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Tuesday, 1 November 2011

refs


http://robertacarvalho.carbonmade.com/projects/2772434#11

Monday, 4 April 2011

Aterro do Flamengo

Tá lá o corpo estendido no chão.
O flagrante é a indiferença das pessoas.
O cooper, o alongamento, o polichinelo, o abdominal.
Todos estes, sinais de um vitalismo, de uma necessidade de pôr o corpo em marcha, contrastando com aquele corpo inerte, esquecido, profanado pois não ritualizado.
O morto no meio da cena da vida: não monta.
Estranheza que beira o surrealismo.
Surrealismo em uma cena tão real quanto pode ser real uma imagem de vigilância.
Para a diretora é o olhar do espectador de teatro que dá sentido ao filme, e é por meio da lógica da tragédia que a edição divide o acontecimento em episódios.
O quão de encenação podemos perceber de uma observação atenta, demorada e distanciada do espaço público?
Pela distância e pela duração, e a insistência na imagem, a insistência no quadro, as pessoas parecem miniaturas, brinquedos, marionetes. Parecem meio ridículas, risíveis, escrotas.
E o corpo no chão.
A Guarda Municipal chega, e mantém o mesmo physique de rôle dos que lá já estavam: hesitacão, inércia. Nada se resolve. Inépcia, ineficiência, desamor.
Quando o corpo é enfim coberto,
o filme acaba.
Acho que a diretora é italiana, e se enrolou um pouco com as palavras na hora de falar sobre o próprio trabalho.
Acho meio caído a pompa e circunstância de "um filme de" e também só ter crédito para fotografia e não ter pra som.
Enfim, detalhes. Mas que causam um certo desconforto - o dispositivo não é "um filme de". Tanto que ela própria comentou que pretende começar seca assim como já acaba seca. No entanto quando ela agradece pelos comentários sobre a movimentação das pessoas, se trai. Não foi orquestrado por ela, mas testemunhado por sua câmera.
Valeu. Bom ir ao cinema domingo à noite.

Aterro do Flamengo

Competição Brasileira - Longa e Média-Metragem

ALESSANDRA BERGAMASCHI

BRASIL - RJ / BRAZIL - RJ

46', cor, HD CAM, 2010

Diálogos: SEM DIÁLOGOS / NO DIALOGUES


  • CINE LIVRARIA CULTURA (SÃO PAULO - SP): 02/04 - 19H00M
  • CINE LIVRARIA CULTURA (SÃO PAULO - SP): 04/04 - 15H00M
  • UNIBANCO ARTEPLEX (RIO DE JANEIRO - RJ): 03/04 - 21H00M
  • UNIBANCO ARTEPLEX (RIO DE JANEIRO - RJ): 04/04 - 15H00M

Uma câmera estática flagra, em tempo real, uma cena urbana, seguindo as reações de um grupo de pessoas a uma tragédia em plena rua, em espaço público. Pessoas param, olham, intervêm. Ou não percebem nada, continuando sua rotina inalterada. A espera de providências, o vai-e-vém, a curiosidade, a surpresa, a exasperação, os sons da rua, a expectativa, tudo isso entra na composição de um filme que se identifica com a onipresença e a impessoalidade de uma câmera de segurança, mas cuja intencionalidade flagra de longe mas de maneira profundamente reveladora um estado de coisas de uma grande cidade, de um país e de uma época.

R: ALESSANDRA BERGAMASCHI | DF: GABRIELE MARVASI | C: GABRIELE MARVASI | SD: ALESSANDRA BERGAMASCHI | M: ALESSANDRA BERGAMASCHI | Mu: ALESSANDRA BERGAMASCHI | Es: ALESSANDRA BERGAMASCHI | P: ALESSANDRA BERGAMASCHI | PE: ALESSANDRA BERGAMASCHI | CP: ALESSANDRA BERGAMASCHI |

Friday, 26 November 2010

globocop live show

Pra ver do alto a fila de soldados, quase todos pretos/ Dando porrada na nuca de malandros pretos/ De ladrões mulatos / E outros quase brancos/ Tratados como pretos/ Só pra mostrar aos outros quase pretos/ (E são quase todos pretos)

Friday, 13 August 2010

campo de batalha

Hoje de manhã no Largo do Machado aconteceu uma disputa de território.

