Tá tudo bem #1, ainda com o banco de dados Os Inocentes, reabre para visitação no Parque das Ruínas, no Rio de Janeiro, como parte do circuito arte.mov. Em montagens futuras a intenção é produzir bancos de imagens relacionados aos contextos específicos do espaço de exposição, mas aqui o prazo urge! Segue o serviço.
Este ano o Festival de Curtas do Rio de Janeiro, Curta Cinema, em curadoria conjunta com a Galeria A Gentil Carioca, apresenta uma nova programação, que reúne obras que transitam entre o cinema e as artes visuais. A cada noite trabalhos diferentes serão projetados na empena cega do prédio vizinho à Galeria, e durante o período do Festival o interior da Gentil lá será ocupado por imagens distribuídas entre 06 monitores e uma projeção.
Programação
Exibição interna
Todos os dias, das 14h às 22h
Andrei Müller, Zarthus - TV 42” Gabi Gusmão, Actinote Surima - TV 42” Pontogor, Massacre 106 - TV 42” José Bento, Mona – DVD portátil (banheiro) Evandro Machado, Desmaterial - TV 42” Botner & Pedro (com desenhos de Laura Lima), Mel - TV 42” Elisa Pessoa, Morto Vivo e Sótão - Projeção
Exibição externa
Todos os dias, segundo a programação abaixo, a partir das 20h30min
28/10 Cópia / Colares, Marcos Chaves 29/10 Sessão Experimenta 1 – Curta-Gentil 30/10 Derrube e Movimentos Detenidos, Celina Portella 31/10 O Deus no Arroz Doce, Enrique Diaz 01/11 Provisional Heritage, Matheus Rocha Pitta 02/11 Ah Se Tudo Fosse Sempre Assim e Sertão de Acrílico Azul Piscina, Marcelo Gomes e Karim Aïnouz 03/11 Mais Dois, Kátia Maciel e André Parente 04/11 Ali É Um Lugar que Não Conheço; Aqui de Novo; e Desvios Derivas Contornos, Lucas Bambozzi 05/11 CZI (Corpo Zona de Intervenção), Bruno Vianna e Cinthia Mendonça 06/11 Da Janela do Meu Quarto, Cao Guimarães 06/11 0667, Marcellvs L.
Palestras Em dois dias da mostra, a partir das 19h
02/11 – Cezar Migliorin 03/11 – Kátia Máciel e André Parente
Oficina Circuitos de vídeo: percepção, experiência e produção
Resumo da Oficina:
Esta oficina teórica e prática propõe o cruzamento entre linguagens de cinema, instalação e performance. O foco do trabalho volta-se para a ocupação do espaço público: como pode ser observado, reinterpretado e acessado. A partir de estratégias de vídeo-vigilância, mapeamento e intervenção urbana, o grupo desenvolverá um espetáculo de cinema ao vivo, a ser projetado nas imediações do local de realização da oficina.
Paola Barreto é cineasta e pesquisadora. Formada em Cinema pela UFF, é Mestre em Tecnologia e Estéticas pela UFRJ e Professora do Curso de Multimídia do NAVE. Realizou projeções para espetáculos de teatro, dança e música, colaborando com artistas como Dani Lima, Enrique Diaz e Christianne Jatahy, entre outros.
Mais informações:
paoleb.blogspot.com coregothere.blogspot.com
Data:
31 de julho a 08 de agosto
Formato:
3 encontros teóricos de 3hs, 3 encontros práticos de 3hs e 2 apresentações de 20 min.
Vagas:
16
Processo de Seleção:
envio de dados (nome, telefone e e-mail) e MiniCV + vídeo de 1 minuto justificando interesse – pode ser gravado em qq mídia – celular, webcam, etc.
Envio das Inscrições:
oficinas@fbcu.com.br e anaizabelaguiar@terra.com.br
Envio dos Vídeos:
Festival Brasileiro de Cinema Universitário
Rua Álvaro Alvim, 24 / 1004
Centro – Rio de Janeiro – RJ
CEP 20031-010 Oficina Cinema narrativo ao vivo Resumo da Oficina:
A oficina pretende explorar o potencial narrativo do live cinema, modalidade audiovisual em que o vídeo é construído no momento da exibição, com a presença do autor. Serão vistos projetos e filmes que se relacionam com a ideia de uma montagem efêmera. Serão estudadas ferramentas livres (open source) para a execução dos projetos. Como trabalho final, os alunos vão preparar material para uma peça curta que será apresentada numa sessão dentro da programação do festival - uma sessão onde serão usadas as ferramentas de edição ao vivo.
