ficou de fora mas merece atenção:
(e lá o seu milagre) ; ni exorbite ni renforcé, sans bourrelet, sans poche et si l’on peut dire sans peau, il est la fente lisse d’une surface lisse. La prunelle, intense, fragile. Móbile, intelligente (car cet oeil est barre, interrompu par le bord supérieur de la fente, semble receler de la sorte une pensivité retenue, un supplément d’intelligence mis en reserve, non point derrière le regard, mais au-dessus), la prunelle n’est nullement dramatisée par l’orbite, comme il arrive dans la morphologie occidentale; l’oeil est libre dans sa fente (qu’il emplit souverainement et subtilment), et c’est bien à tort (par un ethnocentrisme évident) que nous le déclarons bridé; rien ne le retient, car inscrit même a la peau, et non sculpté dans l’ossature, son espace est celui de tout le visage. L’oeil occidental est soumis à toute une mythologie de l’âme, centrale et secrete, dont le feu, abrité dans la cavité orbitaire, irradierait vers un exterieur charnel, sensuel, passsionel; mais le visage japonais est sans hiertarchie morale; il est entierement vivant, vivace meme (contrairement a la legende de l’hieratisme oriental),
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Friday, 4 January 2008
Thursday, 22 November 2007
de espelhos
Finalizando a leitura do Império dos Signos de Barthes me deparei com esta passagem, em livre tradução da pg 106
"No Ocidente o espelho é um objeto essencialmente narcísico. O homem só pensa no espelho para aí se ver; mas no Oriente, parece que o espelho é vazio; ele é simbolo do vazio mesmo dos símbolos. Como diz um mestre do Tao: O espírito do homem perfeito é como um espelho. Ele não colhe nada mas não repele nada. Ele recebe mas não conserva. O espelho não faz mais que captar outros espelhos e esta reflexão infinita é o proprio vazio (que como sabemos é a forma)."
Isso me fez pensar na performace da PatB e também em um texto do Cesar Guimarães que li recentemente, da revista da PUC Alceu:
"Ao ganhar a função de personalizar e particularizar um sujeito, a imagem lhe rouba o que ele tem de essencial, que é o oposto exato de uma marca particular. Ao contrário: singular é exatamente o ser que não tem substância, e cuja essência coincide com seu dar-se a ver - seu aparecer - com sua espécie, enfim. Agamben nota que a terminologia do termo species - aparência, aspecto, visão - mostra que ele vem de uma raiz da qual derivam outros termos, tais como espelho, espectro, espetáculo. Se a espécie de cada coisa é a sua visibilidade, o ser especial é aquele que coincide com seu fazer-se visível, mas de tal modo que esse seu aparecer em imagem deve ser entendido tal como os filósofos medievais faziam quando se perguntavam pelo ser e o não-ser das imagens especulares."
"No Ocidente o espelho é um objeto essencialmente narcísico. O homem só pensa no espelho para aí se ver; mas no Oriente, parece que o espelho é vazio; ele é simbolo do vazio mesmo dos símbolos. Como diz um mestre do Tao: O espírito do homem perfeito é como um espelho. Ele não colhe nada mas não repele nada. Ele recebe mas não conserva. O espelho não faz mais que captar outros espelhos e esta reflexão infinita é o proprio vazio (que como sabemos é a forma)."
Isso me fez pensar na performace da PatB e também em um texto do Cesar Guimarães que li recentemente, da revista da PUC Alceu:
"Ao ganhar a função de personalizar e particularizar um sujeito, a imagem lhe rouba o que ele tem de essencial, que é o oposto exato de uma marca particular. Ao contrário: singular é exatamente o ser que não tem substância, e cuja essência coincide com seu dar-se a ver - seu aparecer - com sua espécie, enfim. Agamben nota que a terminologia do termo species - aparência, aspecto, visão - mostra que ele vem de uma raiz da qual derivam outros termos, tais como espelho, espectro, espetáculo. Se a espécie de cada coisa é a sua visibilidade, o ser especial é aquele que coincide com seu fazer-se visível, mas de tal modo que esse seu aparecer em imagem deve ser entendido tal como os filósofos medievais faziam quando se perguntavam pelo ser e o não-ser das imagens especulares."