Os moradores de rua que ficam ali em frente a Igreja, debaixo das árvores, próximo à Gago Coutinho, partiram para cima dos performers, que estavam fazendo um jogo de cruzar o espaço em frente ao chafariz soltando bolsas no chão, um jogo que chegou a acontecer uma vez, mas que foi atravessado pela invasão dos mendigos, bêbados, revoltados, atacando, distribuindo tapas e xingamentos, tenso.

Estamos na rua, estamos à beira dos ataques, chama a policia, chamar a policia é pior, vem o mendigo articulado "quando a policia vem aqui dar porrada na gente vocês não vêm filmar".

Subimos para a galeria Condor, com licença, vocês tem autorização para estar aqui?

Thursday, 12 August 2010

Avançando a reflexão

Muitas questões éticas sobre a obra no espaço público.
É muito diferente fazer este trabalho dentro de um espaço fechado como a Caixa Cultural, o Circo Voador, ou a ECO, de realizá-lo no meio do caos do espaço aberto do Largo do Machado.
Me parece que a questão da vigilância sobre o espaço público, do monitoramento das ações, dos transeuntes e do televisionamento disto tem que ser muito mais problematizada e em um grau bem mais depurado do que o simples ato performático, estético, e mesmo brincalhão onde me situei até aqui.
Assim como os comerciantes estão colocando suas câmeras, nós, artistas, estamos colocando nossas câmeras.
O discurso dos comerciantes é claro: "não pegue as mercadorias sem pagar pois estamos de olho em você"
O discurso dos condomínios fechados é claro "só entre aqui após se identificar e se for autorizada a sua entrada"

E o nosso?

O Alex Cassal, certeiro, pergunta via e-mail (reproduzo trechos):

Estas propostas "invisíveis" que interferem com os passantes tem que ser colocadas sob uma perspectiva ética. As pessoas estão ali vivendo as suas próprias vidas, com suas preocupações e necessidades, e não se ofereceram para participar como figurantes em um trabalho de arte. Não falo de direito de imagem, mas em usar pessoas sem lhes dar nada em troca, sem lhes dar a opção de não participar da cena. No fim das contas, é a mesma lógica utilitarista das pegadinhas televisivas, do telemarketing e dos paparazzis.
Em termos de sustentabilidade, o que este trabalho está devolvendo ao meio-ambiente, o que ele oferece às pessoas que participam dele sem saber?

Marquei domingo um encontro com a Beth Formaggini, cabeça incrível, que já trabalhou com TVs comunitárias e viu no nosso projeto uma forma de mobilização da comunidade, vamos pensar algo mais potente para nossa dramaturgia...

Marquei para terça feira um teste com câmera IP, finalmente, eu já estava aflita deste aspecto técnico fundamental estar relegado a segundo plano, diante de tantas questãs!

Thursday, 10 June 2010

VIGILANCIA PARA QUEM PRECISA!

SENADO FEDERAL

Secretaria-Geral da Mesa

Acompanhamento de Matérias


As seguintes matérias de seu interesse sofreram ações em: 07/06/2010


SF PLC 00119 2009


Ementa: Dispõe sobre a obrigatoriedade de instalação de câmeras de filmagem nos centros comerciais e similares....

07/06/2010 SSCLSF - SUBSEC. COORDENAÇÃO LEGISLATIVA DO SENADO

Encaminhado ao Plenário para comunicação do término de prazo para interposição de recurso.

07/06/2010 ATA-PLEN - SUBSECRETARIA DE ATA - PLENÁRIO

Situação: REJEITADA


A Presidência comunica ao Plenário que se esgotou na última sexta-feira o prazo previsto no art. 91, § 3º, do Regimento Interno, sem que tenha sido interposto recurso no sentido da apreciação da matéria pelo Plenário, que tendo sido rejeitada pela Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania, vai ao Arquivo. À Sarq.