Bruno Vianna trabalha com cinema, meios portáteis e suportes interativos. Dirigiu 4 curtas entre 1994 e 2003, e lançou o primeiro longa, Cafuné, em 2006. Em 2008 lançou o longa Ressaca, editado ao vivo. Tem trabalhos em mídias digitais como Palm Poetry e Invisíveis. É formado em cinema pela UFF e tem mestrado pelo ITP-NYU.
Data:
02 a 08 de agosto
Vagas:
10 a 20
Processo de seleção:
envio de MiniCV + link (se tiver) de algum trabalho audiovisual (vídeo, foto, etc).
Envio das Inscrições:
oficinas@fbcu.com.br e anaizabelaguiar@terra.com.br
Dúvidas sobre as oficinas:
Coordenação de Atividades Paralelas
Ana Izabel Aguiar
Tel: (21) 9993-2439
E-mail: oficinas@fbcu.com.br e anaizabelaguiar@terra.com.br
Amanhã embarco para o Festival arte.mov, em BH, onde está em competição o curta-metragem Jogo dos 7 erros, realizado na oficina que ministrei no Festival Dança em Foco em julho. Sinto-me feliz que este curta feito com o material do CFTV do SESC Copacabana esteja encontrando seu lugar no mundo. Aproveito a oportunidade para visitar os queridos Bruno e Cinthia, envolvidos em um admirável projeto novo.
Outras Telas – O Curta para Além do Cinema 04/11 - 17hs - Caixa Cultural
As telas já não são mais privilégio da sala de cinema ou da sala de TV há bastante tempo.
Companheiras cada vez mais habituais das viagens de elevador, metrô ou avião, as telas multiplicam-se não só pelas redes de transporte, mas também na arquitetura dos espaços comerciais e das redes de serviços, para não citar os circuitos fechados e de vídeo-vigilância.
Hoje vemos crescer, somadas a estas, o numero de telas de MP4s, Laptops e celulares. A imagem cabe no bolso, e pode ser carregada por um toque dos dedos. A convergência de mídias digitais produz aparelhos híbridos que além de efetuar ligações, navegam pela internet, baixam, gravam e reproduzem filmes.
Este caráter de portabilidade da imagem, e sua inscrição em uma rede de informações e funções, certamente altera a forma como os conteúdos são percebidos e produzidos. As pessoas estão em busca de mobilidade e velocidade. O que dá uma qualidade de efemeridade ao que é produzido. Como poderíamos definir novos parâmetros para a produção audiovisual neste quadro? Há espaço para as obras primas neste ambiente? Esta abundância de imagens pode resultar em uma saturação? Corremos o risco de um niilismo das imagens?
O longa-metragem Cafuné foi lançado na rede e nas salas de cinema ao mesmo tempo, oferecendo ao ciber-espectador a possibilidade de montar, ele mesmo, a sua própria versão da história. Novas experiências como a do filme-jogo a gruta também apontam para este caminho de interação autor-obra-espectador.
A cultura colaborativa e as ferramentas da chamada web 2.0 estão contribuindo para a modificação na noção de autoria. Como a SAV vê questões do direito autoral? Uma nova regulamentação específica está sendo pensada?
A portabilidade das telas é um dos lados de uma moeda. No outro estão a portabilidade das câmeras. Todo e qualquer um hoje é um potencial cineasta. Falando do projeto curta na escola: Há algum tipo de investimento no ensino de cinema nas escolas ou o projeto restringe-se a exibição de filmes? A SAV tem algum programa de apoio ao ensino de audiovisual nas escolas, agora que as câmeras e telas estão ao alcance de todos?
A Secretaria do Audiovisual é um órgão fundamentalmente pautado por um modelo de produção de cinema e televisão bastante ligado aos grandes suportes e estruturas de produção. Qual a importância de se defender a produção de filmes com cópias em 35mm?
Com a presença dos seguintes debatedores:
Silvio Da-Rin – Secretário do Audiovisual – Minc/SAV Secretario do Audiovisual, Técnico de Som direto e Mestre em Comunicação pela ECO
Julio Worcman - Porta Curtas Petrobras / Curta Na Escola O Projeto Porta Curtas é pioneiro em disponibilizar curtas metragens brasileiros na rede, contando hoje com o maior banco de dados deste formato da internet, com presença ativa e premiações em festivais e mostras.
