010

duas notas sobre o globo de hoje 2

Christ-Cam
Deu também no Globo de hoje: o monumento ao Cristo no Rio de Janeiro ganhará câmeras para transmissões de eventos on-line. O Redentor, braços abertos sobre a Guanabara, terá também olhos abertos sobre a cidade. As imagens serão disponibilizadas no site da Arquidiocese, mostrando, ao vivo, “tudo o que acontece no Cristo”, nas palavras do representante da Cúria Metropolitana. Quem souber dos prazos da licitação para contratação da empresa que será responsável pela realização deste serviço me avisa!

Wednesday, 4 November 2009

portabilidade na curta cinema

Outras Telas – O Curta para Além do Cinema
04/11 - 17hs - Caixa Cultural


As telas já não são mais privilégio da sala de cinema ou da sala de TV há bastante tempo.

Companheiras cada vez mais habituais das viagens de elevador, metrô ou avião, as telas multiplicam-se não só pelas redes de transporte, mas também na arquitetura dos espaços comerciais e das redes de serviços, para não citar os circuitos fechados e de vídeo-vigilância.

Hoje vemos crescer, somadas a estas, o numero de telas de MP4s, Laptops e celulares.
A imagem cabe no bolso, e pode ser carregada por um toque dos dedos.
A convergência de mídias digitais produz aparelhos híbridos que além de efetuar ligações, navegam pela internet, baixam, gravam e reproduzem filmes.

Este caráter de portabilidade da imagem, e sua inscrição em uma rede de informações e funções, certamente altera a forma como os conteúdos são percebidos e produzidos.
As pessoas estão em busca de mobilidade e velocidade. O que dá uma qualidade de efemeridade ao que é produzido.
Como poderíamos definir novos parâmetros para a produção audiovisual neste quadro?
Há espaço para as obras primas neste ambiente?
Esta abundância de imagens pode resultar em uma saturação?
Corremos o risco de um niilismo das imagens?

O longa-metragem Cafuné foi lançado na rede e nas salas de cinema ao mesmo tempo, oferecendo ao ciber-espectador a possibilidade de montar, ele mesmo, a sua própria versão da história. Novas experiências como a do filme-jogo a gruta também apontam para este caminho de interação autor-obra-espectador.

A cultura colaborativa e as ferramentas da chamada web 2.0 estão contribuindo para a modificação na noção de autoria.
Como a SAV vê questões do direito autoral?
Uma nova regulamentação específica está sendo pensada?

A portabilidade das telas é um dos lados de uma moeda.
No outro estão a portabilidade das câmeras. Todo e qualquer um hoje é um potencial cineasta. Falando do projeto curta na escola: Há algum tipo de investimento no ensino de cinema nas escolas ou o projeto restringe-se a exibição de filmes? A SAV tem algum programa de apoio ao ensino de audiovisual nas escolas, agora que as câmeras e telas estão ao alcance de todos?

A Secretaria do Audiovisual é um órgão fundamentalmente pautado por um modelo de produção de cinema e televisão bastante ligado aos grandes suportes e estruturas de produção. Qual a importância de se defender a produção de filmes com cópias em 35mm?

Com a presença dos seguintes debatedores:

Silvio Da-Rin – Secretário do Audiovisual – Minc/SAV
Secretario do Audiovisual, Técnico de Som direto e Mestre em Comunicação pela ECO

Julio Worcman - Porta Curtas Petrobras / Curta Na Escola
O Projeto Porta Curtas é pioneiro em disponibilizar curtas metragens brasileiros na rede, contando hoje com o maior banco de dados deste formato da internet, com presença ativa e premiações em festivais e mostras.

Alberto Magno – M1ND - Alberto Magno é matemático e físico. Dono da M1nd Corp (www.m1nd.com) e fundador da AS TV (www.astv.com.br), que oferece infra-estrutura para sites e transmissão de imagens e dados, além de criar soluções para o mercado de internet.

Denis Acatauassú Paes Barreto - Gerente de Inovação e Service Creation de VAS – Tim Brasil

Fernando Salis – ECO/UFRJ – Desenvolve um trabalho de pesquisa e prática com performances e cinema ao vivo.