Monday, 19 April 2010

exagero


confeitaria colombo, posto 6, forte de copacabana

Wednesday, 14 April 2010

Um email aos professores do NAVE

Acabei de ler este texto da Dra. Paula Sibilia, Professora do Departamento de Estudos Culturais e Mídia da UFF, e gostaria de compartilhá-lo com vocês.
http://p.php.uol.com.br/tropico/html/textos/3176,1.shl
A Professora chama a atenção para a presença de câmeras de vigilância em escolas públicas e faz uma análise sombria do que chama de 'fracasso da instituição'.
Não sei se compreendi inteiramente todas as idéias propostas pela Profa, nem se concordo com tudo o que ela expõe ali, mas resolvi compartilhar este texto pois as questões da segurança, vigilância e 'policialização' das relações no ambiente escolar são complexas e precisam ser debatidas.
Saudações Cordiais,

Tuesday, 2 February 2010

hausaufagabe

Vigilância e Acesso: Um estudo comparativo da utilização de circuitos de vídeo por diferentes grupos no Rio de Janeiro

A crescente utilização de câmeras por sistemas de vigilância tem sido largamente observada nos âmbitos públicos, semi-públicos e privados no Brasil, como pudemos constatar no Simpósio Vigilância, Segurança e Controle Social, realizado em Curitiba.

É notório que em países como a Grã-Bretanha, os EUA, ou a França, o investimento em circuitos de vídeo se dá sobretudo como uma política governamental de segurança e controle social, amparada por marcos regulatórios que possibilitam a organização de grupos ativistas em torno de um discurso contra os significados simbólicos e efetivos da presença destes dispositivos. No Brasil, no entanto, a combinação entre a ausência de uma legislação específica e a ineficiência do poder executivo contribui para deformações diversas, sendo praticamente impossível compreender e responder ao fenômeno de maneira unificada.

No Rio de Janeiro, especificamente, este panorama mostra-se extremamente complexo, uma vez que o alarmante quadro de desigualdade social permite que os circuitos de vídeo sirvam a interesses de grupos variados, com objetivos claramente distintos, que vão de práticas criminosas à formação de condomínios ilegais, passando pelo policiamento preventivo de favelas e a exploração sensacionalista da mídia. Desta forma torna-se necessário analisar detidamente as particularidades das diferentes manifestações dos circuitos de vídeo, suas implicações e efeitos.

Neste artigo propomos a abordagem do fenômeno das câmeras de vigilância na cidade do Rio de Janeiro em 4 diferentes esferas, comparando suas semelhanças e diferenças. Como metodologia adotamos a pesquisa de campo com entrevistas e a consulta a artigos publicados em periódicos e revistas, mantendo uma perspectiva crítica atenta às liberdades civis.

Em primeiro lugar analisamos o circuito fechado de vídeo como prática da Secretaria Estadual de Segurança Pública, e nos detemos no caso específico do sistema de monitoramento instalado pela Polícia Pacificadora que ocupa a comunidade Santa Marta.

Em segundo lugar analisamos dois casos de centrais de monitoramento clandestinas operadas por facções criminosas, descobertas nas comunidades de Parada de Lucas e do Morro dos Macacos.

Em terceiro lugar, analisamos o impacto do circuito de vídeo instalado pela Milícia que dominava a comunidade do Batan, também recentemente ocupada pela Polícia Pacificadora.

E em último lugar nos voltamos para os sistemas de vigilância instalados em condomínios das classes média e alta nos bairros da Zona Sul carioca, aonde os circuitos de vídeo apresentam-se não como instrumentos de segurança pública, mas de segurança privada.

Desta forma o artigo propõe uma reflexão sobre a vídeo-vigilância articulada a questões de ordem e conflito entre classes sociais.

Vigilância por quem e para quem?

