Showing posts with label danilima. Show all posts
Showing posts with label danilima. Show all posts

Sunday, 29 January 2012

Nelson Rodrigues contemporâneo

Ontem fui assistir aos 7 gatinhos, uma intervenção performática que a Cia. Dani Lima fez a partir da peça de Nelson Rodrigues, no contexto do projeto InDrama, que tem curadoria da Chris Jatahy.

Os bailarinos, completamente entregues, flutuam no universo do dramaturgo, criando um transe emocionante, hipnótico e delicioso. Os movimentos são ricos em significados, nuances, graça, humor, está tudo ali. Dança contemporânea fina e sofisticada e tão ao alcance do humano demasiado humano. 6 corpos tão distintos entre si em sua expressão e forma, e a presença de um japonês e uma francesa, expressando-se em seus próprios idiomas nos poucos momentos em que a fala se dá em cena, traz mais um tempero de estranheza e curiosidade ao espetáculo.

Fiquei muito comovida e cheguei em casa procurando os textos que tenho na minha estante.
Mas um dos aspectos mais interessantes foi justamente o recorte que o grupo fez do texto, ressaltando as rubricas do autor, com adjetivos e descrições que são "batata", absolutamente certeiros, no retrato no enlance amoroso dos corpos. De uma beleza rara, voluptuosa, desesperada, violenta. Fui ao blog da Dani e catei a lista de rubricas que é lida durante o espetáculo, que reproduzo abaixo.

Impossível não me reconhecer aqui.

Bibelot e Aurora se encontram pela segunda vez.
Voici as rubricas de Nelson pra essa cena. Dá pra imaginar do que se trata?

Baixo e carinhoso
Num alegre mesurar
Tentada
Num frêmito delicioso
Alegre
Achando graça
Sem saber explicar
Vacila
Pigarreia
Ri
Deleitada
Andam alguns passos
Estaca
Tirando um pigarro
Rápida
Com o pânico da distância
Com doce ironia
Um pouco incerto
Suspirando sôfrego
Doce e triste
Incisivo
Incisiva também
Com certo deslumbramento
Faz um gesto como se lavasse as mãos
Rápida, a queima roupa
Com breve hesitação
Muda de tom
ergue o rosto duro
sôfrego
ressentida
atônito
veemente
atarantado
enfática
com certa vaidade
com maior ênfase
completando a frase anterior
com novo interesse
com breve vacilação
animado
desconcertada
em brasas
amarelo
muda de tom
faz um aceno
afasta-se
aflita
agarra-lhe o braço
no seu brusco desejo
transfigurada
na sua vaidade
fascinada
mais taxativo
muda de tom
incerto
sem entender
feliz
na maior confusão
pausa
sôfrega
estrebucha
desesperada no desejo
quase chorando
despreende-se
no seu despeito de fêmea
brutal
tem uma pane de vontade
correm
estica eufórico
insultada
feliz
muda de tom
mordida de ciúmes
trocista
puxando-a
ralhando
muda de tom
eletriza-se em volúpia
no seu frenesi
ralha baixo
muda de tom
num meio sorriso sórdido
apruma-se
sôfrega, segurando-o pelo braço
sem ouvi-la, apontando
brutalmente
atônita
estupefata
deseperada
espera
na sua indignação
no seu despeito
param
sôfrego
asssutada, olha para os lados
já em abandono
com desesperado amor
no seu deslumbramento de fêmea
na impaciência do desejo
puxa
resiste
num apelo
brutal
desesperada
em volúpia
eufórico e brutal
desabotoando o sutiã
arquejando e rindo
feroz e triunfante
numa exibição do próprio nu
numa alucinação
trincado os dentes de volúpia
numa medonha histeria
em delírio

Sunday, 17 October 2010

COREOGRAFIA PARA PREDIOS, PEDESTRES E POMBOS

intervenção_urbana live_streaming video_instalação cinema_ao_vivo

De 28 de Outubro a 13 de Novembro

quintas e sextas às 17 hs
sábados às 11:30 hs e 13:30 hs

Oi Futuro Flamengo 8º piso e Largo do Machado


Durante três meses onze bailarinos e uma equipe de pesquisa e gravação ocuparam o Largo do Machado com uma série de intervenções coreográficas camufladas.

Quatro câmeras foram instaladas no alto de edifícios que circundam a praça, produzindo, com suas vistas topográficas e seu olhar vigilante, imagens nas quais os bailarinos misturam-se aos pedestres, confundindo a distinção entre quem está “atuando” e quem está “vivendo”.

