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Wednesday, 28 April 2010

estética da vigilância



documentação do trabalho da milena, que ainda não conheci pessoalmente, mas com quem venho trocando algumas figurinhas.

Friday, 23 November 2007

liqüidação

Três notícias publicadas no Globo de ontem chamam a atenção para uma reorganização do capital diante das novas ferramentas comunicacionais e tecnológicas. O poder estabelecido de grandes corporações aparece em cheque nestas notícias. Vale colocá-las diante de algumas passagens d' A Vontade de Saber :

Texto de Michel Foucault, retirado da pagina 94 do Historia da Sexualidade:

" A lógica da censura. Supõe-se que essa interdição tome três formas: afirmar que não é permitido, impedir que se diga, negar que exista. Formas aparentemente difíceis de conciliar. Mas é aí que é imaginada uma espécie de lógica em cadeia, que seria característica dos mecanismos de censura: liga o inexistente, o ilícito e o informulável de tal maneira que um seja, ao mesmo tempo, princípio e feito do outro: do que é interdito não se deve falar até ser anulado no real; o que é inexistente não tem direito a manifestação nenhuma, mesmo na ordem da palavra que enuncia a sua inexistência; e o que deve ser calado encontra-se banido do real como interdito por excelência."

1
"Universalizacão da Al Jazeera é via YouTube. "Sem conseguir firmar contratos de distribuição de conteúdo com redes americanas, a programação em inglês da tv Al Jazeera passou a ser veiculada no Youtube. O canal árabe já tem mais de dois mil vídeos disponíveis. Em um ano contabiliza 672,8 mil acessos (...)"
Neste caso a possibilidade de publicação da programação vai direto contra o que Foucault chama de o ciclo da interdição: "(...) Seu instrumento: a ameaça de um castigo que nada mais é do que sua supressão. Renuncia a ti mesmo sob pena de seres suprimido; não apareças se não quiseres desaparecer. Tua existência só será mantida a custa de tua anulação. O poder oprime (...) exclusivamente através de uma interdição que joga com a alternativa entre duas inexistências."
Neste caso não há possibilidade de condenar à inexistência; a menos que se tire o YouTube do ar (fato já ocorrido aqui mesmo no Brasil por breve período como efeito Cicarelli)

2
Iphone será vendido na Alemanha sem contrato "(...) É o segundo país europeu, depois da França, que libera o Iphone de contrato de exclusividade".
Ao não mais obrigar a associação de um produto a um determinado serviço, cai por terra a instância da regra: "o poder seria essencialmente aquilo que dita a lei (..) lícito e ilícito, permitido e proibido. (...) Ele fala e faz-se a regra."
Neste caso, não há mais regra, há liberação.

3
Block buster testa aluguel de DVD a US$ 1 " A blockbuster começou a testar o aluguel de filmes em quiosques por US$ 1 a diária, US$ 3 a menos que em suas lojas tradicionais, (...) A Blockbuster tenta recuperar clientes perdidos para concorrentes que já alugam filmes por US$ 1."
Quando chegará o momento em que a disponibilização gratuita de filmes não será considerada crime? Pensando no Brasil, onde os filmes são feitos com dinheiro público, via isenção de impostos, não deveriam estar disponíveis a este público, que os financiou, sem limites, na rua? Na praça pública. Cine-Ágora. De graça no e-moule. Em quiosques por quantias simbólicas, cinema a 1 real, 50 centavos.