Thursday, 17 December 2009

Bangu na era da tecnologia


Sabrina Netto

Paulo Nicolella

Rosinha Matheus e Anthony Garotinho testam o sistema de monitoramento por câmeras de Bangu 1: imagens serão gravadas em DVD

Quase dois anos depois de ser destruída por traficantes em uma rebelião no dia 11 de setembro de 2002, a penitenciária Laércio da Costa Pellegrino (Bangu 1) ganhou tecnologia igual à encontrada na famosa Penitenciária de Presidente Bernardes, em São Paulo, onde está preso o traficante Fernandinho Beira-Mar. A obra, de R$ 2,2 milhões, levou cerca de 4 meses para ser concluída. Agora, os 34 internos da penitenciária - com capacidade para 48 - não podem mais ter contato direto com advogados, agentes ou policiais militares, que ficarão separados por vidros à prova de balas. Foram instaladas 72 câmeras, capazes de aproximar 300 vezes uma imagem a 500 metros de distância.

Para o secretário estadual de Administração Penitenciária, Astério Pereira dos Santos, Bangu 1 é uma das mais seguras penitenciárias do país, superando Presidente Bernardes. Mesmo com toda a segurança, o traficante não é bem-vindo de volta ao Rio. A governadora repudia a idéia de ter Beira-Mar no Estado e Astério prefere sugerir possíveis trocas entre presos perigosos de outros estados.

- No enfrentamento do crime organizado, não se pode colocar um líder junto de seus principais associados. Isso gera o enfraquecimento da segurança. Mas o Rio tem condições de receber bandidos de alta periculosidade e está aberto a política de troca estabelecida pela Lei de Execução Penal - garantiu o secretário.

Segundo Astério, as imagens do presídio, exibidas em dois monitores e gravadas em DVD, poderão ser armazenadas por 30 dias. Os pacotes levados pelos visitantes deverão passar por aparelhos de raio X e detectores de metal.

O único contato físico dos presos será na visita familiar ou íntima, já que todas as 48 portas são automáticas e controladas por computador. De acordo com a secretaria, nem mesmo nas refeições ou na saída e entrada de presos nas celas - às 10h e às 17h - os agentes poderão ser vistos. Segundo Astério, um PM fica instalado em uma sala em cada uma das quatro galerias, onde há doze celas individuais.

De acordo com a governadora Rosinha Matheus, em dois meses, uma guarita e uma cerca dupla cortante deverão estar prontas, separando as 5 unidades do Complexo Penitenciário de Bangu dos demais presídios da área.

- Em Bangu 1 jamais acontecerá outro 11 de setembro. Mas não estamos livres disso em todas as 35 unidades. Para a substituição do Complexo da Frei Caneca já temos R$ 90 milhões liberados. Quanto ao Ary Franco, a arquitetura é desumana e o local inadequado. Mas para retirá-lo de lá, só com recursos do Governo Federal, que podem sair no ano que vem - disse Astério.

Para Paulo Ferreira, presidente do Sindicato dos Agentes Penitenciários, a modernização da unidade não passa de mera propaganda.

- Por que um presídio com capacidade para 48 presos tem tecnologia, 10 agentes e dois policiais militares, se outro ao lado abriga cerca de 1.400 internos monitorados por apenas 10 agentes ? - questiona Paulo, usando como exemplo o presídio Vicente Piragibe, uma área de 78 mil metros quadrados. Bangu 1 tem cerca de 4 mil metros quadrados.

Ontem, a secretaria de Controle e Gestão liberou R$ 14,9 milhões para a construção do Complexo Penitenciário de Japeri e do Presídio de Campos dos Goytacazes.

Monday, 27 July 2009

conversações

uma idéia a ser desenvolvida:
o contexto brasileiro e latinoamericano de controle e vigilância.

chaves:
as formas arcaicas de coronelismo.
a cultura escravocrata que governa em benefício próprio.
as diferenças de experiência de cidadania.
diferenças com relação a classe e ao status social.

