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Tuesday, 1 May 2012

campos sonoros - pontos de escuta


Duas performances sonoras esta semana produzindo experiências estéticas intensas com apropriações muito particulares do rock'n roll. Primeiro o lançamento do vinil Chelpa Ferro 3, no Teatro Tom Jobim, no Jardim Botânico do Rio. De uma bateria instalada no centro do palco,  saem dezenas de cabos, que conectam o instrumento a vasos de diversos formatos e tamanhos. A visão desta bateria-polvo, ligada a esta floresta de ceramicas, por si só já é um acontecimento. Quando o baterista Stephane começa a tocar, amplificado pelas caixas de som ocultas no interior dos vasos... delírio.  Poderia ter durado mais o dobro do tempo, no mínimo, para se estabelecer o transe.


A segunda performance aconteceu na programação do Arte.mov, no Palácio das Artes em Belo Horizonte. Na noite de encerramento do Festival, Leah Singer e Lee Ranaldo envolveram o público com Sight Unseen, um ritual cinético de tecnomagia. De um lado da sala retangular, uma projeção em vídeo duocanal com uma hora de duração. Ao pé da tela os pedais e amplificadores da guitarra de Lee. Evoluindo pelo espaço, o guitarrista do Sonic Youth faz um dueto com o instrumento que figura, transfigura e reconfigura de tantas formas... guitarra-bumbo, guitarra-pêndulo, guitarra-corpo, guitarra-bailarina, guitarra-guitarra.  Experiências xamânicas e rituais que criam um lugar interessante e potente, que ressignifica os instrumentos e as sonoridades... Om!

Wednesday, 4 April 2012

Matemática

A PÁSCOA ocorre no primeiro domingo após a primeira lua cheia que se verificar a partir de 21 de março. A Sexta-Feira da Paixão é a que antecede o Domingo de Páscoa. A terça-feira de CARNAVAL ocorre 47 dias antes da Páscoa e a quinta-feira do CORPUS CHRISTI ocorre 60 dias após a Páscoa. Domingo deRAMOS é o que antecede o domingo da Páscoa, a QUARESMA são os 40 dias entre o Carnaval e o domingo de Ramos, a quinta-feira da ASCENSÃO ocorre 39 dias após a Páscoa e o domingo de PENTECOSTES vem 10 dias depois da Ascensão.

Sunday, 18 March 2012

Friday, 24 February 2012

Tá tudo bem



Tá tudo bem #1, ainda com o banco de dados Os Inocentes, reabre para visitação no Parque das Ruínas, no Rio de Janeiro, como parte do circuito arte.mov. Em montagens futuras a intenção é produzir bancos de imagens relacionados aos contextos específicos do espaço de exposição, mas aqui o prazo urge! Segue o serviço.

4a. feira dia 29/02 - Abertura - de 19h às 22h

5a 01/03 e 6a. 02/03 de 10h as 22h

sábado de 10h às 16h

Saturday, 18 February 2012

Nhoc nhoc Inhotim

"Devido à sua localização distante, Inhotim necessariamente é um destino que exige do visitante um tempo de viagem considerável, uma jornada que se torna parte significativa de sua experiência. Essa característica estimula tanto o público quanto os artistas. Por este motivo, são muitos os temas recorrentes na coleção: paisagem, caminho, labirinto, ambiente, natureza, tempo e lugar."

Friday, 17 February 2012

Colégio Estadual José Leite Lopes

Os doze trabalhos de Hércules III

Oficina Integrada 3a. série NAVE

Tá tudo bem no arte.mov


Os doze trabalhos de Hércules I

Preparando a volta do Tá tudo bem ao Rio de Janeiro.
Desta vez a caixa preta será remontada em um nicho na galeria do Parque das Ruínas, reduzindo as metragem e pedindo uma lente de projetor wider...