Sunday, 11 November 2007
clichês #2
Tem uma frase no filme 'i am not there' que diz mais ou menos assim:
Ao invés de falar "eu penso" (I think) deveríamos dizer: "eu sou pensado" (I am thought)
Isso me veio agora à mente por conta mais uma vez dos signos de Barthes, onde ele diz que:
ele não escreve sobre o Japão, mas antes o Japão o coloca em estado de escrita.
Acabei de rever 'o sabor da melancia' e este filme de Taiwan me colocou em estado de pensar palavra e ato de uma forma bem interessante.
Forma diz não só do contorno, do limite; mas da maneira, do modo.
Me interessa pensar este duplo regime da imagem: por uma plástico, espacial, extensivo; por outra processual, temporal, intensivo.
Dois cortes possíveis para a forma, fôrma, formatacão, formação, informação, informatização.
Quero ler o texto do Foucault sobre o quadro do Velasquez.
Uma coisa de cada vez.
Saudades dos meus filhos.
Ao invés de falar "eu penso" (I think) deveríamos dizer: "eu sou pensado" (I am thought)
Isso me veio agora à mente por conta mais uma vez dos signos de Barthes, onde ele diz que:
ele não escreve sobre o Japão, mas antes o Japão o coloca em estado de escrita.
Acabei de rever 'o sabor da melancia' e este filme de Taiwan me colocou em estado de pensar palavra e ato de uma forma bem interessante.
Forma diz não só do contorno, do limite; mas da maneira, do modo.
Me interessa pensar este duplo regime da imagem: por uma plástico, espacial, extensivo; por outra processual, temporal, intensivo.Dois cortes possíveis para a forma, fôrma, formatacão, formação, informação, informatização.
Quero ler o texto do Foucault sobre o quadro do Velasquez.
Uma coisa de cada vez.
Saudades dos meus filhos.
Sunday, 4 November 2007
não tem a priori; o a priori é o número
Tokyo Ga – Carnet de Voyage 1983
Cruzamento entre o filme de Wenders e a leitura de Barthes, descontínua.
Wenders:
Para quê produzir imagens? - possíveis respostas : para aprender sobre si mesmo; para se reconhecer.
Constatação: Imagens tornaram-se corporificação da memória; crudificação da memória ou ainda a numerização da memória, memória inFORMAtizada; memória-imagem (forma, Bild).
Tome-se as imagens de um filme qualquer, quando observadas sem som, no avião, descoladas, soltas ao olhar, sem querer significar nada, imagens ocas (óticas e sonoras puras) op signes et son signes - imagem observacional.
a view that still could achieve order in a world without order
(Buscar ordem é um movimento de retorno às origens; uma tentativa de escapar à homogeneização crescente que é inevitavelmente fonte de desordem - não se pode ordenar o que é homogêneo, só de pode ordenar o que é heterogêneo; heterogeneidade se alinha com ordenação ao passo que homogeneidade com desordenamento, ao contrário do que se poderia supor ao buscar agenciar estes conceitos em pares associados.
Ou seja: um olho diferenciado, heterogêneo - e não um olhar homogeneizado, desORGANizado torna-se desejável nesta lógica)
Barthes:
aucune envie d’assurer mon moi, pour me constituer centre assimilateur de l’infini. Amené à l’evidence d’une limite vide, je suis illimité sans idée de grandeur, sans réference métaphysique.
(pg 145)
Les yeux, et non pas le regard. La fente, et non pas l’âme.
(pg 146)
Wenders:
Colocar a realidade em imagem assim - depicture - não existe mais;
(Nostalgia de um mundo onde as imagens pudessem ser autênticas. Mas esta idéia de deixar o mundo transparente fala de um lugar desde o qual a opacidade é vista em sua negatividade)
Barthes:
"L'impolitesse (a falta de refinamento), no Ocidente, repousa sobre uma certa mitologia da "pessoa". topologicamente, o homem ocidental é reputado como duplo, composto de um "exterior", social, factício, falso, e de um "interior", pessoal, autêntico (lugar de comunicação divina)
(...)
ser impoli (rude) é ser verdadeiro, diz logicamente a moral ocidental."