Friday, 10 July 2009

smile, you're on tape

Google Street View started photographing some brazilian cities last week.
They announced their association with FIAT, that equiped dozens of cars with a camera dispositif to make the panoramas. I have seen no discussions nor debate around it.
I was planning to introduce some fiction on their documentation, following the idea proposed by the artists of a street with a view, and I talked to Enrique Diaz to stage something in Laranjeiras, Rua General Glicerio, where he lives with Mariana and lots of friends, artists, photographers, etc. He was not sure if he wanted to associate with Google, why should he? He said he has a feeling - and this is something difficult to translate - "de colocar azeitona na empada do google".
Why should we play for them? Are we going to be paid for that?
Well, before we could develop our considerations Fernanda Bruno got a hot contact telling that they're not interested in incorporating performances in their pages. They want to take pictures of the places "as they normally are".
But what is normallity? Is there any possibility of portraiting it? The act of portrating something means that something special is going on? What is special?
Well...

Tuesday, 16 June 2009

olimpiadas de matematica

diferente decantar um material na ilha de edição de cobrir um OFF pra uma matéria de tv.
dois tempos distintos - jornalismo e documentarismo.

Tuesday, 24 March 2009

marta peres manda notícias

o texto abaixo me foi enviado por email pela marta peres

'em tiroteio todo mundo é perdido que nem cego'

Queridos amigos
preciso contar para todo mundo o quanto estou feliz por
ESTAR VIVA!!!
Escrevo isso ao som de helicópteros sobrevoando a cidade bem perto daqui.
Ontem, por volta de 18:15h, desisti de esperar o Juca chegar da escola
para ir com ele dar um beijo na minha irmã que vai ganhar sua terceira
filha hoje e fui vê-la sozinha. Ele estava com muito dever pra hoje e
além disso poderia fazer bagunça quando ela tem que descansar.
Pensei, já que estou sem o Juca, vou de ônibus, prefiro andar de
ônibus que de carro, me sinto mais livre.
Poderia ter tomado o 464 na Barata Ribeiro que deixa na porta dela,
mas como dá muita volta, corri e alcancei um 415 parado num sinal na
Tonelero.
Sabia da guerra no Tabajaras, mas fui na fé, e fiquei feliz quando o
ônibus já havia ultrapassado tranquilamente as ruas Siqueira Campos e
Figueiredo de Magalhães, pensei, beleza, tudo já se acalmou.
Anotei 3 idéias e projetos na agenda, como sempre, e pensei, não vou
escrever poesia nem crônica, vou ficar observando a paisagem, e
experimentar não fazer nada.
Saí com 5 reais exatos para ir e voltar do Leblon de ônibus.
Depois da Santa Clara, à altura da Anita Garibaldi, começamos a ouvir tiros.
Os passageiros começaram a gritar 'é tiro, gente', 'motorista, dá ré',
'sai daqui', como se desse pra sair, eu gritei 'abaixa, gente!', nos
jogamos todos no chão.
Os tiros estavam passando muito perto, o camburão da polícia estava
emparelhado com o ônibus, e atirava numa van onde os traficantes
fugiam.
As pessoas gritavam pedindo para sair, para derrubarem a janela de
emergência, eu falava 'cuidado', na rua pode ser pior, e rezava
'ave-maria-cheia-de-graça', 'ave-maria-cheia-de-graça',
'ave-maria-cheia-de-graça', e só, não passava daí, me escondi debaixo
de um cara bem gordo e do banco do ônibus, cobrindo a calota craniana
com as mãos, como se adiantasse alguma coisa. de manhã estudei tanto
neurofisiologia pra dar aula, foi como se em décimos de segundo eu
sentisse na pele a fragilidade de todo este complexo sistema que me
faz sentir e me mover e que pode simplesmente parar de funcionar se
acontecer de estar passando na linha de tiro de uma guerra.
Falava 'vamo rezá galera' e para com isso, para, como se os tiros
fossem parar só porque estávamos ali no meio, só pensava 'minha
sobrinha vai nascer amanhã, não posso morrer agora, tenho que ver
minha sobrinha'. Tenho tanta coisa pra fazer... e todos os meus
projetos...? não posso morrer hoje!
Até que alguém conseguiu a porta e derrubar a janela, 'vamos sair
daqui de dentro', o ônibus estava encostado à beira da calçada em
frente a um boteco, descemos um por um e eu zuni para a cozinha no
fundo, junto com mais umas 5 pessoas, 3 mulheres e dois homens, me
joguei no chão cheirando a óleo, as mulheres gritavam e choravam
avisando pessoas pelo celular, os homens paralisados, fechamos só a
porta tipo saloon da cozinha, tinha outras pessoas na parte da frente
do boteco, todos pedindo pro cara de lá fechar a porta da rua e nada
dele fechar, ainda ouvimos a movimentação de um policial correndo e
atirando passando por aquele espaço estreito de calçada.
Alguém avisou 'tá passando na televisão', eu não tive coragem de
espiar pra fora da cozinha, fiquei lá quieta, falava, o pior já
passou, consegui ligar pro André filando o celular de uma das mulheres
e ele me disse que o Juca acabava de chegar, ufa, o Pedro eu sabia que
estava na escola de cinema, no centro, longe dali.
As pessoas contavam, 'tem 5 corpos caídos na rua', outras diziam que eram 7.
à medida que foi acalmando o som, as pessoas foram saindo, fui a
última a ir embora, pude ver um policial cumprimentando o outro
calmamente como se estivesse na cantina do cinema, uma sensação
estranhíssima, de estar muito muito viva, sobre as pernas, caminhando
pela Figueiredo em direção à praia, ainda senti medo quando passaram
mais camburões e carros da polícia com a sirene ligada e pedi para o
porteiro esperar passarem todos no hall de um edifício.
Perguntei para algumas pessoas se elas sabiam o que tinha acontecido,
umas sim, outras nem aí, um cara com duas moças, disse, triunfante,
com relação aos corpos caídos na rua, 'é bom, a polícia está fazendo
seu trabalho, está trabalhando bem', e eu perguntei, 'e a gente, que
está passando pelo caminho deles?' ele fez uma cara indiferente.
consegui tomar um táxi pra voltar pra casa.
senti vontade de mudar tudo, de ser diferente do que eu sou, de
começar outra vida.
não sei bem como nem por onde começar.
mas sobrevivi
estou muito feliz por isso