Alberto Magno – M1ND - Alberto Magno é matemático e físico. Dono da M1nd Corp (www.m1nd.com) e fundador da AS TV (www.astv.com.br), que oferece infra-estrutura para sites e transmissão de imagens e dados, além de criar soluções para o mercado de internet.
Denis Acatauassú Paes Barreto - Gerente de Inovação e Service Creation de VAS – Tim Brasil
Fernando Salis – ECO/UFRJ – Desenvolve um trabalho de pesquisa e prática com performances e cinema ao vivo.
A Mostra Live Cinema publicou hoje a lista de 12 performances selecionadas para sua segunda edição, entre 80 inscritos, um recorde. O cineasta Beto Brant figura com uma versão de seu longa metragem “O amor segundo B. Schianberg” modo mixagem ao vivo, fiquei curiosa. Além dele Bruno Vianna apresenta nosso Ressaca e Alexandre Carvalho o projeto Fluidos. Gostaria imensamente de acompanhar as sessões, Marcia e duVa são grandes promotores do cinema ao vivo por aqui e foi graças a pilha deles que me lancei neste universo. Resolvi, aos 45 do segundo tempo enviar uma proposta, intitulada composição para cinema e serrote, que não foi escolhida, mas acabei de reler e acho-a bem simpática. Publico aqui, quem sabe não aparece alguém interessado em bancar uma apresentação off-mostra?
COMPOSICAO PARA CINEMA E SERROTE Peça de Cinema ao vivo para três projetores DLP de 6.000 Ansi Lumens 18 minutos de duração
Sinopse Durante a projeção de uma remixagem do clássico de Charlie Chaplin “Behind the Screen” (1916), Carlitos deixa o filme e invade a cena. Roteiro As telas são ordenadas em um painel tríptico, como em Napoleón de Abel Gance (1927), formando um panorama. As imagens projetadas nas três telas compõe uma remixagem do filme “Behind the screen” de Charlie Chaplin, mas sem a preocupação de reconstituir o enredo do curta. Criando loops a partir de cenas pré-selecionadas esta mixagem vai trabalhar padrões de movimento, repetições, delays e outras experiências temporais, produzindo antes sensações do que encadeamento causal. O som que acompanha esta projeção é composto por uma combinação de gravações de ruídos de trabalho com ferramentas manuais – serrotes, martelos, chaves de fenda – e operação de máquinas de manivela e corda, produzindo um tipo de música a partir de paisagem sonora semelhante a que Björk faz com a fábrica de Dançando no Escuro (2000).
Após 7 minutos de projeção, um ator, Fernando Alves Pinto, aparece por detrás de uma das telas, “deixando” o filme para estar ao vivo no palco. As imagens nas telas mudam uma a uma para imagens captadas ao vivo do ator no palco. A paisagem sonora vai aos poucos silenciando, dando lugar ao som direto da cena. Ele traz consigo um serrote e uma caixa de ferramentas. Ele abre a caixa de ferramentas e tira um microfone e um arco. Inesperadamente ele faz do serrote um instrumento musical, tocando-o com arco de violino. Três câmeras diferentes registram este momento e isto é projetado nos telões. Ao final de 7 minutos de performance, ele volta pra dentro do filme, indo para trás de uma das telas. Novamente o padrão de imagens da mixagem visual se altera, e a projeção remixa imagens da presença recente do ator no palco com imagens do filme de 1916. O som do serrote, ainda microfonado mas fora de cena, mescla-se aos sons de trabalho.
Resultados que espera-se obter com a obra proposta Podemos estabelecer paralelos interessantes entre o “cinema dos primeiros tempos” e as mídias contemporâneas. Ambos situam-se em um terreno aonde a experiência do espectador é mais importante do que a organização em forma de narrativa, podendo ser definidos mais pelas sensações despertadas na platéia do que pela lógica narrativa clássica. O chamado cinema dos primeiros tempos (1895-1908) era um cinema espetacular, um tipo de experiência visual oferecida em parques de diversões e feiras, com o intuito de maravilhar o espectador dos vaudevilles. O filme realizado por Chaplin em 1916 encontra-se em um momento de passagem deste cinema de atrações para um cinema narrativo, que configurou-se como o padrão clássico dominante. Ao nos apropriarmos de “Behind the Screen”, apresentando-o em uma configuração que privilegia o burlesco, o naïf, o fantástico e a trucagem, esperamos estabelecer um diálogo entre uma prática contemporânea de cinema ao vivo e a tradição de pioneiros como Georges Méliès.