O material gravado, além de documentar um processo de criação ao longo do tempo, constitui um imenso banco de imagens do cotidiano do bairro.

Desta experiência de ocupação resulta um espetáculo que mistura dança e cotidiano, imagens gravadas e imagens em tempo real.

O material é editado, sonorizado e projetado em uma performance de “cinema ao vivo”.

O espectador pode escolher entre assistir a esta performance no 8º piso do Oi Futuro, ou através de live streaming na internet - ou ainda sair à procura das intervenções ao vivo no Largo do Machado.

Tuesday, 28 September 2010

No TEMPO FESTIVAL



1) Em "Coreografia para prédios, pedestres e pombos" vocês propõem um formato singular e híbrido, que mescla as linguagens da dança e do "cinema ao vivo"(este último muito pautado pelas novas tecnologias). Quais são as possíveis relações entre dança e cinema ao vivo, como vocês as investigam? Quais são os desafios em apostar em uma linguagem híbrida?

Comecei a trabalhar com cinema ao vivo em 2008. Já fiz documentários e curtas, mas nunca tinha experimentado o formato ao vivo além das transmissões comerciais de televisão. Minha aproximação com os circuitos de vídeo veio por uma inquietação com a presença silenciosa e avassaladora das câmeras de vigilância, uma espreita constante a qual estamos submetidos cada vez mais nos espaços pelos quais circulamos nas cidades. De que forma poderiamos aproveitar esta ideia disseminada do panoptico para criar videos, não com o objetivo de "vigiar e punir", mas produzindo uma especie de pan cinema permanente, para parafrasear o titulo do filme do Carlos Nader?
Descobri que existem muitos artistas, sobretudo na Inglaterra, trabalhando com imagens de vigilância e CFTVs, que captam, ininterruptamente, ao vivo, todos os dias, os fluxos nas cidades. E comecei a fazer as "Composições para circuito de video-vigilância", que além de pesquisa artística resultou em pesquisa acadêmica, com minha tese de Mestrado defendida na ECO/UFRJ em 2009.
Realizei com o músico David Cole algumas performances utilizando CFTVs na Caixa Cultural, no Glaucio Gil, no Circo Voador, no Oi Futuro. Contudo estava claro que não tínhamos tido tempo para desenvolver uma dramaturgia, um trabalho de corpo, de ator. Acabava que a montagem das câmeras e da mesa de mixagem consumia todo o trabalho.
Re encontrei a Dani Lima em processos de trabalho de outros colegas e nos aproximamos, com o interesse comum de despertar o olhar para uma poética do cotidiano, de percepção das potências estéticas do dia-a-dia, de entendimento do ordinário como matéria do trabalho. O primeiro fruto do nosso encontro foi seu espetáculo "Pequeno Inventário de Lugares Comuns". Tempo e movimento são elementos chave para o cinema e para a dança. É interessante quando experimentamos juntas nestes campos, cada uma com as ferramentas de que dispõe - na dança o corpo, no cinema a montagem - para produzir estranhamentos, deslocamentos e revelações sobre o tempo e o movimento cotidianos.
Ali começamos a gestar a "Coreografia". Neste projeto estamos tendo a oportunidade de sistematizar o trabalho: mapeamos, revisamos, observamos, produzimos. O olhar de cima, ponto de vista privilegiado - olho de deus, olho que tudo vê - nos ajuda a visualizar os padrões de chão, a topografia, nos leva para outro lugar que nos permite ver de fora, aquilo que de dentro nem enxergamos mais. O paisagismo do Largo é Burle Marx, ninguém se lembra disso! Com a estratégia do circuito de video acessamos o espaço publico, estamos dentro do cotidiano, enfim, as coisas parecem se encaixar.

2) O processo deste novo trabalho parece reavaliar a questão do público: a intervenção urbana que faz com que performers e platéia estejam misturados. Os performers, por sua vez, executam ações a partir de uma observação prévia dos pedestres (a partir do mapeamento do Largo). Vocês poderiam falar um pouco mais sobre essa relação entre espaço fechado (teatro) - espaço público?

O público na verdade tem várias formas de assistir ao espetáculo: seja na praça ao nivel do chão em meio aos performers; seja no café do Oi Futuro, onde faremos uma mixagem ao vivo das imagens e sons; seja pelo streaming na internet. A discussão sobre a ocupação do espaço público é fundamental. Um espaço que é ocupado pela lógica do comércio - outdoors, banners etc - pela indústria da segurança - grades, câmeras de vigilância, alarmes - e onde as manifestações artísticas encontram cada vez mais restrições. Ocupar o Largo com a Coreografia é uma forma de afirmar a rua como espaço de experimentação, valorizando a experiência cotidiana e a construção do comum, da comunidade como potência.