Friday, 20 February 2009

unfinished

A matéria global sobre a camera oculta no caixa eletrônico me lembra duas coisas.
De cara o trabalho da Sophie Calle, en finir. Ainda não entendi como é que o banco lhe ofertou para que fizesse um trabalho artístico, os videogramas de seus clientes efetuando operações financeiras. Sophie nunca se satisfez com as apropriações que fez das imagens, inevitavelmente contaminadas pelo dispositivo que está ali pelo dinheiro, não pelas pessoas, nas palavras da artista.
Em segundo lugar e mais prosaicamente, lembro-me da camera de vigilancia do posto Texaco da Rua das Laranjeiras, que está apontada para as máquinas onde os clientes digitam a senha de seus cartões. Quem for abastecer por lá, atenção.

Tuesday, 30 September 2008

contra o mau olhado


as pessoas instalam câmeras como uma forma de proteção.

"- o grande olho que tudo observa vela por nós."
"- olhai por nós."

Thursday, 24 July 2008

SP Destak

Hoje no sinal de trânsito em SP recebo o jornal SP Destak, distribuído gratuitamente, com uma manchete praticamente endereçada aos meus interesses.
Abaixo publico na íntegra a matéria.

PM Cria Central com 80 câmeras para combater a violência em SP

Meta é integrar sistemas da CET, do Metrô e da CPTM à sala de monitoramento até 2011

“A policia militar inaugurou ontem o sistema de videomonitoramento da capital, que, inicialmente possui 80 câmeras localizadas em áreas com elevada ocorrência de crimes. A meta é chegar a 100 até setembro e a 200 em 2009.
Ao sistema, informa a corporação, serão integradas as imagens captadas pelas 35 câmeras da Guarda Civil Metropolitana (GCM). Até 2011, a policia quer contar com a rede de monitoramento mantida pela CET, DER, SPTrans, Metrô e CPTM.
Por razões de segurança, a PM não divulga a localização de todas as câmeras, que giram 360 graus e tem um alcance de 600 metros.
As imagens são transmitidas por sinais de rádio à central, de onde os policiais podem acionar a viatura mais próxima a uma ocorrência.
No total, o sistema custou pouco mais de 6 milhões.
Durante a fase de testes o monitoramento já se demonstrou eficaz: uma tentativa de roubo aos fios foi flagrada na Avenida Tiradentes.”