Audio Mesa de 16 canais Microfone Shure SM 58 PA + 1 monitor de retorno Laptop com arquivos sonoros variados – gravar martelo, prego, som de obra, som de construção. Video Tres projetores 6 mil Ansilumens Tres telas dispostas uma ao lado da outra Mixer de imagens 4 canais 3 cameras instaladas no palco Laptop com loops de cenas do filme “Behind the Screen” Obs Precisaremos iluminar o ator no palco Três projeções diferentes – delay? Três saídas independentes para cada uma. O projeto é inédito
O Luis duVa, que junto com Marcia Derraik é um dos idealizadores da Mostra Live Cinema, me apresentou ao trabalho do Alexandre Carvalho, “Fluidos”, que será exibido na Mostra Novos Rumos do Festival do Rio juntamente com o longa da Christiane Jatahy, “A falta que nos move”, entre outros títulos. Estou bastante curiosa para assistir a ambos, experiências radicais de encenação audiovisual em tempo real, cada um à sua maneira. O trabalho da Chris ainda terei a oportunidade de comentar por aqui, no momento me atenho ao projeto de Alexandre.
A interessante proposta de Alexandre possui, como duVa sugere, alguns pontos em comum com o trabalho que eu apresentei na Mostra Live Cinema do ano passado, Cabine de Pensamentos, sobretudo no que se refere à utilização de um sistema de televisão para transmissão de imagens ao vivo para uma sala de cinema. Me agrada bastante a idéia de que o filme só existe no momento da projeção e não está capturado por nenhum suporte, o que o aproxima do teatro e o coloca sob o risco do real – espaço e tempo.
Outro aspecto comum e a meu ver determinante em “Fluidos”: trata-se de uma intervenção urbana. Não é só o tempo 'ao vivo' que está em jogo. É um cinema que ocupa um espaço geográfico – e herziano - determinado, e como o próprio diretor explica: é o dispositivo criado que dita as locações e o alcance da transmissão – um cinema do lugar. A preocupação do realizador de desenvolver a dramaturgia a partir de um mapeamento do cotidiano de uma região me parece um dos pontos fortes do projeto, tornando-o site specific: um cinema que territorializa, audiovisualmente, um espaço. Gosto da idéia.
Contudo, se em minha proposta de curta-metragem a intenção era desconstruir ou confrontar a linguagem do cinema narrativo por meio de sua apropriacão pelo dispositivo de vídeo-vigilância, no trabalho de Alexandre, a julgar pelo texto de apresentação em seu blog, a aposta parece ser utilizar a transmissão de televisão para fazer um longa-metragem narrativo, com inspiração no Dogma 95, como Alexandre afirma, mas afinado com uma idéia de cinema clássico : “personagens, plots, cenas, planos, cenários, figurinos, fotografia, som direto, montagem, tal qual qualquer narrativa cinematográfica.”
Interessante notar que os personagens de seu filme definem-se por sua relação com dispositivos tecnológicos, o que os situa em um imaginário contemporâneo atravessado por apelos midiáticos, o que considero uma marca particular, mas o trailer filia-se a um padrão americano de oferta de drama que eu só consigo conceber como paródia.
Outro ponto de diferença: enquanto Alexandre afirma que o naturalismo é a base de seu filme, eu me colocaria na direção inversa, uma vez que são os processos de ficcionalização que orientam a minha pesquisa.
Infelizmente não assisti às exibições ao vivo em SP, e a sessão no Rio será um playback, mas como o duVa sugere que façamos um debate sobre nossos projetos vou ter a oportunidade de conhecer melhor o "cinevivo" e tirar estas dúvidas.
Um dado que me chamou a atenção no blog do projeto foi o anúncio de “todos os direitos reservados” logo abaixo do nome da produtora ASC. Fiquei intrigada, pois, uma vez que estamos falando de uma peça que é executada em espaço público e que se afirma como aberta a interaçoes que por ventura possam ocorrer por conta desta característica, fica complicado falar em reserva de direitos , seja direito de imagem de pessoas e lugares, seja o proprio direito sobre a transmissão de televisão – em que frequencia a plataforma cinevivo opera? É paga ou pública? Pode ser captada por canal UHF?