Tuesday, 7 February 2012

pré-carnaval

uma pá de projetos pra ler para um comitê de seleção / as projeções de uma peça que estréia em um mês / uma instalação para montar em um mês / outra daqui a 6 meses/ um artigo acadêmico pra este mês /outro pra daqui a três / uma ideia para um livro / uma oficina para orientar / três disciplinas do curso de doutorado para frequentar / duas disciplinas técnicas de ensino médio para ministrar / um projeto de curta metragem pra escrever / um blog para manter - não necessariamente nesta ordem.

carnaval em retiro

Sunday, 25 December 2011

Arremate

O Edital mais interessante dos últimos tempos: Nuvem em Mauá.
Imperdjével! Inscrições para artistas residentes só até 02/01/12

Monday, 17 October 2011

Gentil lá

Este ano o Festival de Curtas do Rio de Janeiro, Curta Cinema, em curadoria conjunta com a Galeria A Gentil Carioca, apresenta uma nova programação, que reúne obras que transitam entre o cinema e as artes visuais. A cada noite trabalhos diferentes serão projetados na empena cega do prédio vizinho à Galeria, e durante o período do Festival o interior da Gentil lá será ocupado por imagens distribuídas entre 06 monitores e uma projeção.

Programação

Exibição interna

Todos os dias, das 14h às 22h

Andrei Müller, Zarthus - TV 42”
Gabi Gusmão, Actinote Surima - TV 42”
Pontogor, Massacre 106 - TV 42”
José Bento, Mona – DVD portátil (banheiro)
Evandro Machado, Desmaterial - TV 42”
Botner & Pedro (com desenhos de Laura Lima), Mel - TV 42”
Elisa Pessoa, Morto Vivo e Sótão - Projeção

Exibição externa

Todos os dias, segundo a programação abaixo, a partir das 20h30min

28/10 Cópia / Colares, Marcos Chaves
29/10 Sessão Experimenta 1 – Curta-Gentil
30/10 Derrube e Movimentos Detenidos, Celina Portella
31/10 O Deus no Arroz Doce, Enrique Diaz
01/11 Provisional Heritage, Matheus Rocha Pitta
02/11 Ah Se Tudo Fosse Sempre Assim e Sertão de Acrílico Azul Piscina, Marcelo Gomes e Karim Aïnouz
03/11 Mais Dois, Kátia Maciel e André Parente
04/11 Ali É Um Lugar que Não Conheço; Aqui de Novo; e Desvios Derivas Contornos, Lucas Bambozzi
05/11 CZI (Corpo Zona de Intervenção), Bruno Vianna e Cinthia Mendonça
06/11 Da Janela do Meu Quarto, Cao Guimarães
06/11 0667, Marcellvs L.

Palestras
Em dois dias da mostra, a partir das 19h

02/11 – Cezar Migliorin
03/11 – Kátia Máciel e André Parente

Friday, 12 August 2011

laboratório de vídeo


brunov y paoleb

pesquisa

PENSAR CINEMA

FORMATOS

SUPORTES

LINGUAGEM – ESTRUTURA – ARQUITETURA

04 AULAS

REFERENCIAS

brunov .MOV PIPA

paoleb .MOV COREOG

OFICINA TÉCNICA DE CAPTAÇÃO E EDIÇÃO

brunov .MOV RESSACA
AULA DE VIDEO EXPANDIDO/ PROGRAMACAO

AULA PROJETO FINAL > COMENTAR PROJETOS

ARG

Thursday, 30 June 2011

Atelier aberto Outros Cinemas

Documentário - experimento - fantasmagoria

sexta 01 julho
segunda 04 de julho

tvs de tubo
microcâmeras
projetores
voil, tricoline, algodão cru, nylon, parafusos

Convidamos para o atelier aberto com
apresentação dos trabalhos produzidos pela
Oficina Outros Cinemas
na Escola de Cinema Darcy Ribeiro.

Experimentando possibilidades e impossibilidades de ocupação da Escola, os trabalhos colocam em cena espaços reais e imaginados, utilizando diferentes dispositivos.

paoleb + Gabriel Bilig, Luang, Marianna Olinger, Julia Favoretto, Fernanda, Alice, Lia


FRANCISCO
Instalação 2 canais : Câmera de vigilância e projeção

Francisco é porteiro da Escola de Cinema Darcy Ribeiro há menos de um ano.





PORTARIA
Projeção e Edição ao vivo

Portas reais, portas de luz, portas trancadas, portas falsas, portas que não levam a lugar algum, portas às quais não se tem acesso... jogo de sombras.




REFORMORFE
Vídeo-instalação

Séries de fotografias captadas durante a reforma do prédio da Escola diluem-se umas nas outras.





QUARTO COM VISTA
Projeção

Da janela a vista da rua: streetview.