Uma análise simplista talvez, mas é o que penso e posso aqui:
O fato de o local das câmeras não ser revelado por “uma questão de segurança” vai contra um dos princípios básicos da lógica do controle, como analisada por Michel Foucault, que seria justamente o (re)conhecimento e a internalização da presença do olhar do vigia (ver: Vigiar e Punir) Através deste re-conhecimento se estabeleceria uma antecipação da vigilância, e justamente por saber-se da presença das câmeras o vigiado não agiria como delinqüente. Em resumo: a vigilância operaria por antecipação, não por flagrante. (Volto aqui a idéia de 'imagem futura' versus ‘prova do crime’)
Nesta lógica da PM, deixa-se cometer o ato para prender, as câmeras são usadas não como preventivas, mas como repressivas.
Aguardando para visitar, acompanhando a mestra que me orienta, o sistema carioca, que trabalha com lógica semelhante.

Wednesday, 13 February 2008


fora o gigantes da lira, não sou muito carnavalesca.
mas depois de fazer a cobertura pra tv brasil acabei a quarta feira de cinzas neste tal de bloco me beija que eu sou cineasta.
foi uma experiência interessante passar 5 dias a observar como contratada da tv e depois me integrar como foliã.
é curioso o comportamento das pessoas nestes dias, este clima de que tudo pode, todo mundo fantasiado e à vontade para tresloucar, cerveja e mijo pra todo lado.
encontrei alguns amigos - na foto com nando e layana - e logo saí à francesa.

enfim, de volta à vaca fria, retomando o estudo esta semana depois de botar a molecadinha de volta à aulas.. em breve posts mais compenetrados na pesquisa sobre ver e ser visto.

Sunday, 3 February 2008

matéria doida 2

Conto do Vigário:
O Afroreggae, grupo que se originou em Vigário Geral, foi desfilar no sábado de carnaval no Complexo do Alemão.
Domingo desfilaria em Ipanema, pra confirmar a máxima de que agora não é mais de Vigário, é do mundo. Mas choveu.
O complexo do alemão - que não é complexo B12, apesar de ser formado por 12 comunidades - é uma área cercada pelos boinas vermelhas do exército. Como disse a Dada, ali a bala come, e não é juquinha nem soft.
Nossa kombi da TV Brasil chegou passando por verdadeiras trincheiras, armadas com sacos de areia brancos que protegiam as metralhadoras giratórias do exército em posição de tiro.
Johaine - será que se escreve assim - nos recebeu e nos levou pra dentro da comunidade.
As trincheiras ficaram para trás e valas de esgoto se abriram para nos dar as boas vindas. Barricadas deixavam claro que ali só entra quem tem permissão.
Vida que segue. Crianças jogando bola, mulher estendendo roupa, cachorros latindo, motoboys fazendo o transporte, lojas de manequins popozudos vendendo top e shortinho, uma pastelaria chinesa e uma loja de material de contrução emoldurando a sede onde se reuniam os integrantes do grupo antes do desfile.
Quando a bateria atacou e o bloco foi pra rua , aquele lixo virou luxo e a água da chuva se misturou a sinceras lágrimas de emoção:
- Me dá essa câmera.

matéria doida 3

Como o Baile do Copacabana Palace é exclusividade do programa Amaury Jr., tivemos que fazer a linha barrados no baile.
Junto com a turma do sereno ficamos vendo o povo entrar na festa black tie. Muito penacho e pedraria. Uma coisa difícil de definir, se cafona, se kitsch, se felliniano, se patético, lunático ou exótico.
Luiza Brunet, Grazi Massafera e Adriane Galisteu muito cientes de suas imagens-personas.
O casal de bichas de laboratório, como a Dadá chama o chateubriand e seu avec, quase foi barrado, o que gerou uma situação hilária diante de nossas lentes. Fiquei com dor de barriga de tanto rir. A Dadá é uma genial cara de pau.