(Herzog quer ir para o espaço atrás destas imagens verdadeiras;
Wenders vai buscar esta verdade lá no turbilhão visual, como Marker :
- Quanto mais olhamos a televisão japonesa mais somos vistos por ela - txt de Sans Soleil, tb de 1983.
Não é à toa que Wenders encontra Chris Marker em Tokyo)
Wenders:
Imagens capazes de revelar algo;
(Mas me pergunto: há algo para além desta imagem?)
Barthes:
Espaço não de uma vista, mas de um fazer ou de um jogo.
Produzir um lugar para então dizer que ele está vazio - as imagens de video vigilância produzem esta ausência; ou melhor esta expectativa de uma cena , instaurada, aonde algo se dará a ver, pois o que está em jogo é, mais do que VER algo, é ver se há algo a ser visto; ante-ver; super-visão, super-visionar.

O interstício ; o não lugar: MU, o vazio.
Cruzamento entre o filme de Wenders e a leitura de Barthes, descontínua.
Wenders:Para quê produzir imagens? - possíveis respostas : para aprender sobre si mesmo; para se reconhecer.
Constatação: Imagens tornaram-se corporificação da memória; crudificação da memória ou ainda a numerização da memória, memória inFORMAtizada; memória-imagem (forma, Bild).
Tome-se as imagens de um filme qualquer, quando observadas sem som, no avião, descoladas, soltas ao olhar, sem querer significar nada, imagens ocas (óticas e sonoras puras) op signes et son signes - imagem observacional.
a view that still could achieve order in a world without order (Buscar ordem é um movimento de retorno às origens; uma tentativa de escapar à homogeneização crescente que é inevitavelmente fonte de desordem - não se pode ordenar o que é homogêneo, só de pode ordenar o que é heterogêneo; heterogeneidade se alinha com ordenação ao passo que homogeneidade com desordenamento, ao contrário do que se poderia supor ao buscar agenciar estes conceitos em pares associados.
Ou seja: um olho diferenciado, heterogêneo - e não um olhar homogeneizado, desORGANizado torna-se desejável nesta lógica)
Barthes:
aucune envie d’assurer mon moi, pour me constituer centre assimilateur de l’infini. Amené à l’evidence d’une limite vide, je suis illimité sans idée de grandeur, sans réference métaphysique.
(pg 145)
Les yeux, et non pas le regard. La fente, et non pas l’âme.
(pg 146)
Wenders:
Colocar a realidade em imagem assim - depicture - não existe mais;
(Nostalgia de um mundo onde as imagens pudessem ser autênticas. Mas esta idéia de deixar o mundo transparente fala de um lugar desde o qual a opacidade é vista em sua negatividade)
Barthes:
"L'impolitesse (a falta de refinamento), no Ocidente, repousa sobre uma certa mitologia da "pessoa". topologicamente, o homem ocidental é reputado como duplo, composto de um "exterior", social, factício, falso, e de um "interior", pessoal, autêntico (lugar de comunicação divina)
(...)
ser impoli (rude) é ser verdadeiro, diz logicamente a moral ocidental."
(Herzog quer ir para o espaço atrás destas imagens verdadeiras;
Wenders vai buscar esta verdade lá no turbilhão visual, como Marker :
- Quanto mais olhamos a televisão japonesa mais somos vistos por ela - txt de Sans Soleil, tb de 1983.
Não é à toa que Wenders encontra Chris Marker em Tokyo)
Wenders:Imagens capazes de revelar algo;
(Mas me pergunto: há algo para além desta imagem?)
Barthes:
Espaço não de uma vista, mas de um fazer ou de um jogo.
Produzir um lugar para então dizer que ele está vazio - as imagens de video vigilância produzem esta ausência; ou melhor esta expectativa de uma cena , instaurada, aonde algo se dará a ver, pois o que está em jogo é, mais do que VER algo, é ver se há algo a ser visto; ante-ver; super-visão, super-visionar.

O interstício ; o não lugar: MU, o vazio.
Friday, 26 October 2007
l'empire de signes, pg 15
uma maneira de diluição, de hemorragia do sujeito em uma linguagem parcelada, particulada, difratada até o vazio.
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