Esquina Rua da Alfândega com Primeiro de Março de 19h as 21h

paoleb + Gabriel Bilig, Luang, Marianna Olinger, Julia Favoretto, Fernanda, Alice, Lia

Thursday, 2 June 2011

folha-tela


pequenas projeções nas plantas

Sunday, 15 May 2011

Outros cinemas: instalação, performance, intervenção


Oficina prática e teórica que propõe o cruzamento entre linguagens, explorando novas formas e arquiteturas para o audiovisual

A partir da análise de uma seleção de trabalhos de cineastas e artistas contemporâneos o curso apresenta uma nova abordagem para a experiência audiovisual além do dispositivo clássico da sala escura de projeção.
Ao longo do curso o grupo será orientado no desenvolvimento de criações próprias, que respondam aos conceitos levantados e interpretem ferramentas como vídeo instalação, performance e intervenção, explorando formas pictóricas e escultóricas que colocam em cena o próprio cinema.

08 encontros – 1 vez por semana às 4a.s feiras - informações - http://www.escoladarcyribeiro.org.br/




Ementa

18/05 – 1. Introdução. Apresentação da proposta do curso. Exibição de trabalhos de diferentes períodos da historia do cinema e das artes visuais que contribuem para a reflexão sobre o cruzamento entre os campos da produção de imagens na instalação, na performance e na intervenção.
1.1. A dimensão arquitetural do cinema e o aspecto escultural da luz: projeção, tela, monitor.
1.2. O lugar do espectador, o espaço de projeção e o suporte de projeção.
1.3. A performatividade do ato cinematográfico: o filme como acontecimento.
1.4. O filme fora da tela: o cinema como ato social e político.

25/05 – 2. Poéticas do espaço Experimentando a arquitetura da projeção – o filme-objeto e a materialidade do suporte. Mudanças na percepção do espaço a partir da relação com filmes/vídeos. Circuito de vídeo e espacialização do olhar. (Chris Marker, Agnes Varga, Douglas Gordon, Dan Graham, Bil Viola, Bruce Nauman etc)

01/06 – 3. Corpo e presença Performance e cinema: construção do filme a partir da presença do espectador-ator-autor : embaralhamento e troca de papeis. Estudos do corpo. Cinema e cena: dança, teatro. Riscos do acaso. (Neville de Almeida, Helio Oiticica, Cao Guimarães, Bruno Vianna, Christianne Jatahy etc)

08/06 – 4. Observação, ocupação, significação. Intervenção em espaços públicos e privados. Videomapping, projeções em larga escala, projeções em lugares precários. Projeções de filmes/ videos como formas de territorialização. (Rafael Lozano-Hemmer, Lucas Bambozzi, Michele Teran etc)

15/06 – 5. Prática. Propostas dos alunos para ocupação da escola e entorno a partir das estratégias estudadas. Mapeamento do espaço com câmeras. Cartografias. Divisão por grupos de trabalho.

22/06 – 6. Prática. Captações, testes e preparação dos projetos. Edição de materiais (possivelmente em dia extra)

29/06 – 7. Prática. Montagem e Apresentação pública dos projetos.

06/06 – 8. Conclusão. Avaliação/ revisão do processo.

Bibliografia básica:
BAMBOZZI, Lucas (Org). Mediação, tecnologia e espaço público: panorama crítico da arte em mídias móveis. São Paulo: Conrad Editora do Brasil, 2010.
BOGART, Anne. A Director prepares: seven essays on art and theatre. London: Routledge, 2001.
DUBOIS, Philippe. Cinema, vídeo, Godard. São Paulo: Cosac Naify, 2004.
DUGUET, Anne Marie. Déjouer l’image: créations électroniques et numériques.
Paris: CNAP et Éditions Jacqueline Chambon, 2002.
MACIEL, Kátia (Org) Transcinemas. Rio de Janeiro: Contra Capa Livraria, 2009.
MACHADO, Arlindo. Pré-Cinemas & Pós-Cinemas. Campinas : Papirus, 1997.
RUSH, Michel. Novas mídias na arte conteporânea. São Paulo: Martins Fontes, 2006
YOUNGBLODD, Gene. Expanded Cinema. NY: E.P. Dutton & CO., Inc, 1970

Thursday, 7 April 2011

Ten Chi

Erotismo delicadeza ternura e tesão.

Woman's touch.

