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Sunday, 14 September 2008

Wim Wenders' 1987 conversation with Alain Bergala


A. B. Do you have the same sense of preserving things by looking at them (re-garder) when you shoot a film take?

W. W. I think that films narrate history. Films especially.
All films are ultimately documentaries, because in passing, unintentionally, they record the clouds crossing the sky or a flock of birds somewhere in the background or someone walking by who doesn't notice he's being filmed. Or else animals: I'm always very affected when I see animals in a film. They are simply there, even more innocent than children, and they have no idea whatsoever that there are such things as cameras. But if you're making a film and you shoot the same scene ten times, the fact that the clouds cross the sky ten times devalues every one of those takes seen for itself just as much as the fact that it's been endlessly rehearsed does, or that it can be cut at any point during the editing. If you film landscape, the shots very often aren't in the final film and the negative will be destroyed. So film making is not as definitive an act as photography.

A. B. There are directors, such as Rohmer in some of his films, who take this idea to its logical conclusion. If every shot is unique, and if, given the sacrosanct value of each moment in the filming, there can be no progression from one take to another, then the response is to shoot any given take only once.

WW. I know. That impresses me greatly. I think Kurosawa films like that too. The editing and selection process really are pretty cruel: It's very unjust to take 200 hours of film material that record people, landscapes, the sky, animals or objects, and throw out 198 in order to keep two.

Tuesday, 27 May 2008

o caminho

Texto do Andre Vitalis publicado no Le Monde discute o panorama da vigilância na França há 10 anos atrás. Reproduzo abaixo trecho onde ele distingue dois modos de operar dos sistemas de vídeo-vigilância. Preventivo e repressivo.

Several surveys of systems installed in public places in France were published in 1995. They suggest the need to distinguish between two functions of video surveillance. The first is preventative and involves establishing a condition that induces conformity to required behaviour patterns. The other is repressive, producing its effects only after undesirable behaviour has occurred.

Levallois-Perret, on the outskirts of Paris, has one of the highest concentrations of street cameras of any town in France. It is one of the most densely populated municipalities in Europe.







Fernanda Bruno aponta para uma terceira via de acesso para este universo de video-vigilancia, nem repressiva e nem preventiva, a qual eu compartilho em post anterior, e que tem a ver, para mim, com uma desintegração da narrativa (audiovisual enquanto cinema clássico narrativo) proporcionada pelo dado novo de imagens serem gravadas incessantemente sem a necessidade de um 'roteiro', um script, um plot ou mesmo um 'diretor' no sentido estrito da função técnica. (isto faz com que o espectador seja levado a ele mesmo ser o roteirista e montador das imagens as quais assiste, em telas multiplas e tempos concomitantes- ou não)

Seriam estas mesmas as imagens do cinema moderno de um Antonioni ou um Wenders, com seus tempos mortos e seus espaços vazios. Em Wenders, e contemporaneamente com os orientais, o espaço vazio (no caso italiano da guerra, da reconstrução, da fábrica e da obra) se faz o não-lugar: o aeroporto, a highway, o shopping center, o estacionamento.

Sunday, 4 November 2007

não tem a priori; o a priori é o número

Tokyo Ga – Carnet de Voyage 1983

Cruzamento entre o filme de Wenders e a leitura de Barthes, descontínua.

Wenders:
Para quê produzir imagens? - possíveis respostas : para aprender sobre si mesmo; para se reconhecer.

Constatação: Imagens tornaram-se corporificação da memória; crudificação da memória ou ainda a numerização da memória, memória inFORMAtizada; memória-imagem (forma, Bild).

Tome-se as imagens de um filme qualquer, quando observadas sem som, no avião, descoladas, soltas ao olhar, sem querer significar nada, imagens ocas (óticas e sonoras puras) op signes et son signes - imagem observacional.

a view that still could achieve order in a world without order





(Buscar ordem é um movimento de retorno às origens; uma tentativa de escapar à homogeneização crescente que é inevitavelmente fonte de desordem - não se pode ordenar o que é homogêneo, só de pode ordenar o que é heterogêneo; heterogeneidade se alinha com ordenação ao passo que homogeneidade com desordenamento, ao contrário do que se poderia supor ao buscar agenciar estes conceitos em pares associados.
Ou seja: um olho diferenciado, heterogêneo - e não um olhar homogeneizado, desORGANizado torna-se desejável nesta lógica)

Barthes:
aucune envie d’assurer mon moi, pour me constituer centre assimilateur de l’infini.
Amené à l’evidence d’une limite vide, je suis illimité sans idée de grandeur, sans réference métaphysique.
(pg 145)
Les yeux, et non pas le regard. La fente, et non pas l’âme.
(pg 146)

Wenders:
Colocar a realidade em imagem assim - depicture - não existe mais;
(Nostalgia de um mundo onde as imagens pudessem ser autênticas. Mas esta idéia de deixar o mundo transparente fala de um lugar desde o qual a opacidade é vista em sua negatividade)

Barthes:
"L'impolitesse (a falta de refinamento), no Ocidente, repousa sobre uma certa mitologia da "pessoa". topologicamente, o homem ocidental é reputado como duplo, composto de um "exterior", social, factício, falso, e de um "interior", pessoal, autêntico (lugar de comunicação divina)
(...)
ser impoli (rude) é ser verdadeiro, diz logicamente a moral ocidental."

(Herzog quer ir para o espaço atrás destas imagens verdadeiras;
Wenders vai buscar esta verdade lá no turbilhão visual, como Marker :
- Quanto mais olhamos a televisão japonesa mais somos vistos por ela - txt de Sans Soleil, tb de 1983.
Não é à toa que Wenders encontra Chris Marker em Tokyo)

Wenders:
Imagens capazes de revelar algo;
(Mas me pergunto: há algo para além desta imagem?)
Barthes:
Espaço não de uma vista, mas de um fazer ou de um jogo.



Produzir um lugar para então dizer que ele está vazio - as imagens de video vigilância produzem esta ausência; ou melhor esta expectativa de uma cena , instaurada, aonde algo se dará a ver, pois o que está em jogo é, mais do que VER algo, é ver se há algo a ser visto; ante-ver; super-visão, super-visionar.


O interstício ; o não lugar: MU, o vazio.

Monday, 1 October 2007

wenders frühe jahre


poquito enttäuschend esse film, pq achei que ia ser uma análise da fenomenologia no cine desse cara, mas foi genre acerto de contas com o passado, interessant auch, aber...