Isto me leva a pensar o trabalho do Bruno Vianna, outro artista de cinema ao vivo que investe em um pensamento de cultura colaborativa, de copyleft, de software livre. Acredito que quando estamos falando de ocupação de espaços publicos, de expansão de novas palataformas de exibição, transmissão e colaboração devemos estar atentos a um novo pensamento para direitos, acesso e troca.
programaço: sexta feira 27/02 no morro da urca sessão de cinema ao vivo do longa-metragem ressaca, do bruno vianna, no qual tive o prazer de colaborar com o roteiro. a trilha sonora é executada ao vivo pelo estúdio arpx, e o fato de que para assistir a esta noite memorável vamos ter que pegar o bondinho é um tempero a mais. abaixo release que o bruno escreveu para o projeto.
Um longa-metragem. Um quebra-cabeça. Um jogo de amarelinha.
Ressaca pretende ser um longa-metragem no limite entre o cinema e o espetáculo ao vivo, partindo do ponto em que param os VJs que fazem performances ao som de música eletrônica com vídeos prégravados. A proposta é filmar uma história composta de dezenas de pequenas seqüências. A seleção e a ordem dessas seqüências, no entanto, não será prédeterminada: a cada sessão o diretor (ou um “intérprete”) escolherá ao vivo um conjunto de cenas e a ordem em que elas serão apresentadas. Com a exibição em cinema digital, já é possível armazenar os pequenos trechos de filme de forma que o autor, na própria sala de exibição, possa realizar uma montagem ao vivo, “mixando” os pedaços, emendando-os com diferentes estilos de cortes e fusões. A essa montagem se adicionará uma performance musical eletrônica ao vivo, de temas gerados a partir de computador e escolhidos pelos compositores (ou intérpretes da trilha sonora). O projeto foi concebido para salas de cinema. Como exige a presença do diretor e possivelmente também dos músicos, o filme não ficará em cartaz em sessões contínuas.
Interface
Ressaca tem uma interface para edição desenvolvida especialmente para o filme, chamada Engrenagem. Ela foi desenvolvida com o apoio do centro de artes Hangar, em Barcelona, e foi projeto final do Master em Artes Digitais de Maíra Sala na Universidade Pompeu Fabra, onde teve o apoio da equipe que desenvolveu a Reactable, interface de síntese musical usada por Bjork e outros artistas em apresentações ao vivo. Engrenagem consiste em uma tela tátil, que permite movimentar os elementos do filme com os dedos. Como a tela tem um metro de diâmetro e fica posicionada ao lado da tela principal do cinema, a platéia pode acompanhar todo o processo de edição. A interface criada permite a visualização de todo o material do filme, e sua organização, através de links que definem a ordem das seqüências. Além disso é possível manipular cada plano de cada seqüência, mudando sua posição no filme, além de escolher o tipo de corte e fusão.
Maíra Sala e Bruno Vianna estão em Barcelona desenvolvendo a interface para a performance do filme Ressaca, um longa metragem que será editado em tempo real, diante da platéia do cinema. O público poderá acompanhar não só o desenrolar da narrativa, mas as decisões de montagem que o performer executará no momento mesmo da apresentação. Esta idéia de obra aberta, que se faz enquanto é assistida, já estava de certa forma presente no projeto Cafuné, que foi lançado simultaneamente em salas comerciais de cinema e na web, onde os espectadores podiam editar cenas do filme, caso desejassem.
Experiência de realidade aumentada realizada pelo cineasta Bruno Vianna no Festival Arte.mov em BH este ano. Fui apresentada à idéia de realidade aumentada pela pesquisadora Cristina Amazonas. O princípio da RA é bem interessante e se presta a diversas aplicações. Uma forma de criar interação entre virtualidades programadas e imagens gravadas por câmeras visualizadas em tempo real. Uma espécie de atualizacão de potências do falso por meio de algorítmos, gerando co-existências entre real e imaginário, virtual e atual.
Este blog começou como um caderno de notas da Dissertação de Mestrado "Composição para Circuito de Vídeo-Vigilância" (2007-2009) e continuou como um espaço onde publiquei referências, links e notas para os trabalhos em andamento até 2015.
Paola Barreto é realizadora, pesquisadora e professora, formada em Cinema pela UFF e Mestre em Tecnologia e Estéticas pela ECO/UFRJ. Cineasta premiada no Brasil, Alemanha e Argentina, exibiu seus curtas em festivais e mostras em diversos países, como Japão, Espanha, Canadá e Holanda. Nos últimos anos tem concentrado sua atuação na criação de projeções e vídeos que investem na relação entre corpo, espaço e imagem. Atualmente é Doutoranda em Artes Visuais na EBA/UFRJ e como bolsista do programa de Doutorado Sanduíche no Exterior da CAPES passou um ano na Universidade de Arte de Berlin na Alemanha.