3) O "cinema ao vivo" é uma linguagem que está em plena efervescência. Quais são os elos e diálogos entre este novo gênero e a forma cinema tradicional, a videoarte e o cinema experimental?

Nos primeiros anos do cinema, quando ainda não havia uma codificação estabelecida para a linguagem, as vanguardas russas já afirmavam a máxima : "cinema é montagem". Na explosão dos novos cinemas dos anos 60, JLG afirmava não se preocupar em filmar as coisas, mas o que está entre elas. Esta idéia de imagem-relação, de entendimento do cinema não como representação de algo dado, mas como rede de relacões entre imagens e sons que se recombinam e reconfiguram, enfim, uma idéia de processo para o cinema, o acompanha desde a sua origem. Já virou clichê dizer que o filme se faz no encontro com o público, e a videoarte explorou este lugar com obras inquietantes, aonde só há video se há espectador, ou é a própria atividade do espectador que produz imagem para ser vista (Dan Graham, Peter Campus, Bruce Nauman, entre outros) Esta idéia de imersão na obra, de relação do corpo e da presença do corpo com a imagem lançou mão muitas vezes de circuitos de video, espelhos, múltiplas projeções, parangolés. As experiências de Live Cinema hoje são, de certa forma, herdeiras destas correntes que sempre correram paralelas ao cinema "tradicional", clássico narrativo, pautado por lógicas de causalidade. A possibilidade de "navegação" pelas imagens, uma maneira muito contemporânea de acessar os conteúdos, vai sendo facilitada pelas novas tecnologias, sem dúvida, mas suas raízes estão bem antes, acredito que na gênese mesmo do cinema.


4) Como está sendo o processo de construção deste novo espetáculo? (especificamente em relação à dramaturgia)

Está sendo uma loucura! Obra aberta e em processo!

Saturday, 11 September 2010

coreografia para prédios pedestres e pombos

“Coreografia para prédios, pedestres e pombos” é uma colaboração entre a coreógrafa Dani Lima, a cineasta Paola Barreto e uma equipe de 20 artistas e técnicos.
O projeto é composto por uma série de “interações coreográficas camufladas” realizadas por 11 bailarinos/atores na praça do Largo do Machado, na entrada da Galeria Condor e na esquina da Rua 2 de Dezembro. Estas intervenções serão gravadas por webcams, e as imagens serão transmitidas em tempo real, via internet, para o oitavo andar do Instituto Oi Futuro, onde serão editadas e sonorizadas numa performance de “cinema ao vivo”.
Este projeto pretende revitalizar o espaço público do Largo do Machado, lançando um olhar poético sobre a arquitetura, os moradores, a história, o cotidiano e as memórias passadas e presentes do bairro. Da mesma forma pretende mobilizar os freqüentadores e moradores da praça a compartilharem suas experiências e seus registros visuais, compondo uma grande cartografia afetiva do bairro.

De 30 de Agosto a 20 de Outubro estaremos ensaiando todos os dias por estas imediações. De 21 de Outubro a 20 de Novembro apresentaremos a temporada oficial da performance. A entrada será gratuita e todos os moradores, simpatizantes e passantes do Largo do Machado são convidados a assistir, seja diretamente na praça, das janelas de seus apartamentos, pela internet, ou as instalações do Oi Futuro.

De 21 de outubro a 13 de novembro

Horários: quintas e sextas às 17h, sábados às 15h

Em cena: Alice Ripoll, Ana Pi, Átila Calache, Eleonore Agathe, Ginema de Mello, Ibon Salvador, Juliana Medella, Luar Maria Monteiro, Luciana Chieregati, Thiago Gomes e Tony Hewerton,

Ficha Técnica:

Concepção e direção Coreografia: Dani Lima
Concepção e direção Videoinstalação: Paola Barreto

Assistente de Coreografia: Laura Samy
Editor de Vídeo: Alexandre Antunes
Som: David Cole
Câmera: Thiago Britto e Guilherme Guerreiro
Pesquisadora: Poliana Paiva
Design Gráfico: Lola Vaz
Diretor Técnico: Carlos Alexandre Moraes
Rede de Vídeo: Facilink
Assessoria de Internet: Luciana Paiva
Direção de Produção: Verônica Prates
Produção Executiva: Isa Avellar