Translumbrantes tecidos caimentos nos corpos membros voando prolongando-se na escuridão do cenário, cauda de baleia fundo de um oceano primitivo de amor e sentimento superfície do mar de neve e sonho.

Carinhos, arroubos, lampejos e risos.

Força, leveza, rasgando, cortando, humor ironia brincadeira séria.

Oh, Pina!

Wednesday, 6 April 2011

links cartografia

http://cargocollective.com/tupeq#792328/Arquivo-1-Visitas
http://www.geografiaportatil.org/
http://www.blasttheory.co.uk/bt/work_cysmn.html
http://andrelemos.info/2011/01/dead-drops-erotismo-e-midia-locativa/

Tuesday, 5 April 2011

Alquimia da velocidade

Duas ou três coisas sobre o filme de Artur Omar:

Primeiro: porque só tem legendas para as falas em inglês e não para as falas em dari?

Segundo o próprio AO, porque o inglês é o significado, o poema precisa ser compreendido, e o dari é o significante, é a sonoridade do idioma, e não o que é dito o que está em jogo.
Pergunto: mas e quem sabe dari?
AO: é, quem sabe dari vai entender.

Uma língua é sempre significado e significante, este par não se desassocia simplesmente pela presença de uma legenda. Inglês também é sonoridade, a fleuma de Alec Guiness, para além do que ele diz, é também significante.

E o dari é também significado, nós é que somos ignorantes para ele - e aqui me recordo de JLG, se não me engano em Vladimir e Rosa: "você sabe tcheco? Então é bom aprender, porque a partir de agora o filme vai ser sem legendas."

A meu ver seria mais radical não ter legenda alguma. Até porque as legendas são, elas também, significados e significantes. Traduzem o texto mas se inscrevem na tela, são uma intervenção gráfica sobre a imagem.

Lembrando que temos 04 tipos possíveis de espectador (independente de suas nacionalidades):

os que entendem inglês e dari
os que entendem inglês mas não entendem dari
os que não entendem inglês, mas entendem dari
os que não entendem nem inglês e nem dari

(Lembrando ainda que há ainda os que são surdos e precisam de legendas, mas no mesmo idioma da fala, para "ouvir" o que está sendo enunciado.)

Em suma: para mim não faz sentido presença de legendas em outro idioma - no nosso caso o português.

Segundo: porquê não há crédito para o som no início da fita? Há crédito para Direção, Fotografia e Edição. Não há crédito para som, mas o som é o filme tanto quanto as palavras escritas e as imagens mostradas.

Tive a oportunidade de expressar estes pontos para AO, graças à querida Ivana.
Foi aí que me dei conta do terceiro ponto, mais prosaico que os dois anteriores: Artur Omar é um nome duplo, tipo Pedro Paulo, como explicou a Ivana. ;-)

Em tempo: Os Cavalos de Goethe é experiência sensorial, filme expelimental, pra usar o conceito que ouvi uma vez do próprio AO, em debate no CCBB, século passado. Nunca esqueci.
Merci AO. Vejam o filme.

Os Cavalos de Goethe

PROGRAMAS ESPECIAIS

ARTHUR OMAR

BRASIL - RJ / BRAZIL - RJ

70', cor, BETA DIGITAL, 2011

Diálogos: DIÁLOGOS EM PORTUGUÊS E INGLÊS / PORTUGUESE AND ENGLISH DIALOGUES

Legenda: LEGENDAS EM PORTUGUÊS / PORTUGUESE SUBTITLES


  • CINE LIVRARIA CULTURA (SÃO PAULO - SP): 03/04 - 19H00M
  • CINEMATECA (SÃO PAULO - SP): 10/04 - 14H00M
  • CCBB (RIO DE JANEIRO - RJ): 06/04 - 14H00M
  • UNIBANCO ARTEPLEX (RIO DE JANEIRO - RJ): 05/04 - 19H00M

Um documentário experimental contendo cavalos, homens e uma imagem da guerra encarnada em quadros que se movem aos milímetros. Combates entre cavaleiros suspensos no tempo, filmados no Afeganistão em 2002. Através de um prisma, a teoria das cores de Goethe informa sobre a relação entre luz e escuridão, entre a história e o esquecimento, entre a morte e a resistência do instante. O olho do espectador é chamado ao tribunal da percepção histórica.

R: ARTHUR OMAR | DF: ARTHUR OMAR | C: ARTHUR OMAR | SD: ARTHUR OMAR | M: EVÂNGELO GASOS, ANA DANTAS | Mu: ARTHUR OMAR, QUARTETO 2 DE MORTON FELDMAN | Es: ARTHUR OMAR | P: ARTHUR OMAR | PE: ARTHUR OMAR | CP: CORTEX DIGITAL |

Monday, 13 December 2010

Apontamentos de Live Cinema #1

Terra Nova: Sinfonia Antártica - DJ Spooky

O artista se apresenta no centro do palco, acompanhado por uma pianista à esquerda e um trio de cordas à direita. Suspensas, formando um angulo de 90 º atrás dos músicos, duas grandes telas.

As relações que se estabelecem entre estas telas são tão ou mais interessantes do que as imagens que exibem. Torna-se uma música à parte, ou uma dança, as dinâmicas que se criam nestas relações possíveis, que oscilam entre contraposição e contigüidade.

As telas hora se espelham, como em uma pintura produzida por um jato de tinta que jorra em direções opostas a partir de um mesmo centro; hora se duplicam, criando um efeito de redundância, onde um padrão se repete, aqui e ali; hora se complementam, exibindo fragmentos de uma única imagem que começa em uma e continua na outra.

Imagens de paisagens da Antártida, blocos imensos de gelo, placas que deslizam a um só tempo pesadas e leves sucedem-se ao som de uma música que soa quase romântica. As cordas atacam e silenciam, e quando voltam a preencher a sala não são os músicos que tocam, mas o DJ, que reproduz uma gravação do som que acabamos de ouvir, agora processado, manipulado, reinterpretado. Impressionante.

Um voil em primeiro plano sobe e desce marcando o início de cada ato da peça, e colabora com a criação de uma profundidade construída por planos bidimensionais, que se sobrepõem criando uma imagem sólida, mas frágil, como um bloco de gelo.

A imagem na tela se apresenta como um plano, uma malha de pontos, que se torce e coloca em perspectiva, um plano bidimensional que navega por um universo tridimensional, em camadas, mil folhas de cinema.

Por fim, lindas imagens documentais de expedições realizadas no continente em tempos distantes; pioneiros russos, chineses, americanos. Disputas em torno do território, discussões políticas, geográficas, ambientais. Mil folhas de cinema.

Espetáculo denso, belo e complexo.

Saturday, 20 March 2010

Crítica Construtiva

Me soou muito agressivo o tom da crítica de Filipe Furtado na revista eletrônica Cinética sobre o filme "O segredo dos seus olhos", de José Campanella .
A forma como o texto termina me deixou com uma amarga sensação…
"Enquanto se afunda mais na sua pseudo-elegância grosseira, O Segredo dos Seus Olhos confirma que o charme de O Filho da Noiva foi acidental e que o de mais relevante Juan José Campanella filmou são seus três episódios de House mesmo."

Apesar de oferecer boas chaves para análise do filme, o texto se empenha tanto em desqualificar o realizador, que me lembrou o estilo da Veja, com o perdão da comparação...
Fui assistir ao filme incensada pelo celebrizado plano-sequência pirotécnico já dissecado no youtube, pelo Oscar de filme estrangeiro e por todo o hype que se criou em torno do longa-metragem.

Com diálogos inteligentes e cheios de humor, um elenco com ótimo timing e uma produção impecável, dá pra entender porque o filme de Campanella levou 2 milhões de argentinos aos cinemas, o que não é pouca coisa, se pensarmos o cinema como um fenômeno de massas e o estado de coisas do mercado latino-americano. O filme tem muitos pontos fortes, emociona, toca, enleva.
Contudo, me parece que como pensamento de cinema, ainda faltam ali alguns lances importantes. O filme se apóia demais em formatos de gênero e certo uso da música como pontuação, o que cria zonas de previsibilidade e me leva para fora. Os códigos clássicos são mais usados à risca do que como paródia, há uma série de mecanismos e ferramentas audiovisuais facilmente identificáveis, e este reconhecimento me interessa menos do que abordagens mais intrigantes, surpreendentes e de difícil decodificação, como é o caso da Fita Branca, por exemplo.
Mas daí a acabar com a raça do diretor vai uma grande distância.
Hay que endurecer pero sin perder la ternura jamás!